terça-feira, 29 de abril de 2008

Resenha: Blade Runner (1982)

Blade Runner (o caçador de andróides) é um filme norte americano de 1982 , o primeiro do gênero ficção científica que aborda a relação homem x máquina.
O filme se passa na cidade de Los Angeles, em novembro de 2019, quando a humanidade inicia a colonização espacial, para qual são desenvolvidos seres geneticamente modificados.
A produção desses seres ficava sob responsabilidade da Tyrell Corporation, que tinha como objetivo produzir andróides “mais humanos que os próprios humanos”. Porém esses andróides tinham tempo de vida limitado à 4 anos, o que despertou em alguns deles revolta.
Surge então o confronto criador x criatura: há um trecho do filme onde o lider rebelde dos replicantes – nome que foi dado aos andróides – questiona seu criador com relação à essa limitação de vida. Esse o responde que no momento da sua produção seu tempo de vida já é programado, sendo assim não pode ser alterado. Dessa forma o coloca novamente na sua condição de máquina, o que contrasta com seu desejo de sobrevivência.
A visão futurista do filme mostra uma realidade desvinculada da natureza, não há resquícios de ambientes naturais. O filme se passa num ambiente urbano, com pouca luminosidade.
No filme há um paradoxo: de um lado as relações humanas diminuem, como se todo avaço tecnológico tendenciasse os humanos a se afastar um dos outros, por outro lado, os replicantes se apoderam da capacidade de se emocionar, característica humana, para manipulá-los.
Outro fato que chama a atenção é que apesar de geneticamente modificados, os replicantes são fisicamente tão frágeis quanto nós, pois são retirados – eliminados -com as mesmas armas com que os humanos seriam.
O conflito do filme surge no momento em que o replicante tem um desejo semelhante aos humanos de prolongar seu tempo de vida, assim como nós buscamos o auxilio da ciência, os andróides buscam alternativas para afastar o final da sua existência.




domingo, 27 de abril de 2008

((@))
Ciber.Comunica 3.0

"Promovido pela F. Jorge Amado, o evento tem como objetivo discutir a comunicação associada às tecnologias contemporâneas. Nessa edição, a discussão girará em torno da comunicação sem fio.
(...)Apesar do tema atualíssimo, o Ciber.Comunica continua com os mesmos moldes. É o que garante o seu coordenador geral, o professor mestre Claudio Manoel Duarte.
(...) Também já foi confirmada a primeira edição do Festival MicroMínima**(vídeos-minutos, com temas livres), que irá premiar os melhores filmes produzidos pelos alunos.
O evento é aberto ao público geral.
O participante terá direito a certificado."



**O vídeo do meu grupo vai estar lá!!

terça-feira, 8 de abril de 2008

Filme: A Fantástica Fábrica de Chocolate (2005)

(Elenco: Johnny Depp, Freddie Highmore, Helena Bonham Carter, Jordan Fry, Garrick Hagon, Stephen Humby, David Kelly, Christopher Lee, Missi Pyle, Annasophia Robb, Deep Roy, Harry Taylor, Noah Taylor. Direção: Tim Burton Produzido por: Brad Grey, Richard D. Zanuck)

