sábado, 31 de março de 2018


O mesmo quarto, o mesmo jeito de acordar, o mesmo banheiro, o mesmo problema no chuveiro, o mesmo reflexo no espelho. Li e reli a tal “sorte de hoje”, e geralmente, ela é repetitiva, porque diz que terei uma velhice confortável, o que acaba me garantindo que morrerei velha e feliz, ou seja, não terei dificuldades com contas a serem pagas, terei uma família estruturada, e provavelmente eu tenha uma cama confortável, ou um sofá, vai saber. A “sorte de hoje” sempre acaba me fazendo pensar além do que ela diz. Tem dia que eu não agüento ficar apenas andando entre cômodos, preciso transitar entre ruas e avenidas. Pego a jaqueta jeans e saio. Sempre o mesmo trajeto e o mesmo destino. Os mesmos "bom dia, Zé", os mesmos silêncios. Enquanto sigo minha rotina, me sento vez ou outra em um dos bancos amarelos do parque e percebo que em cada um daqueles bancos eu guardo uma lembrança em particular. Não farei mais planos para envelhecer e nem para ser uma avó contadora de histórias emocionantes de uma vida não tão emocionante. Acabarei não fazendo bolo de sorvete, e sim, veja que ironia, bolo de milho.


sábado, 10 de março de 2018


Quero te dizer que amo e sinto falta da insistência em certos carinhos tão seus. Amo, quando mesmo entre amigos e cervejas, pegas minha mão. Eu gosto de ver seus olhos abertos, divididos entre me fitar de soslaio e prestar atenção à conversa das pessoas na mesa que estamos. Penso: Sou feliz. Gosto principalmente de você correndo atrás de mim numa rua alagada, no meio de uma chuva infernal pisando nas poças pra me molhar irritantemente às gargalhadas. Lembro disso agora, sozinha neste quarto e o travesseiro, que não estamos dividindo, riu como se fosse você, bem da minha cara. Só consigo te odiar pelas faltas e ausências. Pelas mulheres de antes. Odeio suas certezas à meu respeito. Te odeio pela minha insônia. Mas a verdade é que sou sim, apaixonada. Fui ensinada a não falar de boca cheia e não pôr os cotovelos na mesa. No bar, então, entre amigos e cervejas, te prometo minha mão em cima da mesa, novamente à tua espera.



Depois de alguns meses vivendo na casa do meu namorado no Rio, finalmente voltei pra casa na Bahia. Nesse período, eu devo ter sentido mais coisas do que senti em todo o ano que já se passou. Uma coisa acontecendo atrás da outra. Das mais tristes, às mais alegres. No meio de todas elas, eu, tentando manter a calma e aproveitar o que tava ali pronto pra ser vivido. Teve dia que não deu, mas esses foram poucos.
Cheguei num sábado à noite, com uma lista imensa de coisas pra fazer: até seria ok fazer depois (mas para mim não porque é angustiante saber que o banheiro não tá limpinho ou que já tá dando pra morar dentro do armário de comida). Estava me sentindo triste pelo silêncio e solidão repentinos… E por falar em deixar pra depois, eu sempre amei ler, mas recentemente meu ritmo diminuiu. Finjo que não tenho tempo e ocupo todo espaço livre com outras futilidades. como beber café, por exemplo. Tem um certo glamour em beber café e que eu confesso que adotei pra mim. Quando bebo exageradamente, eu oscilo entre querer publicar um livro e salvar o mundo.
Desde que meu namorado decidiu passar as férias dele aqui na Bahia (já que não aguentamos muito tempo de saudade, como sempre), os dias passam devagar, - o dia de sua vinda se arrasta como um jabuti cansado. Troquei alguns móveis de lugar algumas trocentas vezes, vejo filmes antes de dormir para acelerar o sono, fiz uma faxinaço no apartamento, descobri que não tinha internet em casa e já passei mais cafés do que eu provavelmente deveria.
Atualmente ocupo sozinha o apartamento. Estou naquela ansiedade pela vinda do namorado, porque vou me teletransportar para todas as vezes que eu viajei para estar perto dele, encaixada na rotina dele. E aqui vai ser igual, mas um tanto diferente. Ele vai me conhecer mais, talvez prestando um pouco mais de atenção nas coisas que eu faço, do jeito que eu faço. Serão apenas duas semanas, mas espero que ele goste e que queira voltar mais vezes. E nessa ansiedade toda, forçar uma imagem super madura quando dentro da gente tá tudo confuso não significa nada.

quinta-feira, 26 de março de 2015

Um poema

Não ser ninguém-a-não-ser-você-mesmo,
num mundo que faz todo o possível, noite e dia,
para transformá-lo em outra pessoa –
significa travar a batalha mais dura
que um ser humano pode enfrentar;
e, essencialmente, jamais parar de lutar
E. E. Cummings

terça-feira, 10 de junho de 2014

SACOLA HERMÉTICA




O lance dessa sacolinha é que ela quebra um galho para seus cosméticos e maquiagens!! Para aquele medo dos indesejáveis vazamentos de produtos!! Use e abuse.

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

O Segredo do Lírios

A delicadeza, o susto, o amor incondicional. É dessa forma que se retrata a descoberta da homossexualidade neste curta.

O curta mostra o depoimento de três mães que possuem filhas lésbicas e cada um conta histórias de quando as garotas eram pequenas, quando contaram a elas sobre a sua sexualidade, os sustos e a aceitação. Cada mãe a sua maneira.

segunda-feira, 4 de março de 2013

Quem nunca fez um varal particular?

Não se pode (e nem se deve) viver na inércia de fingir que não houve um passado, e é para isso que os vestígios existem. Ali, em pé, a menina lava as próprias peças na pia do banheiro. A situação de estar ali de pé, ansiosa para viajar e as esfregando, a fez rir. Virou o rosto em direção ao box de vidro, um filme curto passou rapidamente em sua cabeça. Riu. Riu do vínculo afetivo que criou com elas e dos acontecimentos enquanto as usava.Enquanto as olhava uma do lado das outras, limpinhas e cheirosas, viu sinais de momentos vividos. Suspirou. Quem nunca fez um varal particular?

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Jornal O Bozó - Perfil

O Abará Originalizado

Há nove anos fazendo sucesso com a clientela do bairro do Imbuí, Edgar é um homem simples, comunicativo e curioso que encontrou na comercialização do abará uma maneira de inovar no sabor de um dos principais quitutes da Bahia.

Mayra de Miranda (mayrademiranda@yahoo.com.br)


Seu nome é Edgar, tem 35 anos, mas todo mundo o conhece como Original, e é dono da bicicleta estilizada onde transporta seu produto – o Abará Móvel. Soteropolitano e com interesse por essa comida trazida pelos africanos para o Brasil, Edgar pesquisou o sabor, as variações, e com o tempo foi desenvolvendo receitas diferentes para fazer o abará. Surgiram no decorrer desses nove anos mais de 28 sabores diferentes: abará com azeitona, com bacalhau, com sardinha…

Quando cheguei na hora do nosso encontro em sua casa, ouvi prontamente um “E aí, tudo originalizado?”, como sempre sorrindo e juntando as palmas das mãos à frente do peito e acenando com a cabeça – lembrando o cumprimento dos japoneses. Original também estava acabando de chegar em casa, abrindo seu cantinho, que ele chama de “minha cozinha”. O espaço é uma loja alugada, com uma porta de correr de ferro comum a esse tipo de estabelecimento. De estatura média e pele clara – alguns chamam de parda -, foi uma surpresa vê-lo sem a roupa tradicional (trajes africanos: roupas com estampas africanas, calça pescador e blusa, sandália de couro, boina, colar de semente e guias). Estava de bermuda jeans, sem camisa, separou certa quantidade de camarão seco para descascar e quis dar início a nossa conversa.

Logo na entrada fica seu material de trabalho, duas bicicletas estilizadas, um tabuleiro – igual a das baianas que a gente vê por aí, que ele usa quando faz eventos, dois freezers. A loja, ou a cozinha, como ele prefere chamar, ainda tem o banheiro, e nos fundos, a pequena cozinha propriamente dita. Nesse canto é também onde ele mora.

O começo – Tinha um emprego fixo. Era assessor parlamentar. Mas, sem dinheiro no carnaval de 2001, Edgar queria vender algum produto para passear com sua esposa na época, na Quarta-feira de Cinzas. “Na verdade eu já tinha uma experiência em vendas, eu sei vender, tenho certa prática, de lidar com pessoas, apresentar o produto, né?”.

Edgar tem um círculo familiar pequeno – uma irmã e a mãe. Mas quando indaguei, ele afirmou que não entrou nessa por influência da família; e, continuou… No carnaval, como tinha duas amigas que são baianas de acarajé, elas o ajudaram a preparar 100 abarás tradicionais e ele conseguiu vender tudo em uma hora e meia, com seu jeito comunicativo e criativo. Satisfeito com os elogios do pessoal, se empolgou e entrou na onda de produzir e vender juntamente com sua companheira. O casamento não deu certo, mas a clientela continuou bem feliz e satisfeita e isso o motivou a continuar.

Paralelamente ao trabalho formal de assessor, aproveitou seu tino para vendas, começou a comercializar o seu produto para os lojistas do Shopping Barra, transportava os quitutes em sacolas térmicas, entregava em embalagens discretas para despistar. Também vendia no bairro boêmio do Rio Vermelho, mas como havia se mudado para a Boca do Rio, resolveu, depois de um tempo, fixar suas vendas na região do bairro do Imbuí, e, quando sentiu que podia seguir em frente, largou o emprego na política. Como o negócio é próprio, ele mesmo faz seu calendário e tira folga sempre que dá, geralmente em um mês ele faz seus passeios por quatro ou cinco dias.

Tradição e criatividade – Para manter a tradição, ele serve o abará como, segundo ele, era servido na África, fechado e com as opções misturadas na massa. Mas ele também destaca a criatividade culinária como parte de sua arte, e conta que inovou no abará de forno – que chama de abarafo – ou com menos azeite de dendê, ou sem camarão, mais leve.

Entre os 28 sabores, os mais pedidos pelos clientes são: camarão, bacalhau, manjericão, merluza, atum, sardinha, azeitona, florestal, turbinado, alho grego, ervas finas, erva-apimentada, Xlight Consistente, anti-alérgico (com outros temperos, sem o camarão), extra-protéico… Extra-protéico? “É proteinado, vitaminado e anti-alérgico!”. Como é um petisco bem temperado, ele serve de acompanhamento apenas um patê de pimenta criado por ele mesmo, que ele chama de “Vatá-Patê”.

