MACHISMO NO RAP
“Minha mãe me ensinou a entender a mulher mais dos meus amigos conseguiram. Quando eu era mais jovem vivia rodeado de mulheres forte. [...] Minha mãe era a matriarca. Se for criado por uma mulher, você vai pensar como uma mulher. Mas não sou mulher. Sou apenas um homem normal. Pra mim, sou o cara mais durão, o ‘criolo’ mais durão, porque sou real. Mas também sou muito gentil. Sou muito sensível, mas por isso que sou tão rude, porque sou sensível. E acho que isso é o que me levou a ter sucesso e fama.”
Tupac Amaru Shakur
O movimento HIP HOP é composto por quatro elementos fundamentais: o graffiti (arte plástica), o break (dança), o Disc Jockey (DJ) e o Mister of Ceremony (MC). Esses elementos que compõem o movimento se originaram de processos culturais distintos e por esse motivo apresenta múltiplas faces. Um dos elementos do HIP HOP é a música Rap que é a junção de ritmo e poesia (Rhythm and Poetry), geralmente suas letras são de protesto contra os conflitos sociais e seus variados contextos.
Com base nas definições de HIP HOP e de Rap, problematiza-se que, no que diz respeito às mulheres, as letras de música de alguns grupos de Rap são machistas, levando-nos à reflexão sobre até que ponto o movimento que prega a inclusão e denuncia a exclusão reproduz uma ordem, um problema social, como o machismo?
Este artigo se justifica na violência moral e na consequente baixa estima das mulheres dentro do movimento HIP HOP causada pela reprodução de preconceito, de discriminação, que quebra o direito humano da mulher, como descreve a Lei.
Especificando-se que as agressões morais estão inseridas na sociedade ocidental por ela ser caracterizada pelo sistema de patriarcalismo, atitudes como essa não se pode mudar em pouco tempo, mas com a educação de gêneros das novas gerações isso pode ser mudado. O objetivo desse artigo é fazer uma reflexão sobre a conduta preconceituosa dos homens, no que diz respeito às mulheres, nas letras de música de alguns grupos de Rap. A funcionalidade desse movimento cultural, e o que ele defende farão com que seja mais bem compreendido o papel da mulher nesse contexto e a busca do gênero pela igualdade nas relações sociais em um ambiente majoritariamente masculino.
As letras das músicas são machistas, a exemplo da música “Mulheres Vulgares”, do grupo paulista Racionais MC.
As mulheres são discriminadas e violentadas moralmente, tendo em consideração que a grande parte dos MC’s é composta por homens, e que, numa perspectiva masculina constroem imagens e narrativas sobre a mulher. Ainda comparam a mulher a uma ‘cadela’, enfocam como as mulheres se vendem por poder, discriminam e agridem a sua imagem. O HIP HOP no Brasil é válvula de escape para muitas meninas de periferia que são discriminadas por viver a margem da sociedade, mas, é no HIP HOP que encontramos aquelas mesmas “meninas-mulheres” sendo discriminadas através das letras agressivas de baixo escrúpulo.
As mulheres se colocam no movimento HIP HOP no sentido de provocar uma reflexão sobre a sua condição de gênero, de luta. O HIP HOP, especialmente nas grandes cidades, desempenha papel fundamental enquanto formador de opinião e por isso pode - e deve – ser aliado na divulgação de informações que contribuem para o exercício da cidadania.
Entre os temas que se inserem na discussão da cidadania e dos direitos humanos, está a questão de gênero, que vai além do sexismo, podendo o HIP HOP colaborar na construção de novos papéis sociais femininos. Entende-se por sexismo, a discriminação ou tratamento indigno a um determinado gênero, ou ainda, determinada orientação sexual. Na maioria das facções do HIP HOP há um grupo feminino ou feminista, que luta pelos seus direitos, e censura entre seus clãs os demais grupos machistas, que tratam a mulher como objeto de consumo.
Para a compreensão do papel social da mulher, entende-se que, historicamente, a sociedade é patriarcal, ou seja, o homem rege a família, e consequentemente, a sociedade. Por esse motivo se prolifera o machismo em todos os âmbitos e camadas sociais, independentemente de classes, credo, cor e etnia.
A discussão de gênero no HIP HOP é tratada com prioridade em todos os encontros do movimento, seja em nível municipal, estadual ou nacional. Mesmo com essa discussão tão acentuada ainda existem grupos de Rap politizados e militantes que usam a “mulher objeto, vadia” em suas letras, até os grupos mais midiáticos esquecem a ideologia da cultura HIP HOP e segue sua cultura influenciada eurocêntrica a serem machistas.
Em Salvador, as mulheres do Rap são militantes ativas e convictas de seus ideais e da proposta do Movimento, no núcleo de mulheres da rede de HIP HOP de feminilidade e auto-afirmação, como mulher da periferia, negra, competente. É uma luta diária dentro desse sistema que é patriarcal, e culturalmente a mulher é sempre submissa ao homem.
“Minha mãe me ensinou a entender a mulher mais dos meus amigos conseguiram. Quando eu era mais jovem vivia rodeado de mulheres forte. [...] Minha mãe era a matriarca. Se for criado por uma mulher, você vai pensar como uma mulher. Mas não sou mulher. Sou apenas um homem normal. Pra mim, sou o cara mais durão, o ‘criolo’ mais durão, porque sou real. Mas também sou muito gentil. Sou muito sensível, mas por isso que sou tão rude, porque sou sensível. E acho que isso é o que me levou a ter sucesso e fama.”