Para a nova versão deste clássico da Sessão da Tarde, o diretor de cinema, Tim Burton, quis fazer uma versão mais próxima do livro, escrito por Roald Dahl, mais excêntrica, e um tanto quanto sombria, com Johnny Depp assemelhando-se ao seu personagem do filme Edward Mãos de Tesoura. Portanto para começar a assistir tem que esquecer da primeira versão (1971).
O menino Charlie Bucket é o personagem central. Menino pobre porém muito educado e centrado nos valores sobre o ideal de uma família unida, que mora com seus pais e avós, em uma casa humilde, torta, caindo aos pedaços. Um de seus avôs, Joe Bucket, já trabalhou na fábrica de chocolate existente na cidade, e contava para seu neto histórias encantadoras sobre o seu funcionamento.
Charlie era fascinado e movido pela costumeira curiosidade infantil, e tem o sonho de um dia poder conhecer seu interior. Vê essa oportunidade, quando o dono da fábrica, o então misterioso Willy Wonka, resolve fazer um concurso com vale-brindes - ao total de apenas 5 - embalados junto ao chocolate (para quem lembra do chocolate Surpresa, eis uma idéia), com crianças sorteadas para visitar a sua fábrica, - o chocolate Wonka Bar é uma mania mundial - demonstrando-se o significado da tão falada globalização em um de seus aspectos: a cena inicial, dos caminhões vermelhos em meio a uma cidade coberta por neve, saindo da fábrica para fazer entregas, nos remete a uma grande marca de refrigerante, que a exemplo de comercialização, tem seu nome mundialmente conhecido, e que ainda assim guarda o grande segredo de sua fórmula.
Nessa expectativa já esperada, Charlie consegue o muito procurado vale-brinde, e com seu vovô Joe, vai em busca do curioso mundo dos doces. É no decorrer do passeio na fábrica que será escolhido o herdeiro da empresa, sem que as crianças e seus acompanhantes saibam disso.
Fica explícito no filme, uma mágoa por parte do chocolateiro, com relação ao seu pai, mostrando em diversos flashback's, como o Dentista o reprimia para que fosse sempre uma criança saudável. Logo no início do filme com Wonka em um desses flashes, um doce que havia sido jogado na fogueira por seu pai é relembrado pelo chocolateiro quando ao abrir a grande porta para os sortudos visitantes numa animada recepção com bonecos coloridos, ocorre um curto circuito fazendo a animação pegar fogo.
Wonka já demonstra que não sabe lidar com sentimentos, e que está muito traumatizado, tendo sua fábrica hostilizada por crianças de maus hábitos - inclusive reforçados pelos responsáveis. Claro, com a oportunidade de se "encontrar" em um ambiente onde tudo é comestível, é possível que qualquer pessoa aja de forma pecaminosa diante de tanta tentação e ainda pague um preço por isso; justamente assim é que Wonka faz, de forma previsível, com seus ajudantes Oompa Loompas, uma seleção para escolher finalmente o seu herdeiro.
O grande vencedor, Charlie, o menino pobre dotado de esperança em dias melhores é o responsável pela humanização do dono da fábrica, o que nos faz pensar naquela Máxima de pensar o mundo com os olhos de uma criança.



segunda-feira, 7 de abril de 2008

Sobre Abacaxi e Ano-Novo

Carta aberta para amiga, em 02/01/2008


Se a gente for analisar o que foi o ano de 2007 dá para compará-lo a um termo que a gente costuma dizer quando a coisa vai mal, que é o lance do abacaxi. Todos temos na nossa vida um momento de segurar o abacaxi, "ganhar o abacaxi".
Cada um tem na sua vida o abacaxi que merece?
Quando você, no meio de suas visitas para comemoração do ano novo em sua casa, resolve que tá com vontade de comer abacaxi, é porque inconscientemente você sabe o tamanho e acidez do seu. Todos nós sabemos.
Você sai com tanta agonia de não querer exatamente olhar pra aquelas pessoas, que a busca pelo abacaxi para matar vontade se torna uma missão do tipo Gincana. E lá vai você, que sai a pé de casa que é para dar uma volta maior, demorando mais tempo, com desculpa de que é coisa rápida, que vai ali na vendinha.
Só que a vendinha está fechada, claro, porque o dono da venda também tem seu momento de acidez de ano novo, e precisa fechar (para balanço) para ter tempo de saborear o seu abacaxi.
Tudo bem, você roda o bairro nos primeiros 15 minutos xingando parentes, que saco, vai ser assim meu ano novo??, vai ao supermercado, porque, ah, supermercado tem trabalho e os funcionários não têm família (!!), certo?! Prêmio Coroa do Abacaxi pro gerente (para ele enfiar, Deus sabe onde), que ainda fica dando ordens de organização no estabelecimento se sentindo o dono do abacaxi. Melancia, melancia, eu não quero melancia - você pensa. Tem melancia e eu não quero esta droga, droga. Porque o abacaxi é o que representa a sua vida e enquanto você procura com os olhos, seu pensamento está naquela pessoa com a qual você tem esperança de ter alguma coisa realmente saudável, sem pressões, sem neuras. Mas, não, o cara nem aí está, e a sua vontade é que ele exploda enquanto você fica imaginando suas aftas por conta da quantidade de abacaxi que você vai ingerir para esquecer que o cara existe.
Finalmente encontrado, o abacaxi está verde, exatamente como o ano que está começando: 2008 querendo amadurecer, e você também. Na Bahia, em época de abacaxi, você consegue um abacaxi a Um Real, no Rio, consegue verde a Quatro Reais. Um absurdo.
Cada um tem na sua vida o abacaxi que merece?