“Não é fácil satisfazer o paladar das pessoas”, ele conta, “mas ao oferecer a degustação faz com que o abará seja aceito”. Hoje, Edgar chega a vender uma média de 150 durante o fim de semana e 40, 50 durante a semana. Vai às feiras quase todos os dias, São Joaquim, Sete Portas, e algumas vezes recebe o produto em casa.

Sempre inventando sabores, criou o “chocobara”, para a época da Páscoa, feito para os clientes mais especiais. São 14 quilos de chocolate, preparados e embalados igualzinho a um abará tradicional, que surpreende o cliente que acha que está ganhando um abará temperado do seu cardápio costumeiro. Perguntei, com água na boca, se para o Natal também há um abará-surpresa, mas ele disse que, para essa época não prepara nenhum quitute original, mas enfeita o Abará Móvel com luzes e renas – estas, feitas de espuma envoltas com papel laminado.

Um de seus objetivos atuais é juntar o dinheiro do seu trabalho para comprar a casa própria. Como nesse momento ele fala em Deus, aproveitei para perguntar se ele tem alguma religião: “Eu sou espiritualista”, diz rápido e sorridente. Depois de muito tempo de conversas e observações, me despeço, ele brinca: “É só isso mesmo? (risos) Bem rápida e original igual a mim! (risos)”. Com as mãos avermelhadas pelo camarão, ele se despede da mesma forma que me cumprimentou: “Uma boa tarde originalizada pra você!”.Aperto seu pulso, e agradeço, me sentindo energizada.


Este texto também está lá, no Jornal O Bozó.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Espantei a chuva com um sopro. Hoje não é dia de chover. Eu tenho um certo amor por coisas pequenas. Não sei se vou conseguir te explicar as coisas pequenas, mas troco o termo por coisas frágeis. Tenho certo amor por coisas frágeis. Talvez, ela tenha entendido que não era pra ser mesmo, somos pássaros, voamos conforme o vento, nosso elo foi a música. Dentre tantas palavras bonitas que guardo roubadas, dentre tanta timidez insistente que me franze a testa e silêncios tantos, o que mais gosto em mim é quando estou diante de um instante de felicidade. Aprendi com a Corina a abrir sinaleiras com um sopro, e sorrir. Agradeço a todos que de alguma forma me ajudaram a endurecer um pouco, ser menos frágil e mais ácida. Vivo brigando comigo mesma, me sinto enferrujada. Eu ainda sei fazer piada, vê. Saio sorrateiramente da mesa até que ninguém me note.

20 de junho de 2010.


sexta-feira, 9 de abril de 2010

Desde o início da semana notícias dos temporais no Rio de Janeiro e em outras cidades, tem feito muita gente reforçar a ideia do fim dos tempos... Estamos passando por transformações climáticas que, querendo ou não, tem a ver diretamente com a nosso comportamento na Terra e a maneira como nos dispomos neste mundo, como estamos tratando a natureza e a relação com o outro. E, pelo que tudo indica, a tendência é piorar. Não que eu não tivesse a visão otimista das coisas, mas né, prestemos atenção nos resultados de tantos anos de agressão a este planeta. Nada mais certeiro do que ele reagir dessa forma, tal e qual acontece conosco. Lei da ação e reação.

Como se não bastasse no Rio, com seu mar de ondas grandes (ressacas), invadindo calçamentos, ruas, esgostos transbordantes, canos entupidos, lixo, lixo. Lá, para um Tsunami acabar com tudo é pulo!!! Resultado: muitas mortes por soterramentos e muita gente desabrigada. E o governo do Rio lança um Decreto que permite a retirada de moradores de áreas de risco, mesmo que precise usar a força (bruta). E na minha opinião, poderia ser seguido o exemplo de Paris, onde o governo retira moradores de áreas de risco e paga indenizações devidas. Ou seja, as pessoas deixam tudo para trás, porém, com uma certa garantia de poder refazer sua vida.

A Bahia também está passando mal. Obras desordenadas e mal planejadas. Populaçãos ribeirinhas fazendo estragos em volta de rios. Tanta água e lixo não têm para onde escoar. Pessoas desabrigadas, mas que não querem deixar seus lares, as poucas coisas que olhes restam. A gente vê o trânsito ficar ruim, os buracos se formarem, temporais levando tudo embora. Tudo por conta de mal planejamento, e falta de estrutura física para todas essas regiões que sofrem.

A previsão é de mais chuvas, mais temporais. Eu, particularmente, espero que melhore, que o clima nos dê uma trégua, para que as pessoas não entrem em desespero. Como no Rio, que tem acontecido alguns arrastões. As pessoas se aproveitando desse momento de fragilidade para matar e roubar as outras, causando medo e pavor entre todos.

É preciso que tenhamos pulso firme, que exijamos soluções e que também sejamos capazes de cooperar, ao invés de só exigir respostas e resultados. As eleições estão aí e sempre é tempo de pensar no melhor para todos. Chega de discursos e promessas vazias.


terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Je veux apprendre le français

Resolvi ser autodidata e aprender francês.
Hahaha, separei um bloc-notes vert para as anotações, e faço tudo online, pego tudo o que for básico e daqui um tempo estarei lendo jornais franceses, hahahaha...

É uma língua realmente sedutora. Adoro o sotaque, o som das palavras.
Ai ai...


Au revoir!


segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

“Pitanga é ruim, mas é bão”

Eu não sou doce como pitanga, nem amarga, eu choro e sorrio com intensidade, eu sou querida e por vezes odiada. Possuo uns 10 pézinhos de pitanga aqui no meu quintal. [Meus vizinhos são parentes-não-sei-que-grau de Camila, aquela moça talentosa da televisão. E pelo que sei, o velho Seu Pitanga gosta mesmo é de ficar na casinha da Ilha (de Itaparica), onde passa longas temporadas, com seu cão chamado Sushi. Tá certo ele.] Colher pitangas é um verdadeiro exercício de disfarçado constrangimento - não olho para lado nenhum que não para as pontas dos galhos, com receio de encontrar algum olhar de censura, pois que há uma circunstância que não está a meu favor: não fui menina de convivência com pitangueiras ou quaisquer outro pé. E o que tenho a meu favor? feiras e mercados não vendem pitanga. É fruta que recusa o comércio: não dura, amassa na manipulação, fere-se, fica passada, mela, fermenta. Portanto a pitanga – exceto a Camila – não é bem vista nos meios rurais, que ela só serve para entreter namorados que, sob a desculpa de colher pitangas, se escondem por horas a fio entre pitangueiras. Lá, já me disseram, ficam um bom tempo não se sabe o que fazendo. Estarão engolindo os caroços?
Eu não me sinto daqui, mas gosto daqui. Eu sempre tenho tanto a dizer e quando falo não digo nada com nada... Eu vago no espaço a procura de respostas, mas já entendi que algumas coisas, certas e imutáveis, nunca serão respondidas. Eu acredito no céu, assim como em deus, assim como na natureza e nos homens. Eu gosto do mar, de fotografia e de doce-de-leite. E eu tenho o santo forte! E só quero colher em paz minhas pitangas caseiras e desfrutar deste não fazer nada tão agradável, nestes dias de "horário de verão" (#cinismo).



domingo, 20 de dezembro de 2009

É verdade que, quanto mais a gente toma conhecimento das coisas do mundo, menos interessante ele se torna?




quarta-feira, 6 de maio de 2009

Ternura eterna

"Prefiro enfrentar um soldado a um jornalista"
Che, de Steven Soderbergh



Estou ansiosa para ver o filme. Eu sou fã da história dele.
Ele é um mito, convenhamos. E por enquanto está no topo da lista de meus heróis (porque precisamos tê-los). Um cara que cuidou do que era dele, com asma, com limitações diversas. A revolução de Che começa dele para ele mesmo. De outro modo, como nos lamentar mesmo por tudo o que gostaríamos de ter feito mas não fizemos?









quarta-feira, 15 de abril de 2009

Será que Caetano vai gostar?

A Bahia tem muitos estilos. Na música isso não é tão difícil perceber, para quem vive aqui, claro.
A indústria vive para o Axé Music, mas a Bahia vai além. É muito mais que isso, e tem muita gente bacana tocando por aqui. Eu gosto dessas bandas independentes, de estilo alternativo, que encontra no rock´n´roll, na MPB, no samba de roda do Recôncavo, na música eletrônica, no rocksamba à moda dos Novos Baianos, no triphop, na velha bossa nova, no forró, as muitas caras da cidade.
Li a respeito da Marcela Bellas, fui ao site conferir seu trabalho. Gostei bastante das músicas, me deram muito prazer em escutá-la. Em uma entrevista à Revista Muito, do jornal A Tarde, Marcela conta que o nome do disco se deve a sua grande admiração pelo Caetano Veloso. Para mim vem bem a calhar, pois se Caetano consegue gostar de Psirico - quebrando o tabu de que os intelectualóides não podem gostar do simples, do que vem a ser do povo, só nos resta saber se os outros tantos metidos a pseudo-cultos são capazes de largar o copinho de whisky, e seus best-sellers para apreciar um som que nem requer compromisso.




