segunda-feira, 7 de maio de 2018
domingo, 6 de maio de 2018
Ninguém na minha família se profissionalizou como Chef de cozinha, todas as mulheres com as quais eu cresci, nenhuma delas cozinhou por prazer ou fez disso um ganha pão. Nem eu.
Não sou chegada à rotina de cozinhar todo dia, a não ser por necessidade e sobrevivência. Mas, se tem uma coisa que eu gosto é fazer algo gostoso quando dá vontade, sem compromisso(¹). Eu adoro o ambiente da cozinha. Cozinha é a sala da casa da gente. É onde tem furdunço, onde o povo se esbarra, berra, enquanto corta uma cebola ou um fiapo do dedo. É onde se confidenciam problemas conjugares enquanto os homens discutem futebol na sala.
Já namorei um rapaz que trabalhava como garçom (não é um trabalho direto com comida, mas, tem a função de servir pessoas!). E acho que servir alguém não tem a ver com submissão, e acho que tem muito mais a ver com a personalidade da pessoa do que uma ação robotizada. Tem a ver com gentileza, colaboração, paciência, cortesia, sociabilidade. E namoro atualmente uma pessoa que fez curso profissionalizante de Gastronomia, e que mesmo não trabalhando na cozinha desde que o conheci há três anos, traz consigo as características que citei anteriormente. Ou seja, eu atraio parceiros amorosos que entendem necessidades de outra pessoa e são mais compreensíveis a quase todas as situações na vida.
O que eu quero dizer com isso é que, cozinhar não é só dar sustância para o corpo físico, mas é também o zêlo pelo outro.
(¹) Tenho página no Facebook, pra compartilhar pratos que eu gosto, que eu faço ou tenho vontade de fazer, além de outras curiosidades culinárias! (Meu Tempero É Outro!)
quarta-feira, 2 de maio de 2018
terça-feira, 1 de maio de 2018
Geladeira de casa: gelo e água. Não sempre, contudo, geralmente (oi, fim de mês!). Daí você tem pai bondoso e assalta a despensa/geladeira dele, e leva pedaço generoso de requeijão, queijo coalho, bacalhau, peixe vermelho, preparo de aimpim para purê, camarão, preparo pra capuccino chocolate, umas moedas pro cofre porque, né, preciso comprar pão! rsrsrsrs
Vocês precisam ver é quando ele vai me visitar!
😂
😂
😂 Geladeira até gargalha!
❥~
❥~
Eu sou uma entusiasta das histórias de amor. Também sou uma entusiasta da palavra escrita, do criar um texto ou ler um texto bom criado por alguém. Escrever é parte de mim, algo que eu desejo trabalhar cada vez mais e melhor, mas como fazer isso?
Escrevendo cartas de amor por encomenda. Só preciso que você me conte a sua história e eu estarei disposta a ouvir, transformar a sua história em carta e te entregar. Depois disso ela é sua, copie com a sua letra, mande pelo correio, leia no seu casamento, nas bodas dos seus pais, transforme em presente, guarde pra você.
Para saber mais do projeto ou mandar a sua história de amor, mande um email para: mayrademiranda@yahoo.com.br

segunda-feira, 30 de abril de 2018
sábado, 28 de abril de 2018
O peso do meu coração
{Castello Branco - O Peso do Meu Coração}
sexta-feira, 27 de abril de 2018
Eu dispenso gente dramática porque já fiz muito drama e não aguento mais esse escape da realidade. Dentre as coisas que faço, gosto de escrever e pretendo escrever mais. A escrita sempre foi minha casa, minha caverna e meu céu. Fais comme ton couer le dicte. Meu melhor amigo é um homem maravilhoso, que compartilha comigo tudo o que pensa, sonha e nossos dias habitando seu lar. Através dele eu me enxerguei mais próxima de como sou. Agradeço por me mostrar o mundo com seu olhar, me fazendo olhar pra dentro e por me fazer ter coragem de ser corajosa e tirar de mim todo tanto de medo que ainda tenho. Que ele veio pra mudar o mundo, principalmente o meu e é tão bonito ver ele falando com seu sotaque carioca sobre o desejo de se teletransportar entre a Bahia e o Rio. 'mas quando você vem, eu fico melhor'. Eu sempre dizia que deus-me-livre escorpião... Mas eu tenho ele em escorpião. Tem muita coisa que eu não sei na vida. E tudo bem, eu acho.
terça-feira, 24 de abril de 2018
segunda-feira, 23 de abril de 2018
Amo você como se eu tivesse esperado por você a vida toda. (E foi mesmo!)