(tem três dias que estou com uma afta e não é de comer abacaxi... Rsrsssrs...)
Minha amiga: abacaxi verde? Que seja. É como o 2008 está para nós todos.
Feliz 2008! E desejo mais: que você continue procurando (e me fazendo feliz com histórias), porque alguma hora a gente acha uma saída. E espero que você encontre a sua.



Ouvindo: Balada do pó, pedra e caminho (Forró Massapê)



terça-feira, 25 de março de 2008



Amiga de infância e pastel de camarão: para me dar conta de que as pessoas mudam, mas a vontade de ser/querer o melhor, ainda resiste ao tempo. Mais uma semana para começar. E se eu não puder te levar, quero que você me leve. Casa vazia, silêncios. Clarice disse que era feita de cadeiras e maçãs. Eu não sei do que sou feita. Abraço apertado de surpresa. Santa e puta. Quero gente ao lado e não quero ninguém. Um dia, me apontaram egocêntrica. Ego de quem? Sou egoísta e me dou tanto... Seria bom ser muitas. Nessa vida cheia de gentes, aprendi que lido bem com várias delas. Abstraio loucura, chatice, frescura, ironia, mentira, falsidade até. Mas não gosto de quem esnoba, vomita posses e intenções. Tenho uma batalha para travar logo de início: cabeça fria, coração na mão. É que eu não gosto de atritos, não fico bem com climas tensos. Abro logo uma torneira de água fria. Uma alergia que me dá por conta de estresse. Não gosto. E é sempre tão mais cômodo pôr a culpa na TPM. Os dias não andam bonitos: não vejo beleza em calor ultra insuportável. Me abraça, me leva para qualquer lugar, vamos tomar sorvete e brincar de pique-pega, baleado. O cão come mais uma sandália deixada à sua revelia. Droga de cachorro! Vontade de dançar, vontade de nada e vontade de correr, Forrest. Acho que preciso d'uma bicicleta e de um objetivo na vida. Preciso de brisa no rosto e calor das mãos. As suas. Não brinque de amor comigo, porque isso dói no final das contas. Mais em mim do que em você. Vivo amando, porque só respiro quando gosto.
Clarice uma vez escreveu que é preciso escrever distraído.
...
É distraída, e eu, domingo. Ops.



quarta-feira, 19 de março de 2008

Quanto vale?

É possível até que hajam as exceções, mas para falar a verdade, acho que todo mundo tem um preço, a diferença é o valor. Mas então não é porque eu critico o excesso, que eu sou a favor da falta. Quem é que não precisa de dinheiro para viver? Gostar de trabalhar para receber pelo seu trabalho, quem não gosta? Mas não penso no dinheiro como fim e sim como meio.
Acho realmente hipocrisia dizer que não se tem um preço. Em alguma circunstância há essa promoção. Nem que seja aquele que exige caráter, integridade, honestidade, carinho, respeito e amor.
Não se trata apenas de valor monetário, e sim, do quanto você se dá, se entrega, em troca de reconhecimento, sucesso, amor, carinho, piedade.

...