Site da Marcela Bellas





sexta-feira, 3 de abril de 2009

Baianidade - Crônica

A Bahia da caricatura é aquela na qual as pessoas de fora vêem uma rede esticada, muito suor e muita preguiça. Digo que é folclore. Não apenas pelo fato de ser baiana e falar de baianidade, me ligando diretamente às minhas raízes, devota que sou de Nossa Senhora do Dendê. Salvador é uma cidade vibrante, cosmopolita, que está bombando na área imobiliária.
Falar de baianidade em si não é somente a descrição exata das festas populares ou dos nossos traços marcantes, ditos como baianos. Na realidade, não é nem mesmo uma filosofia de vida ou doutrina zelosa a qual nós, nos entregamos de corpo e espírito – apesar de que tanto o corpo como o espírito têm muito haver com o assunto. É ser em uma simples palavra, baiano. Que não é lerdo, ou devagar. Ele só não é bobo de ter as angústias que os outros têm.
Tem gente que acha que Salvador dá choque – choque de culturas quero dizer. Essa história do carnaval o ano todo, do sossego radical, do timing só do baiano. O verdadeiro choque é de outra natureza: é o choque da magia que perfuma o ar, de uma malemolência que não tem a ver com indolência, de uma paisagem que não há pressa nem tensão que consiga estragar. Numa outra crônica que escrevi enquanto morava no Rio de Janeiro, eu dizia que a vontade de Bahia está acima de qualquer problema. Problemas no trabalho: Bahia; briga na família: Bahia; fim de namoro: Bahia... Por que só há no mundo um lugar que permita todos os gritos, sem profanar o sagrado de cada silêncio. Bahia de Todos os Santos e a benção de problema nenhum.
O baiano sabe sentir – ao pé da letra – sua cidade. A relação do morador com Salvador é sensual, afetuosa, emocional. Depois de algum tempo surgem outras imersões. Mergulhe no candomblé: culto de beleza e de tolerância. A Bahia, a começar por Salvador, é a garantia de que o Brasil nunca perderá seu sangue negro e sua raiz afro. Não por acaso o Brasil foi descoberto na Bahia. Aqui foi que tudo começou. E no fundo, todo brasileiro se sente íntimo da cidade, mesmo sem nunca ter posto os pés aqui.
O Rio deu Villa-Lobos, Tom Jobim e Chico Buarque, mas nenhum deles se empenhou tanto em descrever a cidade como Dorival Caymmi fez com sua terra natal. As pessoas não precisam vir até aqui para saber como é a Lagoa do Abaeté, a procissão para Iemanjá... Caymmi criou até samba-receita para revelar como se faz vatapá. Sem falar de Jorge Amado e Carybé (ter nascido na Argentina foi um mero acidente para o pintor), que carimbaram imagens definitivas em nossos cérebros. Quem vem de longe, e ouve o seu chamado, logo sente o afago da doce brisa desses ventos elísios, como bem descreveu Vinícius de Moraes, "que é bom passar uma tarde em Itapuã”.
A Bahia de Todos os Santos, cidade de dois andares e muitas colinas, perdeu o medo de se sentir radicalmente contemporânea, mesmo porque o hálito de mudança urbanística, cultural e social que dela emana hoje não compromete a tradição, porque a Bahia não pode viver sem sua abusada tropicalidade. Isto é um pouco da baianidade que te juro, não sei nem um décimo: o sorrir do corpo, o rejubilar da alma, numa sincronia encontrada apenas aqui, na Bahia.


E você, “... já foi à Bahia, nêga?”

Não?

“... então vá!”








quarta-feira, 25 de março de 2009

Essa ruga entre as sobrancelhas. Celulite nas coxas. Os ombros mais arredondados. Mas a melhor coisa que a idade tem me trazido é o livre arbítrio pra chorar. No cinema, vendo televisão e ouvindo Elis.

A idade me ensinou a chorar sem autopiedade nenhuma, chorar pra pôr pra fora uma emoção qualquer, boa, ruim. Chorar sem por isso me achar uma mulher pequenininha e covarde. Quando eu era menina me sentia uma frouxa idiota quando chorava. Mas agora eu sou gente grande, posso viajar sozinha, tomar porre, assinar cheque, responder em juízo, comer feijoada de noite, e chorar sem ter de me transformar na criatura mais mulherzinha-frouxa-covarde-desprezível-feia-boba e cara de mamão do planeta.

Chorar, pôrra, por que tô com vontade, vão todos se lascar, os indecisos, os esquisitos, os anormais que eu amo (e desamo, com voraz facilidade), vão todos sentar na graxa, pro raio que os partam, que o choro é livre e constitucional, e eu choro quando quiser, ou não choro, se não quiser também.

Me deixa, ou me abraça, ou fica perto, ou fecha a porta e some, ou abre a porta e chega como se tivesse vindo de outra galáxia. Mas não repara que eu tô morrendo de vontade de chorar e quero ver quem é macho o suficiente pra impedir uma mulher do meu tamanho de fazer o que quiser.



(Abril de 2005)

sexta-feira, 20 de março de 2009

Assuntos da semana

As constantes vítimas fatais da dengue hemorrágica na Bahia é de ficar de cabelo em pé. Vamos agir, minha gente! Cuidem do lar, da vida ao seu redor.
...
"Olha só, meu amóooor... hahahaha", foi para outro plano uma das figuras mais amadas/odiadas: Clodovil Hernandez. Confesso, fiquei meio balançada, porque quando uma pessoa eterna morre, nosso mundo dá uma balançada: pois é, um dia acaba mesmo.
Ele não tem uma história. Ele é. Para o bem ou para o mal. Como Dercy, Hebe e Silvio Santos. Só fiquei lembrando da homenagem que fizemos a ele na Rádio produzida por nós, alunos, a Rádio TIComuniK!!!
Para quem não sabe, Clô, estava Deputado e lutando pela diminuição da quantidade de deputados que não fazem NADA naquela joça.
Agora, se Silvio Santos bater as botas, aí eu não vou guentar. Com esse sinal do fim dos tempos, eu peço pra sair!





terça-feira, 10 de março de 2009

Eu sou muito bocó, mas tenho muito amor no coração. Releva?

Engraçado escrever sobre desejos e eles ganharem força... Tô falando da chuva de ontem à noite. Não lembro bem quantas vezes tomei banho de chuva com certo ar de satisfação. Não, e não rodopiei e pulei toda molhada. Segurei a minha onda. Mas, se bem que, tinha um sorrisinho amarelo nos lábios.
A boa nova não aconteceu como eu gostaria, mas eu sei que vai chegar a minha hora.
"Coisas ruins acontecem a pessoas boas; a maioria das pessoas só atende a seus próprios interesses e vai tentar prejudicar mesmo que não leve vantagem nenhuma nisso". Mas, tá, "eu tenho" Cissa e suas fofices se repetem, o que ameniza qualquer situação. Cissa é uma cã que só falta falar, mas para deixar o rumo normal das coisas deram a ela o direito normal de latir. Mas ela é inteligente apesar de ter pessoas que não acreditam na inteligência canina, mas né, pessoas doidas, vamos combinar. Que não pode ser burro um bichinho desses que toda santa noite se acha no direito de pular na minha cama, se enfiar debaixo da minha coberta, roçar seus pêlos em mim só pra dizer: "opa! chega pra lá que eu tou me aconchegando já!". Ela sabe que tem a hora de trocar água e que ela vai poder beber água fresquinhammm, e também se alimentar. Ela é espertinha, engraçadinha. Sabe o que quer dizer bola ("Cadê a bola?", significa que é hora de uma brincadeirinha à toa no corredor de casa), e "Sai daí, Cissa, senão vou pisar em você sem querer!". Eu sei que isso tá parecendo Marley & Eu, mas ela tã fofa, que sempre vai ter espaço aqui neste lugar hômilde que é meu. Agora mesmo ela deitou perto do meu pé, estratégicamente para triscar a patinha nele e pedir carinho, e, por tabela, o seu cheirinho acabou de me lembrar que hoje é dia de banho.





quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

'No Carnaval do Imprensa, quem dá ordem é o Rei Momo'

(Composição: Obama, Osama, Kitchner, Elton John, Madonna, Jesus, Cícero do Capela e mendigos da Cinelândia)


O Imprensa vem lançar a utopia
Manchetes para este Carnaval
Que bom se não fosse fantasia
Rei Momo editor do meu jornal

Obama toma um porre com Osama
E seu Fidel saiu chamando o Raul
Nós vamos mandar "paz" pra Bagdá
A Zona Norte abraçou a Zona Sul

Que papo é esse? Cada um no seu quadrado?
No Mercadinho, "tamu junto e misturado"
Que maravilha, pode aplaudir
Ô abre alas, nosso bloco vem aí

A chuva cai, mas não inunda
Nada de crise, cerveja abunda
Até o Lula é meu leitor
Não tem mais choque e meu Rio é só amor

Imprensa que eu Gamo, e como!
Em Laranjeiras quem dá ordem é o Rei Momo
Sarney de novo, mas que mancada
Lá em Brasília tá faltando sapatada





Uma peculiaridade do carnaval carioca são os blocos de rua. (A-do-ro.) Este bloco, por exemplo, é formado por jornalistas (hehehehe). A saída do bloco é no bairro de Laranjeiras e pelo que sei, como ordem da Prefeitura, os horários de saída dos blocos não podem ser divulgados, que é uma medida para evitar que um único bloco tenha um número absurdo de seguidores foliões (o Imprensa, segundo informações divulgadas, saiu no último dia 7/02, com 8 mil pessoas), causando tumultos e atrapalhando o trânsito nos bairros.
É um carnaval democrático, diferente do carnaval de Salvador, por exemplo, por que as pessoas têm a liberdade de usarem a fantasia que quiserem, sem precisar pagar camisa para sair nos blocos; então é como os antigos bailes, só que o povo está pelas ruas e cada um com seu estilo, compartilhando sua alegria e na maior paz, e suas brincadeiras saudáveis, pois a única regra é se divertir.

Então, dedinhos indicadores em riste e caia na folia!




quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Tem gente que pega uma coisa grandiosa e reduz a nada

Mais um caso horrendo na mídia sobre os trotes universitários. Nunca vi noticiado na Bahia sobre um caso desses, de tanta violência.
Quando passei no vestibular de uma universidade particular em São Bernardo-SP, em 2001, me lembro bem de não ter passado por nenhum vexame, até porque a própria instituição não tolerava esse tipo de "comemoração". E também em 2008, já aqui em Salvador, não passei por nada constrangedor. Acho que somos um povo educado nesse sentido, o que me dá um certo orgulho.
Seria preconceito de minha parte dizer que só podia ser coisa de paulista?

Há mil maneiras mais saudáveis de passar um trote, que não incluem o constrangimento. Tanta atividade mais humana, e feliz. Os amigos de meu irmão rasparam-lhe a cabeça, uma das coisas que eu sempre soube que se fazia. Agora é essa bagunça, esse desrespeito. As pessoas perderam o senso da responsabilidade; quem mais acharia interessante invadir um hospital onde se faz residência e caçoar de pacientes, gritar bêbado pelos corredores? Quem mais acharia engraçado afogar um jovem na piscina? O Brasil é um país de memória curta, e os memoráveis não acrescentam em nada a vida neste mundo.






sábado, 7 de fevereiro de 2009

Na esfera do jornalismo, corre à boca pequena que, a grande Rede de Televisão Ratzinger já vai começar a banir notícias favoráveis a Lula para apoiar a campanha a favor de José Serra.

Lula - sem falar inglês nem francês é o único político latino-americano na lista da revista "Newsweek", apareceu à frente do Dalai Lama e do papa Bento XVI (olha o Ratzinger de novo! rs). Tá legal, tá legal, ele não é importante porque uma revista disse que ele é poderoso.
Lula, o brasileiro. É assim que nosso presidente é conhecido no mundo.

Bem, se a Toda Poderosa Rede Ratzinger desde sempre já não o faz, imagina essa. Não podia ser diferente. Querem sempre derrubar um presidente, e chamam isso de fazer cumprir seu dever social de informar e formar opiniões.