Amo você como se você fosse a pessoa que eu mais confio. (Ó! E é mesmo!)
Amo você como se eu tivesse escolhido até o dia em que você chegou na minha vida.
Amo você porque você está comigo na doença e na pobreza, mas prefere a riqueza e a saúde. Porque é melhor ser rico e feliz do que pobre e doente (bonito isso, né mesmo?)
Amo você porque você escolheu me amar e amar tanta coisa que eu amo (Ó! E não é que é mesmo!?)
Amo você meu amor! Amo mesmo.
domingo, 22 de abril de 2018
Ando refazendo alguns ciclos. Lento, mas profundo e consciente. Tenho tantos compromissos internos, e muitas vezes estou olhando pra dentro mesmo, bem egoísta. Podem me chamar que eu não vou. Tenho várias coisas a fazer. Cuidar de todos os meus processos. Atenta e vigilante. Tô cuidando das delicadezas. Me realizando no que faço. Tentando uma vida extraordinária dentro dos limites de uma vida comum. Continuamente tentando estar em paz com a minha guerra. Bom dia, Vietnã.
Outro dia, acordei assustada com o tipo de pesadelo que ninguém gosta de ter. Fiz uma prece. E eu não sei você, mas logo em seguida saio procurando as pessoas mais próximas para ter notícia e garantir que nada lhes aconteceu. Bom, pelo menos não até aquele instante.
Eu sou meio frágil para lidar com perdas. Mas, com o passar do tempo anda rolando um certo conformismo, uma aceitação mais madura pelo inevitável. Principalmente depois de perder pessoas queridas ao longo desses anos. A gente vai se acostumando. E eu até me vejo mais forte. E sou.
Mas, me levanta se eu cair?!
quinta-feira, 19 de abril de 2018
Bilhetinho de amô
Contigo o riso é frouxo,o abraço é apertado e o sorriso é sincero. Te amo! Te quero muito bem.❤
Ah, o coração... Esse é uma bússola quebrada que nem sempre aponta pro norte,mas quando aponta, é onde a gente tem mais vontade de ficar. Ainda que leve tempo, ainda que doa, ainda que transforme, por tempo indefinido... Eu sou tão apaixonada por quem você era, e por quem você se tornou. Obrigada por ter aparecido na minha vida e por ser esse serumaninho esquisito que divide o peso e a felicidade da vida comigo. Tô morrendo de saudade. Desejo que a gente seja sempre sincero com o que sentimos, que saibamos preservar e cuidar desse amor e que nos ajudemos a sermos o melhor que pudermos pra nós. Se me perguntassem agora o que eu penso em fazer da vida, eu digo assim mesmo: vim pra ser feliz com você.
quarta-feira, 18 de abril de 2018
Tigela de Buda
Eu não sou do tipo vegetariana, vegana e afins. Não que eu não ligue pro sacrifício de animais. E tampouco tenho intolerância à derivados de animais. E não vou entrar no mérito de questionamento. Enfim. Eu amo vegetais, verduras, legumes... E sou apaixonada por saladas. Quanto mais diversificada nos sabores, melhor eu acho.
Aí ouvi falar do Buddha Bowl, e pensei aqui comigo... "Mas eu meio que já faço isso sem saber que isso vem de uma cultura diferente da minha, que legal."