Escrevi um texto, há uns 3/4 anos, que retrata esse assunto, que fala de "entrega" ou da ausência da mesma. Das coisas que se faz sem esperar em troca, ou será que sim, a gente sempre espera alguma coisa em troca?!

Dentro desse peito bate um coração mexicano
Porque eu sou uma puta.
Eu dou. Para todo mundo.
A pôrra do meu tempo que eu não tenho. As minhas vontades. Os meus segundos, os meus instantes, o horário de jantar que eu não faço. Eu dou. O horário do meu banho, o esforço, as idéias, as opiniões, as críticas, os elogios, a energia. Toda. Eu dou tudo, perceba. Para todo mundo.
Eu masturbo o ego de todos os homens que me cercam e acaricio de leve as inseguranças das mulheres. Escrevo textos. Envio e-mail`s.
Na minha lista de prioridades, fique tranqüilo. Você vem primeiro! E você, você e você também. E mais aquele cara que eu nunca vi na vida. Todos vocês vêm na frente. Nessa lista, queridos, eu sou a última.
Eu sou a santa mais puta que conheço.
Porque eu dou tudo: sangue, garra, vontade, suor, dinheiro, cabelo e pele, em troca da crença idiota e falsa de ser desesperadamente gostada.
Mas por quem, meu deus?
Por quem?
...
Eu sou capaz de estender a mão, o pé, o braço e o corpo todo para ajudar se, em troca, meu bem, você disser que gosta um mínimo de uma Mayra.
Vem. Me come. Me tira o couro. Me mata.
Eu ainda vou te pedir desculpas por ter esbarrado no seu dedão do pé sem querer naquele momento de aflição enquanto você apertava o meu pescoço até sufocar.
Em troca, por favor, diz que se importa?

(Agora chega, né?! Sai, Maria do Bairro, desse corpo que não te pertence!)




quarta-feira, 12 de março de 2008

O sertão de dentro de um homem

"Rebelde Desconhecido", Jeff Widener(China-1989)




"ZOINHO - 10 ANOS", Evandro Monteiro(Brasil-2004)



...
Eu sei o que, ver e colocar, juntas essas duas imagens me causam.
Idealizar que ainda existem seres humanos que se sentem capazes de fazer o mínimo para enfrentar os problemas, confrontar as "verdades", é quase tão esperançoso quanto acreditar que um dia, a gente terá voz de comando também.



terça-feira, 11 de março de 2008

- Um “A favor” para viagem, por favor!

Dentre muitas coisas que a gente consegue ser “a favor” na vida é a de ser reprimido, mesmo que indiretamente. A favor da pena de morte, a favor da paz, a favor das cotas nas universidades, a favor da liberdade de expressão, a favor das aulas aos sábados. Ser “a favor” é, a princípio apoiar, concordar com alguma situação ou estado das coisas.
Eu sou a favor da volta ao contato com os vizinhos, por exemplo; de ter a quem recorrer para regar a planta em uma viagem longa, ou acender as luzes durante a noite para evitar os maus olhares do bairro, ou a boa e velha desculpa da xicrinha de açúcar! Pensa só, que delícia de retorno aos bons tempos (quando se tinha tempo)! Quando sentava-se na varanda de casa para tomar ar fresco, ver os passantes, comentar a vida alheia.
A vida tão concorrida não nos deixa com tempo de sentar pra um chopp-conversa-sem pressa, risos e silêncios. Nos fechamos em mundos de reality show, olhamos o outro com desconfianças, ainda abaixamos cabeça n’um tímido bom dia no elevador. Tudo com menor intensidade e calor humano. Até que fica incompreensível saber que felicidade é essa que buscamos ainda, infinitamente.
Não é tão difícil perceber que das menores relações é que se desencadeiam as maiores guerras. Se cada um de nós fosse bom vizinho, imagine quantas brigas, picuinhas, desabores por causa das infiltrações, muros caindo, roupas nos varais pingando no varal do outro, poderiam ser evitados com diálogos mais amorosos e cuidadosos, com pedidos cordiais.
Eu sou a favor de Associações de Bairros, e também das reuniões de condomínio. Mesmo que, tenho certeza de que para muitos, perder a novela para ouvir quem não tem nada melhor para fazer, discutir o que pode ser feito para melhorar o azulejo do 5º andar, seja um fardo.
Ah, tsc, um outro absurdo é uma pessoa contratar um vigia para sua casa. Como se dá isso? Você não sabe quem são as pessoas com quem divide os muros, e ainda assim, e justamente por isso é que você não se sente seguro??
Por essas e outras é que eu afirmo sempre: a minha felicidade está nos pequenos gestos, os sinceros; nas palavras de amizade, ainda que diferentes das minhas. Ser a favor de ter e falar com vizinhos é porque ninguém no mundo é uma ilha, disse um pensador. O homem é um ser social, e ele é um privilegiado: tem o dom da fala, da comunicação. Sejamos comunicativos. Façamos o possível para deixar a vida um pouco mais lenta e perceptível, e possível de ser deliciada, com o outro, com o próximo.
Dito isto, só quero complementar que, por mais implicante, barulhenta e fofoqueira que seja a mulher da casa ao lado, meu deus, de alguém tem que partir o primeiro passo para a conciliação, afinal de contas sua vida pode depender de uma dessas pessoas tão estranhas, porém tão próximas.