Apesar dos problemas e da crise, Lula ainda está na casa dos 80% em popularidade, segundo a pesquisa CNT/Sensus. E aquele jornal da madrugada da Toda Poderosa Ratzinger (muito menos qualquer outro apresentado pelo casal sensacional) nem sequer comentou uma nota sobre.

Difícil abrir o olho de uma nação inteira, uma classe mérdia, que acha que sabe o que está dizendo, que pensa que não está sendo manipulada, que tem realmente opinião própria sobre o que está acontecendo em seu país.

Difícil é engolir que para contratar uma babá, uma professora maternal, uma secretária, uma gerente, olha-se para sua cor de pele. Difícil é engolir uma rejeição às cotas.

Eu só tenho a afirmar o seguinte: parei, e faz tempo, de assistir soberanamente à grade jornalística de apenas uma emissora. Muitas vezes o que em uma se omite, na outra se esplana geral. Se liga!

É óbvio ululante que eu sei que esse tipo de atitude soberana da tal emissora Ratzinger é notícia veeeeeeelha, mas eu também quis falar sobre, porque de alguma forma me incomoda, e ponto.


quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Se liga!

Salvador, a cidade do caos popularesco.
Lia o jornal on-line, como de costume e me deparei com uma questão um tanto quanto batida entre os entendidos do meio da Comunicação (e, que para fazerem média com internautas, lançam espaço para esse assunto): o telejornalismo popular.

Esse tipo de "compromisso com o povo" a que a TV brasileira se lança em nome de IBOPE, já tem um histórico que começa mais ou menos por ali em 1930. "O homem do Sapato Branco", "Aqui e Agora" (com Gil Gomes), Cidade Alerta, etc. E aqui na Bahia temos o "Que Venha o Povo" e o "Se liga, Bocão".

Entre os problemas do cotidiano, os programas se baseiam no sensacionalismo da notícia. Tudo vira escândalo; qualquer coisa vale para mostrar ao telespectador o quanto ele tem que se indignar ou não diante do que é mostrado, divulgado. Uma discussão entre vizinhos, denúncias, reclamações às mais diversas situações a que o povo está sujeito, é o que faz esse tipo de programa render frutos de paternalismo/assistencialismo para com o menos favorecidos social e economicamente.

O que eu percebo é, que nesse "fórum de discussão" a respeito da qualidade da programação da TV baiana, que muitos enchem a boca para falar mal, criticar a iniciativa de TV's sujeitarem o povo a esse tipo de promoção da desgraça alheia. Mas também não paramos para refletir que é mais complexo do que se pode imaginar, ou mais simples, a depender do ponto de vista.

Se todos tivessem acesso a educação, saneamento básico, melhoria na qualidade de vida, oportunidades reais de emprego, qualificações a essa gente, tudo funcionaria de outro jeito. Porque esses programas sobrevivem de uma certa "ignorância" das pessoas, então não é vantajoso mexer muito naquilo que está funcionando.

O que se pode discutir então é, até onde vai a liberdade de imprensa. Até que ponto mostrar imagens fortes - cadáveres, estupro, pedofilia, brigas, consumo de drogas, bandidos presos é válido. Eu acredito que a TV ainda tenha muito que se reformular. Mesmo que essa mídia se diga reflexo da sociedade, e que seja; defendo que esse reflexo seja de uma forma mais delicada, mais séria, mais compromissada.




segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Drummond já diz: mereça o ano novo.

Pro dia deitar sonhando. Sou o resultado desses amigos que tenho e do que recebo diariamente de afago, cuidado e demonstrações de afeto. Gente que sabe que viver com simplicidade é a coisa mais complexa que existe... E a mais sábia. É disso que sou feita: de um bocado de tanto amor. Mesmo quando dizem: tu és poeta. Poesia é fluidez (a poesia que há em mim não é suficiente para alcançar a poesia que é você). Sou o que estou e, isto sim, é perpétuo.
Nessa época há sempre um retrospecto, e quando fiz de nós dois, percebi o quanto mudei com você. Desculpa eu não te querer mais logo agora que a vida está sendo doce comigo. Eu não tenho mais tempo para ser aquela pessoa certa na tua hora errada.

Quando ele chegar vou estar pronta. Vestindo branco. E com algum colar de contas. É que 2009 será de riso e cafuné. Exatamente nesta ordem. Sou a protegida pelos meus Orixás. Sou minhas Meninas, meus Caboclos, meus Pajés. (SOU!)








sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Ensaio sobre a dificuldade de escrever

Para uma boa leitura acontecer é necessário à priori, que estejamos diante de um texto bem escrito. E não estou falando dos grandes escritores, aqueles já considerados os Ases da literatura. E quanto mais lemos e escrevemos, maior – e melhor – é a nossa leitura de mundo. A pergunta: “por que as pessoas escrevem?”, veio em minha cabeça e parei para pensar naquelas respostas que já conhecemos: porquê elas têm algo para comunicar, viram a necessidade de mostrar a outros o que elas pensam sobre os assuntos que lhes dizem respeito. Por isso escrevem textos, livros, ou jornais ou em revistas. E eis o mérito que deve ser dado a Gutemberg. Porém, mesmo que muitos afirmem que ele seja o ‘pai da imprensa’, não foi ele quem a inventou pois quando ele nasceu (entre 1395 a 1400) a imprensa já existia, adivinda da Renascença italiana. Ele aperfeiçoou as técnicas de impressão e, graças a Gutemberg é que se tornou possível a transmissão da palavra escrita a um crescente número de pessoas. Aliás, a própria historia de Gutemberg parece uma reportagem mal feita, em que os dados seguros são poucos, as dúvidas e lacunas, muitas. De qualquer maneira, se nos faltam muitas informações sobre a vida e a carreira de Gutemberg, a culpa em boa parte é dele próprio: infelizmente o inventor não tinha o hábito de datar ou assinar seus trabalhos.
Antes de um menino que me vendeu bala na rua, o Miguel, eu nunca tinha escutado de qualquer pessoa, que ela gostaria de ser escritora. Nem eu mesma, aliás, apesar de ter sido, durante a vida escolar, uma ótima aluna de português, e escrever em diários desde os meus 11 anos de idade. Hoje aos 28 anos, ainda não descobri sobre o que, de mais relevante eu poderia, por exemplo, usar como tema para um futuro livro. Você já sentiu isso de não ter nada a dizer quando todo mundo já se propôs a escrever sobre tudo??? Pois é. Quando o professor lhe pede como tarefa do dia: “escreva sobre o que você quiser, o tema é livre”, então parece que piora a situação. Tem gente que adora, pois está cheia de assuntos, louca para opinar sobre temas da atualidade, dizer o que pensa. Eu não. Acho que, de certa forma, fui ensinada a esperar por direções, quando na verdade, a gente sabe que, até em uma conversa informal, em um bate-papo com amigos, a conversa sempre toma outros rumos. Na hora de escrever, isso tem que ser feito com cuidado para não fugir do assunto e distrair o leitor.
Eu continuo escrevendo. Quando fiz 10 anos de escrita nos meus diários e cadernos, em 2001, tomei conhecimento, na internet, dos diários virtuais, e aderi a este novo conceito de comunicação escrita, com a possibilidade de conhecer e compartilhar de outros pensamentos e modos de ver o mundo. Fiz o primeiro weblog. Hoje ele já não existe e, inclusive, com ele foi mais fácil deixar para trás uma Mayra que não corresponde em quase nada ao que sou hoje. E a escrita nos permite esse reconhecimento. Os assuntos, as dúvidas e lacunas, se modificam não só pela idade, mas pelas circunstâncias.
Às vezes me pergunto se realmente é jornalismo o caminho pelo qual quero trilhar, ainda que eu esteja no começo do curso, porém, contudo, meu tempo está se esgotando (porque a vida está me indagando sobre qual a minha decisão perante a vida, igualzinho o coelho de Alice). É que comigo, não me leve a mal, o tempo às vezes pensa que é Caymmi. Então percebo que é isso: para escrever, leva tempo. Leva o tempo necessário para amadurecer idéias, buscar argumentos, responder e/ou fazer perguntas. E por aí vêm as dívidas: sobre o que eu quero falar? Por que quero falar sobre este assunto? Para quem eu quero escrever? Quando o tema é esclarecido, já facilita uma outra etapa. Porque você não precisa escrever somente sobre algo que seja positivamente inspirador. E eu percebi que minha dificuldade também deve ser a dificuldade de muita gente, que, no eu caso, se equivale a classe a que pertenço: os estudantes universitários, e até mesmo para os que não o são. As pessoas comuns, que gostam da leitura, mas não se sentem seguras de escrever, acreditando que é preciso escrever tal e qual Mário Quintana, Machado de Assis, Darcy Ribeiro. Claro que, também não basta querer compartilhar uma idéia, uma opinião. Também tenho que pensar: “para qual direção caminha a minha escrita?!”
Quando me apropriei da tecnologia e passei a “postar” textos em meu weblog, produzindo gêneros textuais para cumprir uma demanda da atividade acadêmica, eu não escrevo pensando em ser uma renomada escritora. Escrevo alguns por inspiração, uns por exigência de professores, outros sem qualquer motivo (sem exigências, sem cobranças externas). Mas todas as maneiras se findam no objetivo de ter um certo reconhecimento por parte de quem lê. Agradando ou não, você espera que as pessoas se manifestem a respeito de seu texto. Porque estamos em uma era big brother, onde todos querem ser notados de alguma forma. “O desejo é o motor”, afirma Pierre Lèvi. Todos nós, enquanto humanos, temos, culturalmente a necessidade de nos comunicar, de nos fazermos compreendidos. Então aqueles mais desejosos de realizar a comunicação - indispensável a todos nós, - se aperfeiçoar, nesse caso, na escrita, na utilização de regras gramaticais,, dos argumentos, das abordagens, porque a utilização dessas técnicas acaba sendo fruto desse desejo de concluir a transmissão de sua mensagem. Técnicas essas, resultantes de um movimento da sociedade em prol da boa leitura, do domínio da língua, e que por isso mesmo, resigna essa sociedade, e delimita bem, quem escreve, quem realmente tem o dom da palavra, de quem não tem aptidão nenhuma, e esses se tornam submissos, menos valorizados intelectualmente, e é por isso mesmo que pode ocorrer a tal dificuldade em escrever, em passar do pensamento ao papel.
A utilização de weblog, já é, de qualquer maneira, considerada imprescindível para que os novos produtores de textos contribuam para a veiculação cada vez maior e melhor das mensagens. Confesso que até por isso tenho lido pouquíssimos livros inteiros. Com a facilidade de busca dos mais variados trechos, partes de livros, a leitura densa de materiais está deixando a desejar. A demanda do mercado não aguarda que sua inspiração, para escrever coisas interessantes leve tanto tempo. Há muita pressa em conclusões, em obter resultados. É preciso correr, “acorda, Alice!”, é colocado na história de Carroll.
Creio que consigo terminar este ensaio sobre o meu ato de escrever, quase com a sensação de dever cumprido. Quando troquei de tema por duas vezes, na insegurança sobre a relevância do que eu teria de inovador para refletir sobre tais assuntos, descobri que mais uma vez estava desencontrada do objetivo final ( e talvez nem saiba direito se consegui chegar a ele), ansiosa por ser levada a escrever com a única obrigatoriedade imposta: o ensaio deve ter uma quantidade mínima de páginas. “Mas, como farei isso??!!”, pensamos, eu e meus colegas de classe, a sala de aula preenchida por burburinhos, todos questionando o pedido impertinente da autoridade da sala de aula naquele momento. Relutei, me chateei com a minha insegurança por não ter um tema e tamanha argumentação para uma exigência do professor, e resolvi por um tema que me pareceu até possível de fazer com que as pessoas reflitam: a dificuldade do ato de escrever, e escrever muito. Mas um “muito” que não tivesse receita de bolo no meio, ou palavras de baixo calão como já vi acontecer numa universidade em São Paulo. Escrever muito e escrever bem.
Espero realmente que este texto não tenha tomado as características de uma simples conversa de bar, onde um assunto puxa outro e outro, e a idéia inicial tenha se perdido. Uma questão de inspiração? Um dom? Exigência do convívio em sociedade?? O que está por trás do ato de escrever bem? Eu acabo aceitando que as pessoas escrevem para serem reconhecidas. Para algumas não importa se seus textos são somente alvos de críticas, o que, aliás, pode ser um indicativo, dependendo de seus argumentos, de que as pessoas leram e discordam do que está escrito, e então o autor cumpriu o seu papel. Ele pensou em um tema. Um bom começo então é pensar. Pensar, porque escrever é fazer funcionar de maneira organizada a lógica do pensamento. O que vem depois do ato são as conseqüências, e a primeira delas é quando consegue seduzir o leitor. Não esqueço nunca de revisar. Desconfio do meu texto. Eu espero, inclusive, que eu tenha suprido uma leitura com exemplos para encorajar quem lê, a acreditar no seu potencial, que o que importa, de verdade, é começar. Mostro o texto para outras pessoas, me preparo para as críticas. E não desisto, eis um ato de coragem. Uma hora encontro meu estilo de escrever. Em meio a uma pilha de textos, me deparo com o poema “Elogio do Aprendizado”, de Bertold Brecht, que me diz exatamente para não desistir. E foi o que eu fiz.