Tupac Amaru Shakur
O movimento HIP HOP é composto por quatro elementos fundamentais: o graffiti (arte plástica), o break (dança), o Disc Jockey (DJ) e o Mister of Ceremony (MC). Esses elementos que compõem o movimento se originaram de processos culturais distintos e por esse motivo apresenta múltiplas faces. Um dos elementos do HIP HOP é a música Rap que é a junção de ritmo e poesia (Rhythm and Poetry), geralmente suas letras são de protesto contra os conflitos sociais e seus variados contextos.
Com base nas definições de HIP HOP e de Rap, problematiza-se que, no que diz respeito às mulheres, as letras de música de alguns grupos de Rap são machistas, levando-nos à reflexão sobre até que ponto o movimento que prega a inclusão e denuncia a exclusão reproduz uma ordem, um problema social, como o machismo?
Este artigo se justifica na violência moral e na consequente baixa estima das mulheres dentro do movimento HIP HOP causada pela reprodução de preconceito, de discriminação, que quebra o direito humano da mulher, como descreve a Lei.
A Lei nº11.340, de 7 de agosto de 2006 (Lei Maria da Penha)
Art. 2o
Toda mulher, independentemente de classe, raça, etnia, orientação sexual, renda,
cultura, nível educacional, idade e religião, goza dos direitos fundamentais
inerentes à pessoa humana, sendo-lhe asseguradas as oportunidades e facilidades
para viver sem violência, preservar sua saúde física e mental e seu
aperfeiçoamento moral, intelectual e social.
Especificando-se que as agressões morais estão inseridas na sociedade ocidental por ela ser caracterizada pelo sistema de patriarcalismo, atitudes como essa não se pode mudar em pouco tempo, mas com a educação de gêneros das novas gerações isso pode ser mudado. O objetivo desse artigo é fazer uma reflexão sobre a conduta preconceituosa dos homens, no que diz respeito às mulheres, nas letras de música de alguns grupos de Rap. A funcionalidade desse movimento cultural, e o que ele defende farão com que seja mais bem compreendido o papel da mulher nesse contexto e a busca do gênero pela igualdade nas relações sociais em um ambiente majoritariamente masculino.
As letras das músicas são machistas, a exemplo da música “Mulheres Vulgares”, do grupo paulista Racionais MC.
...É uma cretina que se mostra nua como objeto,
É uma inútil que ganha
dinheiro fazendo sexo.
No quarto, motel, ou tela de cinema
Ela é mais
uma figura viva, obscena.
Luta por um lugar ao sol,
Fama e dinheiro com
rei de futebol! (ah, ah!)
Ela quer se encostar em um magnata
Que comande
seus passos de terno e gravata. (otário...)
As mulheres são discriminadas e violentadas moralmente, tendo em consideração que a grande parte dos MC’s é composta por homens, e que, numa perspectiva masculina constroem imagens e narrativas sobre a mulher. Ainda comparam a mulher a uma ‘cadela’, enfocam como as mulheres se vendem por poder, discriminam e agridem a sua imagem. O HIP HOP no Brasil é válvula de escape para muitas meninas de periferia que são discriminadas por viver a margem da sociedade, mas, é no HIP HOP que encontramos aquelas mesmas “meninas-mulheres” sendo discriminadas através das letras agressivas de baixo escrúpulo.
As mulheres se colocam no movimento HIP HOP no sentido de provocar uma reflexão sobre a sua condição de gênero, de luta. O HIP HOP, especialmente nas grandes cidades, desempenha papel fundamental enquanto formador de opinião e por isso pode - e deve – ser aliado na divulgação de informações que contribuem para o exercício da cidadania.
Entre os temas que se inserem na discussão da cidadania e dos direitos humanos, está a questão de gênero, que vai além do sexismo, podendo o HIP HOP colaborar na construção de novos papéis sociais femininos. Entende-se por sexismo, a discriminação ou tratamento indigno a um determinado gênero, ou ainda, determinada orientação sexual. Na maioria das facções do HIP HOP há um grupo feminino ou feminista, que luta pelos seus direitos, e censura entre seus clãs os demais grupos machistas, que tratam a mulher como objeto de consumo.
Para a compreensão do papel social da mulher, entende-se que, historicamente, a sociedade é patriarcal, ou seja, o homem rege a família, e consequentemente, a sociedade. Por esse motivo se prolifera o machismo em todos os âmbitos e camadas sociais, independentemente de classes, credo, cor e etnia.
A discussão de gênero no HIP HOP é tratada com prioridade em todos os encontros do movimento, seja em nível municipal, estadual ou nacional. Mesmo com essa discussão tão acentuada ainda existem grupos de Rap politizados e militantes que usam a “mulher objeto, vadia” em suas letras, até os grupos mais midiáticos esquecem a ideologia da cultura HIP HOP e segue sua cultura influenciada eurocêntrica a serem machistas.
Em Salvador, as mulheres do Rap são militantes ativas e convictas de seus ideais e da proposta do Movimento, no núcleo de mulheres da rede de HIP HOP de feminilidade e auto-afirmação, como mulher da periferia, negra, competente. É uma luta diária dentro desse sistema que é patriarcal, e culturalmente a mulher é sempre submissa ao homem.
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