domingo, 9 de março de 2008

Roteiro para um videoclipe



O apartamento mal iluminado. Janela aberta. Venta bastante. Céu nublado. Marcelo assiste à TV, um modelo pequeno e antigo daquele sem controle remoto, sente o vento frio. Vai para a janela e a fecha. Ainda parado, olha para o céu. Vai chover de novo, deu na TV, que o povo já se cansou de tanto o céu desabar, e pede ao santo daqui, que reza ajuda de Deus, mas nada pode fazer se a chuva quer é trazer você pra mim... Lá embaixo, na rua, o movimento das pessoas e dos carros tentando escapar da chuva, deixa-o pensativo. Entre as pessoas, está Rita, que olha para o céu. Abre o guarda-chuva. A chuva cai. E fica cada vez mais forte.
Ao lado de Rita, a "imagem" de Marcelo tomando banho de chuva, como se a guiasse, mas Rita não percebe sua presença.
Vem cá, que tá me dando uma vontade de chorar, não faz assim, não vá pra lá, meu coração vai se entregar à tempestade... "Chegam" no prédio de Marcelo. A "imagem" de Marcelo não entra. Rita sobe. A porta do apartamento está aberta. Rita entra, olhando todo o apartamento, examinando-o. Recolhe alguns de seus objetos, colocando-os na sacola. Marcelo permanece na janela, aquele olhar desolado, de quem tem uma certa culpa, em silêncio. Por um momento, Rita pára. Suspira. Vira-se para Marcelo. Quem é você pra me chamar aqui, se nada aconteceu? Me diz... Foi só amor, ou medo de ficar sozinho outra vez? Cadê aquela outra mulher? Você me parecia tão bem... A chuva já passou por aqui, eu mesma que cuidei de secar... E, num surto de fúria, fala com Marcelo, é uma cobrança, um acerto de contas. Ela insiste em ter a atenção de Marcelo, mas o mesmo nem se vira, era como se estivesse envergonhado para encará-la. Quem foi que te ensinou a rezar? Que santo vai brigar por você? Que povo aprova o que você fez? Devolve aquela minha TV, que eu vou de vez... Rita desiste de falar com ele. Continua recolhendo objetos seus pelo apê. Continua balbuciando queixas. Não há porquê chorar por um amor que já morreu. Deixa pra lá, eu vou, adeus. Rita ajeita a sacola e vai saindo, meu coração já se cansou de falsidade... Na portaria, Rita abre o guarda-chuva, a sacola cheia na mão, caminha a se perder de vista da "imagem" de Marcelo, que parara na portaria, e ali mesmo permanece, tomando banho de chuva.