quarta-feira, 5 de novembro de 2008

"a novidade veio dar na praia..."

Os EUA estão passando por uma fase de transições e isso é inegável. O fato de um homem negro estar ocupando a presidência, é um dos melhores sinais disso. E o fato de ele ser negro, claro, é um grande avanço! Este homem faz história, que bom, e eu realmente fico muito surpresa com essas mudanças que o mundo vem sofrendo.

Agora, transformá-lo em mártir, eu não acho correto, pois para que ele, hoje, conseguisse estar onde está, foi preciso uma Rosa Parks, um Martin Luther King Jr. Em muitos momentos ele dizia que não é negro, é mestiço, mas não mencionava diferenças de cor como justificativa para sua vitória.

Durante sua adolescência usou drogas. Me surpreende, também, o fato de uma grande potência eleger um homem com essa característica e que teve fama de rebelde, enquanto aqui no Brasil, pôde-se presenciar uma eleição de prefeitáveis na cidade do Rio de Janeiro, em que o candidato Gabeira, era conhecido por ser a favor da legalização da maconha. O que isso me prova? Que os EUA, com todo seu discurso tradicionalista de uma grande potência está realmente modificando a forma de pensar sua grandeza.

Com seu carisma ganhou a simpatia de muitos jovens e dos mais idosos (que conheceram a luta dos direitos civis por Luther King), que o transformaram num astro. Diz ele que pretende suspender a permanência das tropas americanas no Iraque. Teremos finalmente a tão desejada paz mundial?

No final das contas, para um país que tem a eleição como um direito e não como um dever, muitas pessoas quiseram mostrar participação, ou para elegê-lo ou para tentar minar sua vitória. E eis que o resultado não tão supreendente acontece. A novidade deu na praia...




quinta-feira, 16 de outubro de 2008

O caso de Eloá

Quem já sentiu amor de verdade? O que é o amor? O que nos faz amar uma pessoa?
Esse caso de "sequestro" efetuado por um 'homem' que se sente traído pela 'mulher' amada, me leva a pensar no que é realmente sincero, o que pode ser uma doença, o que é um desequilíbrio psicológico...
Não dá. Decididamente não dá para cair nessa de que por amor se é capaz das maiores loucuras. Toda loucura tem por limite um abismo. Creio eu que se há amor, não há sofrimento. Pois quem foi que disse que amor e sofrimento são proporcionais? São inversos e por essa característica que os difere, são heterôgeneos.
Mais de 70 horas mirando um revólver na cabeça da mulher que se ama?? Louco.
E não é louco de amor, não, não (me)se engane. A história acontece em Santo André, SP, Lindemberg, 22 anos, mantém a ex-namorada, Eloá, 15 anos, em cárcere privado, há três dias, incoformado com o fim da relação de quase três anos.
O mais esperado é a cobertura que a mídia faz do caso. Apenas no programa do Datena, na Rede Bandeirantes, foi que eu escutei o apresentador se manifestar como se quisesse aconselhar o rapaz traído. As outras emissoras cobrem o caso, estão fazendo seus plantões, mas não se vê preocupação no fim do caso, obviamente, na busca pela audiência.
O rapaz que, em uma das vezes que fez aparições na proximidade da janela, chegou a colocar uma camisa do time do São Paulo, mobilizou os dirigentes do clube de futebol, que decidiram ajudar no caso, auxiliando na negociação com Lindemberg, que já se pronunciou avisando que não pretende matar ninguém e nem se suicidar.




terça-feira, 14 de outubro de 2008

Outro dia conversava com dois amigos de Comunicação Social, e eis que falavamos do personagem Zé Bob, jornalista, papel de mocinho, cara super do bem. E a gente não sabia direito o que o personagem fazia: repórter fotográfico? Escritor? Jornalista investigativo?? Super-Homem??
Achei um texto quando pesquisava se outras pessoas falavam nesse assunto.
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“Zé Bob” é ilusão, meu povo!
06/09/2008

por Thiago Borges

Hoje, cheguei mais cedo em casa a tempo de acompanhar as notícias do Jornal Nacional, tirar uma soneca durante o horário eleitoral e ver um pouco da controversa novela A Favorita – cheia de suspense, tramas obscuras, mocinhas que viram vilãs e vice-versa. Mas o “engraçado” é se ver interpretado (ou não) em uma novela, esse símbolo cultural brasileiro que reflete a nossa realidade (reflete?). Agora consigo entender por que enfermeiras, policiais, modistas e camelôs criticam novelas… Quando tem um personagem camelô, ele sempre está de bom humor, trabalhando de sol a sol e com um largo sorriso no lábio – como se a vida dele fosse fácil. É a mesma coisa com o tal Zé Bob. Ele é o jornalista da novela, um mocinho como qualquer outro que tem como missão livrar o bem das garras do mal sem se deixar seduzir. Mas não é bem assim na vida real, caro leitor. Você, que deve estar aí pensando no próximo capítulo da novela das oito… Você, leitora inocente, que sonha em ter um jornalista como Zé Bob para te salvar… Você, internauta adolescente, que quer seguir a carreira de jornalista porque achou a profissão um tanto quanto cheia de adrenalina… Vamos à realidade!

1° - Super jornalista? Impossível! Por mais que as redações estejam defasadas e os funcionários de determinado veículo acabem acumulando funções, não dá para uma única possível cobrir todas as áreas, todos os assuntos de interesse público. Zé Bob, por exemplo, cobre política num dia e feira das tulipas em outro (além de tirar fotos, é claro)

2° - Incansável? Outro erro aí! Pode tomar café à vontade, cheirar cocaína, ter uma pilha de coisas para fazer. Sete matérias pra escrever… Uma hora o cara vai se cansar e ter de parar recuperar a energia perdida. Zé Bob ainda não apareceu dormindo nessa trama.

3° - Sortudo? Ao contrário do nosso herói da dramaturgia, que tem a bruxa boazinha do Castelo Rá-Tim-Bum como editora-chefe, a realidade é bem diferente. Na maioria das vezes (salvo raras exceções), em especial em jornais diários, repórteres são tratados aos berros por seus senhores.

4° - Catador? Mesmo com todo o trabalho do mundo para fazer, Zé Bob encontra uma brechinha entre uma cobertura e outra para cortejar as beldades da novela. Fala sério!

5° - Cadê o distanciamento do fato? Se fosse real, Zé Bob estaria cometendo um grave erro profissional por ter se envolvido com uma de suas fontes – a Donatela. Cadê a imparcialidade, oras?

E você, o que acha de tudo isso?




sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Orixás deixam de ser nome de ruas de Feira de Santana-BA


A Rua Xangô virou São Lucas. A Rua Oxumarê agora é denominada pelo nome bíblico Rosa de Saron. A Rua Ogun Sete Linhas foi transformada em Rua Maranata, termo aramaico que significa 'O Senhor vem'. Coincidência ou não, os orixás que davam nome a ruas de Feira de Santana, segundo maior município da Bahia, a 110km de Salvador, perderam terreno ao longo dos anos para termos bíblicos ou nomes de pessoas.
Publicação do CORREIO.






terça-feira, 7 de outubro de 2008

Crônica - Bilhete a um futuro político

Prezado e futuro,

Em meio a um congestionamento, confesso que sou uma pessoa péssima para avaliar, pois foi o ano em que continuei não assistindo o Horário Eleitoral, mas gosto de ano de eleição, que é quando as coisas andam tão rápidas quanto as obras da Av. Oceânica.
Eu gostaria de de te deixar duas dicas para fazer, um pouco, a diferença em seu mandato. Minha primeira dica é para não subestimar o eleitor. Mesmo convicto de que enrolar peixes e assemelhados é missão nobre, saiba que há olhos críticos e perspicazes espraiando-se por aqui. Quando o líder deseja que o coro responda, ele grita, COMPROMISSO, e o côro responde Compromisso! Compromisso!
Segunda dica: um mandato exige uma habilidade do eleitor, a de presumir que há muitas outras informações ausentes, aprenda a lidar com essa habilidade de seu público. Não se esqueça de esclarecer alguns fatos, anunciar aprovações de leis e responder aos e-mails.
Não repare, muitas pessoas vão dizer que gostaram de sua obra que enfeitou a tal calçada ou tal viaduto, mas serão incapazes de lembrar do que realmente se tratava, isso é mau sinal.
E por último, faça tudo bem diferente de seu antecessor, senão, vão te acusar de imitação e falta de palavra.
Tomara que o senhor descubra que política é coisa de quem tem competência; política não é para aventureiros de última hora.