O fato é, que eu curti saber sobre o assunto. De fato, algumas preparações podem levar carne vermelha, peixe, e frango. Tem uma variedade infinita de combinações, e as cores???? Amo!! Sou libriana, vou muito pela estética das coisas, e um prato bonito (além de saboroso) me chama muito a atenção! Eu, literalmente, como com os olhos!!! rsrsrs
terça-feira, 17 de abril de 2018
sexta-feira, 13 de abril de 2018
Nos dias em que estamos juntos, e eu tô aqui encostada no seu colo, fico imaginando o que o resto do mundo anda fazendo e fico pensando que, todo o universo fora da gente tem o direito de se apaixonar por você, - e você pode até me contar do sonho erótico com uma japa-gata, ver minha cara fechar no decorrer do dia e dizer que não sabe o motivo (e eu ter que aceitar que qualquer pessoa tem direito a seus sonhos particulares) e que eu não deveria estar tão brava. Mas eu sou baiana sangue-quente, então dá licença que eu posso sentir o que eu quiser! -, e contudo, sou eu que tô aqui deitada no seu peito dividindo o cobertor.
quinta-feira, 12 de abril de 2018
quarta-feira, 11 de abril de 2018
Como dizem os bombeiros: nenhum incêndio começa grande. Eu era criança e só queria ser a She-Ra. Estou lendo 3 livros ao mesmo tempo, como pode isso dar certo? Acho que dormi e sonhei com ele: eu já deitada, ele chegando de algum lugar já tarde, fala comigo, toma um banho, se deita ao meu lado e me abraça. Dormimos. Foi assim que eu peguei no sono profundo. Que foi bem bonito.
terça-feira, 10 de abril de 2018
Aos céus, pés
Um mergulho para encontrar forças para enfrentar um mundo que foi virado de ponta cabeça. O mundo respira profundamente. Esse não é um relato triste influenciado pela super lua. E nem poderia. É a minha coragem de sentir o que não dá mais, deixar ir o que precisa ir embora. Que só deixe ficar tudo aquilo que não tem a pretensão de sair. Aos poucos, sem hesitar, estou dizendo sim - um sim a que venho prontamente me negando, apoiada pelas paredes que construí em torno do coração. Sem conseguir falar, eu escrevo. Um livro inteiro. Só pra dizer: eu te amo. Mas desisti. Se eu aprendi que se vive mais feliz quem dá tempo a si mesmo para ter coragem de se reinventar? Tô no caminho. Pois não tenho mais a urgência de provar nada pra ninguém.
segunda-feira, 9 de abril de 2018
Só de pirraça, hoje estou feliz. Eu sei que não é fácil acordar quando se sabe que há uma grande chance do salário não ser aumentado, do amor não ser correspondido, do sonho não ser alcançado. É preciso ter claro que, mais cedo ou mais tarde, o céu irá clarear, e faz-se necessário coragem para enfrentar a possibilidade do ridículo, a pirraça do insistente “quase”. Você me olhou com a nostalgia do que eu teria sido, olhou-me ainda com amor. E eu balancei. Te achei sozinho. Você não acreditou que sou feliz, eu te chamei à minha casa. Insisti, mas não creio que você venha.
domingo, 8 de abril de 2018
Revi as fotos que você tirou de mim, meus olhos parecem sinceros. Então não fui eu quem nunca esteve ali e a verdade aparece simples e sutil: eu passaria as piores coisas com você, por você, eu jamais te abandonaria. Refiz a amizade com o meu peito: eu sei amar. De meus olhos saíam um raio bonito e hoje sei que é porque você olhava para mim. Desde quando meus dentes se ausentaram de meu sorriso? Quando começou? Sei que agora voltaram, agora partidos, agora amarelos. Já não nego a dor porque entendi que não há do que ter vergonha, não fui eu, eu estava lá.
sábado, 7 de abril de 2018
Quando o vento sopra assim e muda o rumo das coisas, é normal que nossas asas se quebrem. É normal perder a direção. E é nessas horas que o coração da gente parece sentir mais tudo. Tento acreditar que tudo passa, tudo passará. Mas às vezes duvido. Enquanto você faz planos para quinta-feira de manhã eu roubo histórias da mesa ao lado. Não, não tenha pena de mim. É só cansaço, um pouco de saudade, talvez uma vontade louca de desaparecer por alguns minutos. Feito uma pausa de mil compassos. Enquanto você faz planos para o sábado, vislumbro uma possibilidade de esquecer tudo e começar tudo de novo outra vez. Queria teu coração no meu peito, mas isso já não dá mais para ser. Eu devia estar escrevendo uma crônica política e não pensando em você. Mas é que você me ligou hoje e sentiu que eu não estava bem: meu coração sorriu. Acho que uma das coisas mais difíceis dessa vida é entender que o fim das coisas pode representar de alguma forma um recomeço, um renascimento.