By Mayra Araújo & Joanna Araújo

sexta-feira, 7 de março de 2008

"Nós que aqui estamos por vós esperamos"

Comentários


Eu particularmente gostei do filme. Acredito que, quem tenha um mínimo de sensibilidade tenha até se emocionado, como eu.

A crítica ao mundo moderno no qual estamos inseridos. As consequências desse mundo tecnológico para o século XX, o quanto somos nós mesmos, vítimas e culpados por tudo.

Obviamente quando digo isso, estou pensando pelo lado negativo, as guerras, a falta de contato humano, a ânsia pelo poder que sempre gerou desigualdades, o quanto nos tornamos intolerantes com o próximo e não respeitosos com quem é diferente, e pensa diferente.

No lado positivo há muito o que se dizer também. A ciência evoluindo e as curas para as doenças aparecendo, por exemplo. A facilidade de nos locomover em grandes distâncias, a comunicação possibilitada por invenções que também sofreram muitas evoluções em um mesmo século (telefone, TV etc). O discurso é: evoluir para melhorar a qualidade de vida.

Gostei da restrospectiva (mesmo não tendo uma cronologia certinha; que se assemelha a um "mosaico", ou recortes de imagens) a que o filme nos leva; e de saber que "personalidades", que eu sempre soube serem importantes, estão contextualizadas no filme, e até o fato de pessoas comuns terem suas histórias contadas de forma sutil, e forte.




Tá com tempo?

Oi.
Sabe o que é que é? Nada não. Meio completamente sem assunto. Vontade de colocar você no meu colo e falar coisas bonitas e bobas. Sabe o que "rola na vitrola sem parar"? Tim Maia. Você é algo assim... Que me traz muita saudade. E uma vontade de fazer uma coisa gostosa pra você comer e depois dançar no escuro meio bêbada-estilo-Ângela Rô Rô, pisando no seu pé e morrendo de rir. Não sei. Ando com umas vontades assim. Amor, meu grande amor, me chegue na hora marcada, como é que está tudo? Hoje é dia de não conversar e ficar tudo bem. Tudo bem, em termos, minha bochecha quente diz muito sobre minha condição cristã-ocidental, tão em moda nos dias de hoje. Mas fora isso, tudo bem de verdade. Queria era fazer um poema lindo como você e depois ficar olhando, com a mão no queixo e rindo como quem espera um riso de volta, de agrado, não demora, meu sorriso, te preciso. Só rindo...
E olhar pros seus olhinhos que fazem de conta que eu não estou olhando, e te olhar meio de lado, pra ver se eu consigo entender alguma coisa, e o seu jeito de deixar tudo de lado, e arriscar tudo de novo com paixão... Mas depois você sai e me dá uma fungada... Eu ainda tenho "cheiro de casa"? Você ainda tem.
O início. Vontade de fazer tudo pra te ver feliz, rindo e mordendo a língua. Eu, muito Bethânia como sempre, amada-amante, tendo a arte de sorrir cada vez que o mundo diz: não. Vontade de fazer tratamento de choque com você. Nada de doses homeopáticas. Algo como "te cerco tanto que é impossível fazer blitz e flagrar a ladroagem"...
Uma vontade, assim, de ficar no escuro contando histórias esquisitas e morrendo de rir. Tenha calma, não se vá, meu popstar, tenha fé. Te prometo vir a ser do jeito que você quer: um amor de mulher... E você vai quando? Ainda tem tempo pra um chopp-conversa-sem pressa, risos e silêncios? Ainda tem tempo de me beijar segurando meu rosto e ver que a minha bochecha está quente?

Não vale dizer nada, a não ser qual música eu devo colocar.
Beijo.