Até breve.




quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Matéria III

PAUTA
Dia das crianças tradicionalmente aquece o mercado de brinquedos. Normalmente tem algum tipo de artigo na moda tanto para as meninas como para os meninos. Há alguns anos atrás a coqueluche da molecada era o Playstation. E agora? Qual é o principal sonho de consumo de meninos e meninas?


Todo ano é assim, o dia tradicional das crianças aquecendo o mercado de brinquedos. Entre a garotada o brinquedo que estava entre os dez dos sonhos de consumo até então, era o Playstation – jogo de videogame. A molecada ainda curte brincadeiras em que elas possam se socializar, demonstrando que, mesmo com a modernização dos brinquedos, há espaço para as brincadeiras de rua, pega-pega, esconde-esconde e pula-corda, por exemplo.
Enquanto não surge aquele brinquedo super desejado as crianças se encantam, por exemplo, com um adereço muito utilizado por artistas circenses, o Diabolô. Os meninos estão no meio de uma febre de jogos on-line, bicicletas e futebol. Tivemos a febre musical da turma do RBD. As meninas, que vem naturalmente influenciada pelo instinto maternal, adoram as bonecas, e, a exemplos de mulheres na família, querem maquiagens, roupas e acessórios descolados, assim como umas “bolinhas mágicas” feitas de silicone, “que são cultivadas na água, e que em determinado tempo, estouram, se multiplicando. Já tenho quase o dobro de bolinhas coloridas, é muito legal!”, conta Biatriz, 11 anos, que ganhou as bolinhas de presente de uma amiga da escola.
Apesar de tantas opções, um grupo de amigos, entre 9 e 11 anos, que moram em um conjunto, sabem dividir o tempo entre as modernidades e as brincadeiras que as ajudam a manter um círculo social saudável. “O que a gente mais gosta é esconde-esconde. Mas brincamos de tudo! E o legal mesmo é quando a Associação do Conjunto promove um dia inteirinho de brincadeiras”, conta Felipe, 10 anos.



domingo, 28 de setembro de 2008

Matéria II

PAUTA
As “barracas” do bairro do Imbuí, que se tornaram points dos jovens já há alguns anos, estão passando um processo de modernização. O que será que motivou a mudança? Vamos fazer a matéria sobre o que muda no visual do bairro e o que os donos das barracas, que mantém o modelo tradicional, opinam sobre a diminuição de sua clientela para as barracas mais elaboradas. O que essa barracas tem de diferente em relação às outras?



Um ótimo refúgio para uma cervejinha com tira-gosto na companhia dos amigos, o bairro do Imbuí possui as “barracas” que já se tornaram uma das marcas da paisagem e da economia local e atualmente funcionam como bar e restaurante.
O bairro está crescendo, e já há algum tempo vem ficando cada vez mais valorizado, com isso os donos dos empreendimentos, unido a Associação de Moradores, sentiram a necessidade de expansão, a aparência e mais cuidados com os limites de cada barraca.
A Barraca do Bosque é uma das pioneiras nesse cuidado com a vigilância sanitária ao aumentar e melhorar seu atendimento ao público. Seu dono, srº Ney diz que o que realmente motivou a mudança foi a exigência dos moradores na questão da aparência, “porque parecia desleixo e não fica bem para um bairro em crescimento ter o redor dessas barracas um monte de mato, dando a sensação de sujeira”, relembra.
Tanto sucesso no bairro fez com que duas barracas inovassem e mudassem inclusive o estilo, dando aos passantes a sensação mesmo de um grande e gostoso espaço, com armações modernas e estilo diferenciado para atender a um público cada mais exigente. Vale ressaltar inclusive que, tal valorização do bairro diversificou a clientela e existem outros tipos de serviços além das barraquinhas tradicionais: uma barraca para vender água de coco – ao invés de um ambulante vendê-lo com isopor; baianas de acarajé; barraca de comida japonesa; barraca de pastel; ou seja, para todos os gostos e estilos. A esteticista Sônia Coelho, moradora do bairro há 25 anos, diz que adora a barraca de comida japonesa, e que se sente segura em saber inclusive que alguns dos donos de barracas são seus vizinhos, portanto jamais vão deixar a desejar no quesito “aparência” do seu próprio bairro.
Não tem como negar que o lugar é o ponto de encontro completo para amigos. Com tanta diversidade é uma combinação perfeita de lugar e gente bonita e uma ótima opção para conquistar novos amigos e paquerar bastante.



quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Crônica

Fazendo um paralelo entre o conto "Pai contra Mãe", de Machado de Assis, e o filme "Quanto vale ou é por quilo?"(2005) do diretor Sérgio Bianchi, adaptado do conto de Machado.







Quanto vale um pé quentinho?

Uma hora tem que começar, talvez agora seja a hora, ou não.
Para que tanto exagero se isso é só um artigo? Mostrar aos outros o que você sente em relação ao mundo.
Exposição que rima com inibição, apesar da contradição.
Mas o importante são as ações.
Falar sobre as intrigas e a ausência de gentileza. Paciência. Paciência. Paciência. A vida não pára. Salve Lenine e a música que me acalma um pouco, com a letra de alguém que entende o mundo. O que falta nele é: tolerância. E da minha parte, há a busca. Acho que o tempo de delicadeza é cheinho de paciência pra todo mundo. Mas creio que, o que falta no mundo, primordialmente, é isso: gentileza.
A pessoa passou três anos e meio dentro de uma faculdade, estudando, obcecada por tirar boas notas, fez (quase) todos os trabalhos dentro dos prazos, (quase) nunca faltou, estuda o que gosta e o que não gosta, acreditando que vai se tornar assim uma pessoa menos medíocre.
E tem o Miguel. E outros moleques tão iguais quanto.
Miguel, um menino magrelinho, que me vendeu bala na rua.
Perguntei o que ele queria ser quando crescer.
Disse-me: "O que for mais fácil..."
(ploft!)
Daí, insisti: "Mas qual o seu sonho?"
(ploft!)
"Meu sonho é ser escritor", disse com um sorriso que rasgou minha cara.
E sabe, eu sentaria com ele e conversaria por horas. Tomara que ele esteja dormindo com os anjos (deveria ser proibido as pessoas destruírem nossos sonhos).
Para mim, conversar um pouquinho com ele foi um momento de delicadeza, de ingenuidade e de tentativa de construir um mundo melhor. Rindo sempre, com a leveza de ser criança.




quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Minha primeira "matéria"!


Festa de São Cosme e São Damião


Além de início da primavera, Setembro também é o mês de comemoração do dia de São Cosme e São Damião, os santos gêmeos. É tradicionalmente difundido pelos baianos e pelo sincretismo religioso, quando preparam o caruru, comida à base de quiabo frito no azeite de dendê, que simboliza a festa do dia 27 de setembro.
Para os católicos, devotos dos santos, é dia de missa, de fazer pedidos e acender velas. Muitos fiéis fazem promessas para alcançar as graças com a ajuda ‘dos meninos’ (sic), pois, “pedindo a dois santos de uma só vez, a graça vem mais forte”, diz d. Joana, 88 anos, dona de casa e natural de Ilhéus (BA). Para os adeptos do candomblé, a festa é uma oferenda aos Ibejis – orixás equivalentes aos santos gêmeos. Por isso no decorrer da comemoração o caruru é servido primeiro às crianças, em seguida para os outros convidados. Também ocorre a distribuição de doces, pois, sendo orixás infantis, os santos gostam de guloseimas.
Não é à toa que a aposentada, d. Marivalda, 54 anos, leva a tradição há trinta e dois anos e assim como a sua mãe, fez promessa, recebeu a graça e cumpriu durante quinze anos o caruru dos santos, que ela mesma prepara, e alerta: “não gosto de comida ‘dormida’ e nem congelada, ‘os meninos’ também não, por isso preparo tudo de um dia para o outro, durante a madrugada.” Mesmo depois da promessa cumprida, d. Marivalda permanece com o compromisso, “porque se tem um ano que deixo de fazer o caruru, a vida desanda”, diz. No Centro Histórico da cidade, baianas se unem e festejam o dia dos Ibejis, distribuindo gratuitamente o caruru, acompanhado de arroz, feijão fradinho, galinha, vatapá e pipoca.



sexta-feira, 25 de julho de 2008

Enigma

Leia o parágrafo abaixo e tente imaginar sobre o que ele trata. Anote as estratégias que você usou para ajudá-lo na sua tarefa.

Um jornal é melhor do que revista. Uma praia é melhor do que uma rua. A princípio é melhor correr do que andar. Talvez você tenha que tentar várias vezes. É necessário ter alguma habilidade, mas é fácil de aprender. Mesmo crianças pequenas se divertem com isso. Uma vez bem-sucedido, as complicações são mínimas. Pássaros raras vezes chegam muito perto. Chuva, contudo, ensopa muito rápido.

Gente demais fazendo a mesma coisa também pode causar problemas. Precisa-se de muito espaço. Se não houver complicações, pode ser muito calmo. Uma pedra servirá de âncora. Se elas se soltarem, você não terá uma segunda chance.


A resposta é: _______________


...
Meu professor de Oficina de Leitura e Escrita II, desse segundo semestre, passou essa atividade ontem. Aula sobre "Leituras de Mundo", e adivinha quem acertou o Enigma!!!!!
Eu!!! hahahahaha...


quarta-feira, 2 de julho de 2008

Blogueiro também pode.

A notícia é "velha", porém me chamou a atenção.
Somos blogueiros, e todo blogueiro, hoje, adquire seu direito, por ser pessoa de opiniões, a tratar, críticas e comentários sobre qualquer assunto em seu blog.
Eis que uma visita a um restaurante rendeu a um rapaz, a resposta jurídica do local criticado.
O blogueiro foi convidado a retirar o logotipo do restaurante. Mas o post continua existindo, por razões óbvias.