sexta-feira, 6 de abril de 2018
🌼
Eu gosto de gente que senta no chão da casa dos outros. Isso diz muito sobre quem vem à minha casa. Gente que bate na minha porta numa quinta-feira, às três da tarde. Que deixa o calçado na cozinha mesmo que eu não peça. Que abre minha geladeira sem a menor cerimônia porque tem sede e tem livre acesso ao meu abraço.
quinta-feira, 5 de abril de 2018
quarta-feira, 4 de abril de 2018
💔
Eu vejo a confusão das coisas que não me compete resolver e vejo você me dizendo sem uma única palavra: “deixa”. Com todos os percalços, todas as pequenezas, todos esses anos e as distâncias todas, ainda me embeveço quando vejo o seu riso de menino, lindo, lindo, lindo, e penso que coisa triste é o nosso amor não ter dado certo.
De todas as brigas que travei, das brigas que travei por amor ou por aquilo que eu achava que era amor, a que realmente me pesa não ter vencido foi a que talvez não tenha lutado inteligentemente, de outra maneira, com outras armas: a luta que não soube travar por você.
Talvez porque não era pra ser, talvez porque não tenha lutado bem.
De toda maneira, dói.
terça-feira, 3 de abril de 2018
A cama desarrumada revela o segredo do seu corpo. E fica o formato no meu lençol, fica o fio de cabelo no travesseiro. Do seu cinzeiro ainda sai fumaça. Mas na minha cama, a bagunça de uma noite passada.
Pelo chão, garrafas, fragmentos de fatos em flashes na memória. Lembro de como te chamei (ou foi aquela cachaça que te interessou?), de como te mostrei. Você viu, riu, sentiu e deixou o formato da palma em minhas costas, das coxas sobre as coxas, do perfume no meu umbigo, o rastro, a marca. Vejo a fumaça, a garrafa, a cama, o cabelo. O nosso segredo.
:
A cama solitária, desarrumada.
segunda-feira, 2 de abril de 2018
Tem gente que passa em nossa vida com a intenção de nos fazer duvidar do amor - exatamente quando você está lá, por um fio, descrendo de tudo, - e quer saber? Não as desprezo, porque as frustrações, as decepções, todas essas coisas têm o seu valor, e nos ensinam algo. Eu tenho um medo danado de perder, deixar ir, de ser traída, de ser trocada, deixada (puro reflexo das relações que tive, eu sei). Mas essas pessoas... Elas nos mostram o quanto precisamos melhorar em alguma coisa, - na fé sobre a vida, - e olhar com mais cuidado para quem nos cuida, nos valoriza... Sou agradecida por quem não desiste de mim mesmo quando eu mereço. Será que é normal não estarmos preparados para “dar certo”?
domingo, 1 de abril de 2018
Hoje já é outro ano, que começa com os arianos. Sereno, atento, intenso, cheio das pequenas dificuldades cotidianas que precisarão ser vencidas só pra você chegar em casa e me ver sorrir. Você no chuveiro, eu perguntando como é que foi o dia, e você querendo saber se eu ainda tô de mau humor e eu sentada no vaso, simulando um xixi eterno, só pra ficar admirando teu corpo nu através da cortina do banheiro. Você no chuveiro, ouvindo meus excessos, contando teus causos, falando sacanagem, simulando um universo que eu quero guardar pra eternidade. É você, o meu bom dia, o meu jantar a luz de velas, o meu amasso na madrugada e o meu sono pela metade.