(1º de julho de 2004)





terça-feira, 4 de março de 2008

Escrevendo em torno do sofá e bebendo vinho ouvindo Simon & Garfunkel.
Aos 15 não imaginei que me transformaria no que sou hoje. E também não quero saber como serei nos próximos 10 anos. Se vou continuar sendo, se serei mais, se terei menos. Não me importa. Futuro, para mim, tem que ser o minuto adiante, o Presente a gente saboreia, vivencia: conversa no msn com primo que tá lá na capital do país. Lá mesmo, no Cerrado, onde pisei um dia; saudade de lá? Quase nenhuma. Mas há sempre a nostalgia. Sempre há. Ouvindo For no one faço uma oração aos deuses momentâneos. Vontade de fazer curso de Fotografia. Vontade de ficar no pertinho de alguém mesmo que só em pensamento (volte logo, moço). Desejos de realizar tanto de tudo, que esse tempo na Terra parece não ser suficiente. Mesmo que tenha que ir embora um dia, como todos os mortais, ter ainda a certeza de que serei amiga no AlémdaVida, e como mera troca, escutar de presente: serei se você for.
Obrigada.
Ouvindo Gavin Degraw na 2a taça. Hoje me perguntaram se eu já frequentei Igreja e se eu sou, assim, como dizer, uma "desertora". Eu disse: Como? E me disseram que eu tinha um jeito brejeiro de quem fora cristã... Me chamando de "Carola"... Nem me incomodo. Por detrás dessa couraça tem, sim, uma pessoa doce, mas até doce demais, que não sabe se impôr; que o charme é essa passividade diante das situações.
"Eu disse: perto, e aí vi tudo looonge. Ele disse: perto. Eu disse: está certo. Ele disse: está tudinho errado...(Ah!) Ele disse: (Mayra, minha filha,) abre o olho." Sempre Gil. E junto, essa saudade de um cara fodástico que eu amo e que a vida nos afastou. Rolou um cisco: nos dois olhos. Na vitrola Everlasting love. Ouça, que só faz bem, e 'siga no rumo da manhã, rindo sozinho dos pensamentos que se tem, com festa e vinho'. Saudade essa que tem endereço certo, como dizem.
Lembra, amiga, do papo de casamentos... A minha vontade voltou, te contei, e a experiência em encontrar o vestido de noiva de minha mãe entre os seus guardados, reacendeu a ideia, porque o vestido coube di-rei-ti-nho. Ai, meus deuses!
A taça, a última, eu juro. Os cães resolvem brincar. Ouço Vilarejo Íntimo. O tempo passa, mainha em Manaus: pensamento nela.
É certo que vou ali ligar a TV, e ao fim da taça, adormecer.


(17/08/2007)


domingo, 24 de fevereiro de 2008

"E agora, José?"

Nos Estados Unidos a eleição está vivendo um momento tabu!
Quem vai ser o Presidente? Uma mulher ou o homem negro??
Ainda bem que eu não voto por lá. E no dia que isso acontecer por aqui, rá, será que eu vou estar viva?


(...)
Gênero e raça são temas importantes na sociedade norte-americana porque representam um desafio para a realização da igualdade. E a possibilidade de um homem negro ou uma mulher branca se tornarem presidente dos EUA renovam a confiança na vitalidade da democracia americana, na sua capacidade de se renovar e se reinventar. Os que simbolizam grupos historicamente excluídos ou discriminados são chamados a ofertar originalidade, renovação, mudança e esperança na (des)ordem do mundo.

Além do interesse que desperta, a simbologia que cada candidato carrega presta-se a variadas apropriações, em diferentes contextos, que extrapolam os limites geográficos e os interesses em jogo naquele país. A candidatura de Obama, com alto grau de adesão da população branca norte-americana, é vista por analistas como sintoma do progresso nas relações raciais nos EUA que nessa leitura significaria ter ele se tornado opção eleitoral efetiva para grandes parcelas dos norte-americanos a despeito de sua cor para uns, ou, para outros, da suposta "neutralidade racial".

No Brasil, em razão dessas supostas características, Obama tornou-se a nova arma dos formadores de opinião que combatem as políticas de igualdade racial, em especial as cotas nas universidades brasileiras. Em chamadas de matérias da imprensa nacional sobre as prévias nos EUA, lê-se, que "Obama tornou cor irrelevante na campanha".
(...)