Leia na íntegra aqui.




quinta-feira, 26 de junho de 2008

terça-feira, 17 de junho de 2008

Férias.

Uns dias de descanso.
Cuidados com o corpo, com a alimentação, e com as alegrias.

Sem moderação, né?

:)





quinta-feira, 12 de junho de 2008

Creative Commons

Se vivemos um momento de cuidados com os direitos autorais, adaptados para este mundo virtual, a maneira de encará-los também se modifica.
Para isso surgiu a idéia de um projeto, onde o autor/compositor faz, a partir da legislação existente, o seu próprio gerenciamento quanto às suas obras. O Creative Commons, como é chamado, permite que o autor esclareça até que ponto pode ter suas obras utilizadas.
Acredito, e seria uma adepta deste projeto, pois vejo com bons olhos esse espaço que se dá para que outras pessoas veiculem um trabalho autoral, quando meu nome aparecerá por detrás da criação, seja em um comercial, em um programa, em um outdoor (imagens).
Porque há um detalhe no comportamento de uma sociedade que não tem como lutar: o fato de saber que algo é proibido faz com que seja desejoso de fazer. Se me dizem que copiar é crime, eu vou me guiar a princípio pela idéia de que se está na internet, não tem mais dono, ou que sim, tem dono, mas eu gostei de um trecho e quero criar em cima dele (um conto, um poema, uma iamgem), portanto isso pode ser considerado por quem se apropria, liberdade de criação. Se me dizem que pirataria de músicas/filmes também não é legal, vai dar uma vontade de ter acesso, e facilitar o acesso para o restante.
De certa forma, há autores que vêem nisso uma grande vantagem, pois é sinal de melhor reconhecimento pelo seu trabalho.
Talvez, a dificuldade esteja em saber se realmente as pessoas compreendem o objetivo desse projeto, tendo em vista que o conteúdo (re)criado seja partilhado com o devido respeito aos direitos do autor.



sábado, 7 de junho de 2008

IURD

Uma atividade da disciplina de Antropologia Cultural é visitar um local, que a gente tenha um certo preconceito. E assim observar as seguintes coisas:
1) quais as minhaS idéias etnocêntricas? O que eu penso sobre tal lugar?
2) descrever o local, as pessoas que ali se encontram, como falam, o que fazem.
3) me perguntar: eu consegui relativizar???

Bem, o local escolhido foi uma Igreja Universal.
Eu não sei, podia ter me preparado melhor, e ir com a mente mais aberta, mas não aconteceu.
É uma construção imensa. Parecem querer ostentar um poder, mesmo sem ser como as Igrejas Católicas, cheias de ouros por dentro, encrustados nas paredes. Não há imagens de santos, apenas de Cruz, e uma imensa fotografia, no "altar", do Monte Sinai. Era uma sexta-feira, de junho. Era dia da "Fogueira Santa". E ao sentar bem distante do altar, próximo à porta de saída, - tamanha era a desconfiança, - fiquei ouvindo a pregação do pastor. Eram 15 horas. E nesta oratória, ouvia atenta, o seu discurso: "Riquezas.... Sacrifícios... Dê o seu salário inteiro se queres libertação... Dinheiro, dinheiro, dinheiro...... Demônios, arruda e guiné"...
Arrisquei uma aproximação do altar, e meus braços, até a altura dos cotovelos, formigaram! Uma energia estranhíssima. Demorei para voltar a mim. Quer dizer, o braço parar de adormecer.
Quer dizer: eles afirmam o Candomblé, e ao mesmo tempo o negam, para justificar que sua religião é a melhor.
Queria sair dali, mas tinha a atividade para completar. Só conseguia sentir mais raiva desta instituição. Manipuladores, covardes!
...
E vem a hora de pegar depoimento. E a gente começa a olhar a função dessa Igreja, na visão dos fiéis. Até dá para entender, que são pessoas humildes, que se levam pela fé, necessitam se agarrar a alguma força: eles precisam acreditar que Deus existe e é maior que todas as coisas.
A gente ter fé, acreditar, querer ajudar a família, tirar o marido do alcoolismo, o filho das drogas, a filha da prostituição, tudo, tudo é cabível.
Errado, na minha conclusão, é alguém se aproveitar dessa fé.

É... Às vezes a minha fé costuma falhar...




sexta-feira, 16 de maio de 2008

“As folhas sabem procurar pelo sol...”

O Império Romano utilizou o Coliseu (Teatros), por muito tempo, para acalmar as insatisfações de seus súditos, dando-lhes apresentações “divertidas” com um pedaço de pão. O “Pão”: um dos alimentos mais populares do planeta, e o “Circo”: a distração para deixar qualquer mortal mais relaxado, e que foi por muitos séculos, a principal manifestação artística, era e ainda é utilizado como uma maneira de acalmar as manifestações populares.
No Brasil quando pensamos em Circo pensamos na política. A palavra por si tomou um significado que soa como um teatro de mentiras (pois nada melhor do que ocupar a população enquanto decisões importantes são tomadas): poderíamos comemorar enquanto sociedade o que comemoramos com festas populares, mas sobrevive-se sob as promessas, e continua-se acreditando nos discursos, sentados à mesa, vendo o mundo acontecendo pela televisão, que só nos mostra o que é de interesse de uma minoria detentora de poder. Em tempos de epidemias, de eleições, de problemas estruturais de governo e de investimentos mal-sucedidos, dá-se ao povo algo que possa amenizar os problemas de infra-estrutura, social e econômico. Dá-se importância ao futebol, a um reality show, a um caso policial super veiculado, ao Bolsa Família, à novidade da TV Digital, a Copa do Mundo de 2014, ao carnaval. Preocupamos-nos, sim, com o futuro, com “para onde vamos?”, quando lemos a respeito do aquecimento global, por exemplo. Porém não podemos esquecer que este problema pode ser atribuído a falta de uma consciência ambiental que vem de dentro da nossa casa - se quisermos começar por algum lugar.
Queremos um país do futuro com a formação de cidadãos pensantes, então, que nos seja dado a educação de qualidade para tal, inclusive para que sejamos os bons profissionais que o mercado exige.
Com uma política de pão e circo que favorece a continuação de um Brasil tão "terra de ninguém" o grande desafio é fazer política com educação, trabalho e renda, onde não se prolifere a idéia de que sempre teremos os Salvadores da Pátria (a Seleção Brasileira!! As Bolsas do governo!!), e a de que somos coitados, pois não queremos, enquanto nação, cair em de discursos que combinam palavras bonitas e frases enfeitadas, mas ter também a oportunidade de identificar as letras.
Só há duas opções nesta vida: se resignar ou se indignar.” (Darcy Ribeiro)
Comparando a Roma antiga com o Brasil, vemos no nosso caso, que o crescimento populacional gera problemas sociais, comunidades com pouca estrutura crescendo desenfreadamente, as condições de vida ficam mais difíceis, mas o Estado, ao invés de fazer uma política social baseada em educação e qualificação profissional, opta por fazer uma que acalme a grande massa para evitar que esta se rebele, com seus planos sociais. Não que estes planos não possuam validade, porém, atrelado a eles cairia muito bem um investimento na educação, na saúde e em habitação digna. Mas é preciso que levantemos da sala de jantar; que não admitamos mais ser manipulados. Tenhamos sim, a festa, o circo, mas também tenhamos força de vontade e sabedoria para lutar pelo pão que nos é de direito.



terça-feira, 13 de maio de 2008

RESERVA RAPOSA-SERRA DO SOL

Reportagem de apoio: Entenda o que está acontecendo.


O fator relevante nessa reportagem é a "luta" dos índios pela homologação de terras que lhes pertencem por direito. A Raposa-Serra do Sol, que é a última grande Terra indígena da Amazônia, aguarda reconhecimento para ser homologada; tal e qual esta documentação seja assinada pela Justiça, vai exigir que seus "invasores" sejam retirados.
Os invasores? Os fazendeiros. E segundo estes, como é possível que um bando de índios, que nada produzem, queiram tanta terra?

"A diferença é ameaçadora porque fere nossa própria identidade cultural" (ROCHA, 1984)

Sendo cabível acrescentar, "...cultural e econômica". Ou, seja, os nativos é que inviabilizam o desenvolvimento do Estado.

Configura-se neste ponto, o Etnocentrismo. Na visão do Estado de Roraima, os índios não precisam dessas terras pois não vão produzir para além de seu consumo, o que é uma perda de tempo e dinheiro.

"Aí, então, de repente, nos deparamos com um "outro", o grupo do "diferente" que, às vezes, nem sequer faz coisas como as nossas ou quando as faz é de forma tal que não reconhecemos como possíveis. E mais grave ainda, este "outro" também sobrevive à sua maneira." (ROCHA, 1984)

Será que é tão inconcebível que um grupo apenas viva com o suficiente para sua sobrevivência? Não é. E é exatamente isso que não justifica essa atrocidade. Como pode em pleno século XXI, querer tomar terra de índio?? Essas terras já lhes pertencem "antes mesmo de serem politicamente estabelecidas" (segundo o Abaixo-assinado elaborado pelo Partido dos Trabalhadores).

Mesmo que a partir de 1998 fosse declarado que as terras são de posse permanente dos povos indígenas, o Estado de Roraima tenta anular essa decisão da Justiça. Os agricultores continuaram avançando e produzindo nas terras, as quais ainda hoje (depois de 10 anos) não foram desocupadas porque a plantação representa 40% da produção do Estado, e os ocupantes ilegais não se mostram dispostos a negociar sua saída. Qual a consequência desse fato? Os confrontos constantes entre os Jagunços dos fazendeiros e os índios.