Tudo na vida tem um motivo, moço.
sábado, 31 de março de 2018
O mesmo quarto, o mesmo jeito de acordar, o mesmo banheiro, o mesmo problema no chuveiro, o mesmo reflexo no espelho. Li e reli a tal “sorte de hoje”, e geralmente, ela é repetitiva, porque diz que terei uma velhice confortável, o que acaba me garantindo que morrerei velha e feliz, ou seja, não terei dificuldades com contas a serem pagas, terei uma família estruturada, e provavelmente eu tenha uma cama confortável, ou um sofá, vai saber. A “sorte de hoje” sempre acaba me fazendo pensar além do que ela diz. Tem dia que eu não agüento ficar apenas andando entre cômodos, preciso transitar entre ruas e avenidas. Pego a jaqueta jeans e saio. Sempre o mesmo trajeto e o mesmo destino. Os mesmos "bom dia, Zé", os mesmos silêncios. Enquanto sigo minha rotina, me sento vez ou outra em um dos bancos amarelos do parque e percebo que em cada um daqueles bancos eu guardo uma lembrança em particular. Não farei mais planos para envelhecer e nem para ser uma avó contadora de histórias emocionantes de uma vida não tão emocionante. Acabarei não fazendo bolo de sorvete, e sim, veja que ironia, bolo de milho.
sábado, 10 de março de 2018
Quero te dizer que amo e sinto falta da insistência em certos carinhos tão seus. Amo, quando mesmo entre amigos e cervejas, pegas minha mão. Eu gosto de ver seus olhos abertos, divididos entre me fitar de soslaio e prestar atenção à conversa das pessoas na mesa que estamos. Penso: Sou feliz. Gosto principalmente de você correndo atrás de mim numa rua alagada, no meio de uma chuva infernal pisando nas poças pra me molhar irritantemente às gargalhadas. Lembro disso agora, sozinha neste quarto e o travesseiro, que não estamos dividindo, riu como se fosse você, bem da minha cara. Só consigo te odiar pelas faltas e ausências. Pelas mulheres de antes. Odeio suas certezas à meu respeito. Te odeio pela minha insônia. Mas a verdade é que sou sim, apaixonada. Fui ensinada a não falar de boca cheia e não pôr os cotovelos na mesa. No bar, então, entre amigos e cervejas, te prometo minha mão em cima da mesa, novamente à tua espera.
Depois de alguns meses vivendo na casa do meu namorado no Rio, finalmente voltei pra casa na Bahia. Nesse período, eu devo ter sentido mais coisas do que senti em todo o ano que já se passou. Uma coisa acontecendo atrás da outra. Das mais tristes, às mais alegres. No meio de todas elas, eu, tentando manter a calma e aproveitar o que tava ali pronto pra ser vivido. Teve dia que não deu, mas esses foram poucos.
Cheguei num sábado à noite, com uma lista imensa de coisas pra fazer: até seria ok fazer depois (mas para mim não porque é angustiante saber que o banheiro não tá limpinho ou que já tá dando pra morar dentro do armário de comida). Estava me sentindo triste pelo silêncio e solidão repentinos… E por falar em deixar pra depois, eu sempre amei ler, mas recentemente meu ritmo diminuiu. Finjo que não tenho tempo e ocupo todo espaço livre com outras futilidades. como beber café, por exemplo. Tem um certo glamour em beber café e que eu confesso que adotei pra mim. Quando bebo exageradamente, eu oscilo entre querer publicar um livro e salvar o mundo.
Desde que meu namorado decidiu passar as férias dele aqui na Bahia (já que não aguentamos muito tempo de saudade, como sempre), os dias passam devagar, - o dia de sua vinda se arrasta como um jabuti cansado. Troquei alguns móveis de lugar algumas trocentas vezes, vejo filmes antes de dormir para acelerar o sono, fiz uma faxinaço no apartamento, descobri que não tinha internet em casa e já passei mais cafés do que eu provavelmente deveria.