[Suely Carneiro.
Doutora em Filosofia da Educação pela USP e diretora do Geledés (Instituto da Mulher Negra)]



quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

"... Assim como existe disco voador e o escuro do futuro..."

Trabalho mais interessante do curso até agora será produzir um vídeo-minuto. Quem mais está ansiosa sou eu.
Tipo que, eu acho que me encontrei. Vou batalhar para produzir. Ou será que é sonhar alto demais? Talvez me contente em apenas escrever artigos, ou, ser assessora de imprensa. Não sei. Cada coisa com seu valor. Vou escolher algo e fazê-lo bem, meu pai me ensinou. E aí, que coisas boas acontecem, quando você quer muito, e você corre atrás, as glórias são tuas. Três anos, três tentativas e pronto: quando viu, já foi! Agora é a sua vez, você pensa. Eu acredito em empurrãozinho de uma Força maior que nós. Acredito na capacidade que temos, na força do pensamento e na força de vontade.
Um belo dia resolva mudar.
FIDEL CASTRO RENUNCIA A LA COMANDANCIA EN JEFE!!!!!!, me diz uma amiga.
O comandante sai de cena, então. E eu só tenho uma palavra que o defina: inteligência. Ele foi sagaz, um homem que consegue se manter ditador, que sobrevive às tentativas de ser assassinado, com fãs ou não em seu próprio legado (o que eu acho normal, pois nunca se é 100% o tempo inteiro em nenhum lugar do mundo). Inteligente, porque antes que morresse, e os interessados nisso comemorassem seu fim, ele dá a última cartada. "Agora eu vou!", porque antes de morrer quer ver o que vai ser dessa ilha "sem ele"...
Eu escrevo isso e olho vez em quando na janela porque, ah, hoje teve isso, né, o Eclipse, e tudo para mim está ligado. Eu vejo nos astros a tal força, a tal magia, afinal, é preciso que se acredite em algo, além de aproveitar o calor da noite e acreditar, como o Groucho Marx, que vai tomar uma cerveja.
Eu vou.
E porquê não?!


domingo, 17 de fevereiro de 2008

O mundo é cheio de possibilidades.
Distraídos são aqueles que ora estão, ora não estão.
Esqueça todas as barreiras do possível e viaje: onde você gostaria de estar exatamente agora?



Quando penso na possibilidade de estar em algum outro lugar que não este de agora, passa um filme na minha cabeça. Pelas cidades por onde estive, as pessoas que lá encontrei, as lembranças boas e as desagradáveis. Não teria sequer a intenção de voltar no tempo para consertar ou reviver coisa alguma.
Acredito fielmente no poeta Gilberto Gil quando melodicamente me diz que "o melhor lugar do mundo é aqui e agora". E é.
Longos anos depois, longe desta terra, voltei, e sei que voltei por motivos que em sua maioria estão inexplicavelmente fora do meu alcance. Mas cá agora estou. Redescobrindo tudo, retornando aos cheiros e olhares que me passavam despercebidos. Bahia. Estou aqui e agora, e não sinto que poderia estar em outro lugar. Não hoje.
Pelos amigos conquistados nos últimos 5 meses, pelos bons ventos de um 2008 que me sopraram a felicidade em pequenos gestos, e porque a Bahia me remete a Bandeira: "Vamos viver de brisa, Anarina". E é exatamente assim que tenho me sentido: com ventos nos cabelos, rodeada de amores, recebendo cafuné e pedindo mais e mais que tudo se paralise e eternize.
Tenho a certeza de que não poderia me enganar e escolher outro lugar, pelo menos, por enquanto (porque nunca saberei qual a força da próxima brisa).


(30/01/2008)



sábado, 11 de março de 2006

O último que sair apaga a luz...


"A única magia que existe é estarmos vivos e não entendermos nada disso. A única magia que existe é a nossa imcompreensão".
Ao Caio, todo o meu silêncio...






Pê. Ésse.
"Escrevemos porque ninguém nos ouve."
(Georges Perros)