"A sociedade do "outro" é atrasada. (...)São selvagens(...) que vem da floresta, que lembra de alguma maneira, a vida animal(...)" (ROCHA, 1984)

Os primeiros alegam que os índios não atendem a pedidos pacifícos de expulsão e os atacam tal e qual uns selvagens, com arco e flecha, o que eles fazem é se defender, com as armas de fogo.
O que se percebe facilmente é uma elite sem argumento suficiente para manter pé firme sobre essa questão da desapropriação, por eles, dessas terras; alegando que há também a possibilidade de que se essas terras ficarem à vontade dos índios, 'fracos' como são, deixariam a região propícia para possíveis invasões, fazendo o país correr o risco de perder sua soberania, porque essas terras estão nas fronteiras.
E como os meios de comunicação no Estado de Roraima é de apropriação dos políticos, associados aos fazendeiros, muito facilitada fica a lavagem cerebral da população lá existente por esses meios.
Para finalizar, cabe a lembrança histórica de que Roraima só é do Brasil porque Joaquim Nabuco defendeu sua posse, em disputa com a Inglaterra, com base justamente a presença de índios brasileiros por lá.





sábado, 3 de maio de 2008

É importante ser livre para acreditar no que se quer. Falar com Deus, ou consigo mesmo, orando, meditando, dançando. Cada uma na sua forma de fazer contato com suas divindades, e isso é o que representa a construção da cultura humana. Toda diversidade é riqueza, toda diferença tem sabor.
Eu, como acredito em quase tudo, recorro a tudo o que é maior que a própria vida, seja a um Deus, ou vários. Aos Anjos (pois Deus pode estar ocupado demais), aos Santos, aos Espíritos; a tudo o que sou capaz de sentir a presença, enfim.
Outro dia, enquanto esperava uma amiga, vi um homem, aparentemente de 50 anos, passeando com o cachorro, e que se pôs a beijar uma certa flor.
Fiquei olhando para entender o que acabara de acontecer, e que talvez, beijaria mais alguma outra, e até caçoei: "agora vai pousar um passarinho no seu ombro". Depois sorri, e dei graças aos Deuses por que ainda há leveza no mundo. Pense que, este homem, pode ser a materialização de um anjo, ou que, simplesmente, tem tanto amor em si que precisa compartilhar, e doar. O que nunca pode ser demais na vida de ninguém.
Eu confesso que tenho me doado bem pouco, e sinto uma certa culpa por isso. Mas nem sempre.



terça-feira, 29 de abril de 2008

Resenha: Blade Runner (1982)

Blade Runner (o caçador de andróides) é um filme norte americano de 1982 , o primeiro do gênero ficção científica que aborda a relação homem x máquina.
O filme se passa na cidade de Los Angeles, em novembro de 2019, quando a humanidade inicia a colonização espacial, para qual são desenvolvidos seres geneticamente modificados.
A produção desses seres ficava sob responsabilidade da Tyrell Corporation, que tinha como objetivo produzir andróides “mais humanos que os próprios humanos”. Porém esses andróides tinham tempo de vida limitado à 4 anos, o que despertou em alguns deles revolta.
Surge então o confronto criador x criatura: há um trecho do filme onde o lider rebelde dos replicantes – nome que foi dado aos andróides – questiona seu criador com relação à essa limitação de vida. Esse o responde que no momento da sua produção seu tempo de vida já é programado, sendo assim não pode ser alterado. Dessa forma o coloca novamente na sua condição de máquina, o que contrasta com seu desejo de sobrevivência.
A visão futurista do filme mostra uma realidade desvinculada da natureza, não há resquícios de ambientes naturais. O filme se passa num ambiente urbano, com pouca luminosidade.
No filme há um paradoxo: de um lado as relações humanas diminuem, como se todo avaço tecnológico tendenciasse os humanos a se afastar um dos outros, por outro lado, os replicantes se apoderam da capacidade de se emocionar, característica humana, para manipulá-los.
Outro fato que chama a atenção é que apesar de geneticamente modificados, os replicantes são fisicamente tão frágeis quanto nós, pois são retirados – eliminados -com as mesmas armas com que os humanos seriam.
O conflito do filme surge no momento em que o replicante tem um desejo semelhante aos humanos de prolongar seu tempo de vida, assim como nós buscamos o auxilio da ciência, os andróides buscam alternativas para afastar o final da sua existência.




domingo, 27 de abril de 2008

((@))
Ciber.Comunica 3.0

"Promovido pela F. Jorge Amado, o evento tem como objetivo discutir a comunicação associada às tecnologias contemporâneas. Nessa edição, a discussão girará em torno da comunicação sem fio.
(...)Apesar do tema atualíssimo, o Ciber.Comunica continua com os mesmos moldes. É o que garante o seu coordenador geral, o professor mestre Claudio Manoel Duarte.
(...) Também já foi confirmada a primeira edição do Festival MicroMínima**(vídeos-minutos, com temas livres), que irá premiar os melhores filmes produzidos pelos alunos.
O evento é aberto ao público geral.
O participante terá direito a certificado."



**O vídeo do meu grupo vai estar lá!!

terça-feira, 8 de abril de 2008

Filme: A Fantástica Fábrica de Chocolate (2005)

(Elenco: Johnny Depp, Freddie Highmore, Helena Bonham Carter, Jordan Fry, Garrick Hagon, Stephen Humby, David Kelly, Christopher Lee, Missi Pyle, Annasophia Robb, Deep Roy, Harry Taylor, Noah Taylor. Direção: Tim Burton Produzido por: Brad Grey, Richard D. Zanuck)

Para a nova versão deste clássico da Sessão da Tarde, o diretor de cinema, Tim Burton, quis fazer uma versão mais próxima do livro, escrito por Roald Dahl, mais excêntrica, e um tanto quanto sombria, com Johnny Depp assemelhando-se ao seu personagem do filme Edward Mãos de Tesoura. Portanto para começar a assistir tem que esquecer da primeira versão (1971).
O menino Charlie Bucket é o personagem central. Menino pobre porém muito educado e centrado nos valores sobre o ideal de uma família unida, que mora com seus pais e avós, em uma casa humilde, torta, caindo aos pedaços. Um de seus avôs, Joe Bucket, já trabalhou na fábrica de chocolate existente na cidade, e contava para seu neto histórias encantadoras sobre o seu funcionamento.
Charlie era fascinado e movido pela costumeira curiosidade infantil, e tem o sonho de um dia poder conhecer seu interior. Vê essa oportunidade, quando o dono da fábrica, o então misterioso Willy Wonka, resolve fazer um concurso com vale-brindes - ao total de apenas 5 - embalados junto ao chocolate (para quem lembra do chocolate Surpresa, eis uma idéia), com crianças sorteadas para visitar a sua fábrica, - o chocolate Wonka Bar é uma mania mundial - demonstrando-se o significado da tão falada globalização em um de seus aspectos: a cena inicial, dos caminhões vermelhos em meio a uma cidade coberta por neve, saindo da fábrica para fazer entregas, nos remete a uma grande marca de refrigerante, que a exemplo de comercialização, tem seu nome mundialmente conhecido, e que ainda assim guarda o grande segredo de sua fórmula.
Nessa expectativa já esperada, Charlie consegue o muito procurado vale-brinde, e com seu vovô Joe, vai em busca do curioso mundo dos doces. É no decorrer do passeio na fábrica que será escolhido o herdeiro da empresa, sem que as crianças e seus acompanhantes saibam disso.
Fica explícito no filme, uma mágoa por parte do chocolateiro, com relação ao seu pai, mostrando em diversos flashback's, como o Dentista o reprimia para que fosse sempre uma criança saudável. Logo no início do filme com Wonka em um desses flashes, um doce que havia sido jogado na fogueira por seu pai é relembrado pelo chocolateiro quando ao abrir a grande porta para os sortudos visitantes numa animada recepção com bonecos coloridos, ocorre um curto circuito fazendo a animação pegar fogo.
Wonka já demonstra que não sabe lidar com sentimentos, e que está muito traumatizado, tendo sua fábrica hostilizada por crianças de maus hábitos - inclusive reforçados pelos responsáveis. Claro, com a oportunidade de se "encontrar" em um ambiente onde tudo é comestível, é possível que qualquer pessoa aja de forma pecaminosa diante de tanta tentação e ainda pague um preço por isso; justamente assim é que Wonka faz, de forma previsível, com seus ajudantes Oompa Loompas, uma seleção para escolher finalmente o seu herdeiro.
O grande vencedor, Charlie, o menino pobre dotado de esperança em dias melhores é o responsável pela humanização do dono da fábrica, o que nos faz pensar naquela Máxima de pensar o mundo com os olhos de uma criança.



segunda-feira, 7 de abril de 2008

Sobre Abacaxi e Ano-Novo

Carta aberta para amiga, em 02/01/2008


Se a gente for analisar o que foi o ano de 2007 dá para compará-lo a um termo que a gente costuma dizer quando a coisa vai mal, que é o lance do abacaxi. Todos temos na nossa vida um momento de segurar o abacaxi, "ganhar o abacaxi".
Cada um tem na sua vida o abacaxi que merece?
Quando você, no meio de suas visitas para comemoração do ano novo em sua casa, resolve que tá com vontade de comer abacaxi, é porque inconscientemente você sabe o tamanho e acidez do seu. Todos nós sabemos.
Você sai com tanta agonia de não querer exatamente olhar pra aquelas pessoas, que a busca pelo abacaxi para matar vontade se torna uma missão do tipo Gincana. E lá vai você, que sai a pé de casa que é para dar uma volta maior, demorando mais tempo, com desculpa de que é coisa rápida, que vai ali na vendinha.
Só que a vendinha está fechada, claro, porque o dono da venda também tem seu momento de acidez de ano novo, e precisa fechar (para balanço) para ter tempo de saborear o seu abacaxi.
Tudo bem, você roda o bairro nos primeiros 15 minutos xingando parentes, que saco, vai ser assim meu ano novo??, vai ao supermercado, porque, ah, supermercado tem trabalho e os funcionários não têm família (!!), certo?! Prêmio Coroa do Abacaxi pro gerente (para ele enfiar, Deus sabe onde), que ainda fica dando ordens de organização no estabelecimento se sentindo o dono do abacaxi. Melancia, melancia, eu não quero melancia - você pensa. Tem melancia e eu não quero esta droga, droga. Porque o abacaxi é o que representa a sua vida e enquanto você procura com os olhos, seu pensamento está naquela pessoa com a qual você tem esperança de ter alguma coisa realmente saudável, sem pressões, sem neuras. Mas, não, o cara nem aí está, e a sua vontade é que ele exploda enquanto você fica imaginando suas aftas por conta da quantidade de abacaxi que você vai ingerir para esquecer que o cara existe.
Finalmente encontrado, o abacaxi está verde, exatamente como o ano que está começando: 2008 querendo amadurecer, e você também. Na Bahia, em época de abacaxi, você consegue um abacaxi a Um Real, no Rio, consegue verde a Quatro Reais. Um absurdo.
Cada um tem na sua vida o abacaxi que merece?



(tem três dias que estou com uma afta e não é de comer abacaxi... Rsrsssrs...)
Minha amiga: abacaxi verde? Que seja. É como o 2008 está para nós todos.
Feliz 2008! E desejo mais: que você continue procurando (e me fazendo feliz com histórias), porque alguma hora a gente acha uma saída. E espero que você encontre a sua.



Ouvindo: Balada do pó, pedra e caminho (Forró Massapê)