Atualmente ocupo sozinha o apartamento. Estou naquela ansiedade pela vinda do namorado, porque vou me teletransportar para todas as vezes que eu viajei para estar perto dele, encaixada na rotina dele. E aqui vai ser igual, mas um tanto diferente. Ele vai me conhecer mais, talvez prestando um pouco mais de atenção nas coisas que eu faço, do jeito que eu faço. Serão apenas duas semanas, mas espero que ele goste e que queira voltar mais vezes. E nessa ansiedade toda, forçar uma imagem super madura quando dentro da gente tá tudo confuso não significa nada.
terça-feira, 14 de abril de 2015
quarta-feira, 8 de abril de 2015
quinta-feira, 26 de março de 2015
Um poema
Não ser ninguém-a-não-ser-você-mesmo,
num mundo que faz todo o possível, noite e dia,
para transformá-lo em outra pessoa –
significa travar a batalha mais dura
que um ser humano pode enfrentar;
e, essencialmente, jamais parar de lutar
E. E. Cummingsnum mundo que faz todo o possível, noite e dia,
para transformá-lo em outra pessoa –
significa travar a batalha mais dura
que um ser humano pode enfrentar;
e, essencialmente, jamais parar de lutar
terça-feira, 10 de junho de 2014
segunda-feira, 21 de outubro de 2013
segunda-feira, 16 de setembro de 2013
O Segredo do Lírios
A delicadeza, o susto, o amor incondicional. É dessa forma que se retrata a descoberta da homossexualidade neste curta.
O curta mostra o depoimento de três mães que possuem filhas lésbicas e cada um conta histórias de quando as garotas eram pequenas, quando contaram a elas sobre a sua sexualidade, os sustos e a aceitação. Cada mãe a sua maneira.
segunda-feira, 4 de março de 2013
Quem nunca fez um varal particular?
Não se pode (e nem se deve) viver na inércia de fingir que não houve um passado, e é para isso que os vestígios existem. Ali, em pé, a menina lava as próprias peças na pia do banheiro. A situação de estar ali de pé, ansiosa para viajar e as esfregando, a fez rir. Virou o rosto em direção ao box de vidro, um filme curto passou rapidamente em sua cabeça. Riu. Riu do vínculo afetivo que criou com elas e dos acontecimentos enquanto as usava.Enquanto as olhava uma do lado das outras, limpinhas e cheirosas, viu sinais de momentos vividos. Suspirou. Quem nunca fez um varal particular?
sexta-feira, 10 de dezembro de 2010
Jornal O Bozó - Perfil
Há nove anos fazendo sucesso com a clientela do bairro do Imbuí, Edgar é um homem simples, comunicativo e curioso que encontrou na comercialização do abará uma maneira de inovar no sabor de um dos principais quitutes da Bahia.
Mayra de Miranda (mayrademiranda@yahoo.com.br)
Seu nome é Edgar, tem 35 anos, mas todo mundo o conhece como Original, e é dono da bicicleta estilizada onde transporta seu produto – o Abará Móvel. Soteropolitano e com interesse por essa comida trazida pelos africanos para o Brasil, Edgar pesquisou o sabor, as variações, e com o tempo foi desenvolvendo receitas diferentes para fazer o abará. Surgiram no decorrer desses nove anos mais de 28 sabores diferentes: abará com azeitona, com bacalhau, com sardinha…
Quando cheguei na hora do nosso encontro em sua casa, ouvi prontamente um “E aí, tudo originalizado?”, como sempre sorrindo e juntando as palmas das mãos à frente do peito e acenando com a cabeça – lembrando o cumprimento dos japoneses. Original também estava acabando de chegar em casa, abrindo seu cantinho, que ele chama de “minha cozinha”. O espaço é uma loja alugada, com uma porta de correr de ferro comum a esse tipo de estabelecimento. De estatura média e pele clara – alguns chamam de parda -, foi uma surpresa vê-lo sem a roupa tradicional (trajes africanos: roupas com estampas africanas, calça pescador e blusa, sandália de couro, boina, colar de semente e guias). Estava de bermuda jeans, sem camisa, separou certa quantidade de camarão seco para descascar e quis dar início a nossa conversa.
Logo na entrada fica seu material de trabalho, duas bicicletas estilizadas, um tabuleiro – igual a das baianas que a gente vê por aí, que ele usa quando faz eventos, dois freezers. A loja, ou a cozinha, como ele prefere chamar, ainda tem o banheiro, e nos fundos, a pequena cozinha propriamente dita. Nesse canto é também onde ele mora.
O começo – Tinha um emprego fixo. Era assessor parlamentar. Mas, sem dinheiro no carnaval de 2001, Edgar queria vender algum produto para passear com sua esposa na época, na Quarta-feira de Cinzas. “Na verdade eu já tinha uma experiência em vendas, eu sei vender, tenho certa prática, de lidar com pessoas, apresentar o produto, né?”.
Edgar tem um círculo familiar pequeno – uma irmã e a mãe. Mas quando indaguei, ele afirmou que não entrou nessa por influência da família; e, continuou… No carnaval, como tinha duas amigas que são baianas de acarajé, elas o ajudaram a preparar 100 abarás tradicionais e ele conseguiu vender tudo em uma hora e meia, com seu jeito comunicativo e criativo. Satisfeito com os elogios do pessoal, se empolgou e entrou na onda de produzir e vender juntamente com sua companheira. O casamento não deu certo, mas a clientela continuou bem feliz e satisfeita e isso o motivou a continuar.
Paralelamente ao trabalho formal de assessor, aproveitou seu tino para vendas, começou a comercializar o seu produto para os lojistas do Shopping Barra, transportava os quitutes em sacolas térmicas, entregava em embalagens discretas para despistar. Também vendia no bairro boêmio do Rio Vermelho, mas como havia se mudado para a Boca do Rio, resolveu, depois de um tempo, fixar suas vendas na região do bairro do Imbuí, e, quando sentiu que podia seguir em frente, largou o emprego na política. Como o negócio é próprio, ele mesmo faz seu calendário e tira folga sempre que dá, geralmente em um mês ele faz seus passeios por quatro ou cinco dias.
Tradição e criatividade – Para manter a tradição, ele serve o abará como, segundo ele, era servido na África, fechado e com as opções misturadas na massa. Mas ele também destaca a criatividade culinária como parte de sua arte, e conta que inovou no abará de forno – que chama de abarafo – ou com menos azeite de dendê, ou sem camarão, mais leve.
Entre os 28 sabores, os mais pedidos pelos clientes são: camarão, bacalhau, manjericão, merluza, atum, sardinha, azeitona, florestal, turbinado, alho grego, ervas finas, erva-apimentada, Xlight Consistente, anti-alérgico (com outros temperos, sem o camarão), extra-protéico… Extra-protéico? “É proteinado, vitaminado e anti-alérgico!”. Como é um petisco bem temperado, ele serve de acompanhamento apenas um patê de pimenta criado por ele mesmo, que ele chama de “Vatá-Patê”.
“Não é fácil satisfazer o paladar das pessoas”, ele conta, “mas ao oferecer a degustação faz com que o abará seja aceito”. Hoje, Edgar chega a vender uma média de 150 durante o fim de semana e 40, 50 durante a semana. Vai às feiras quase todos os dias, São Joaquim, Sete Portas, e algumas vezes recebe o produto em casa.
Sempre inventando sabores, criou o “chocobara”, para a época da Páscoa, feito para os clientes mais especiais. São 14 quilos de chocolate, preparados e embalados igualzinho a um abará tradicional, que surpreende o cliente que acha que está ganhando um abará temperado do seu cardápio costumeiro. Perguntei, com água na boca, se para o Natal também há um abará-surpresa, mas ele disse que, para essa época não prepara nenhum quitute original, mas enfeita o Abará Móvel com luzes e renas – estas, feitas de espuma envoltas com papel laminado.
Um de seus objetivos atuais é juntar o dinheiro do seu trabalho para comprar a casa própria. Como nesse momento ele fala em Deus, aproveitei para perguntar se ele tem alguma religião: “Eu sou espiritualista”, diz rápido e sorridente. Depois de muito tempo de conversas e observações, me despeço, ele brinca: “É só isso mesmo? (risos) Bem rápida e original igual a mim! (risos)”. Com as mãos avermelhadas pelo camarão, ele se despede da mesma forma que me cumprimentou: “Uma boa tarde originalizada pra você!”.Aperto seu pulso, e agradeço, me sentindo energizada.
Este texto também está lá, no Jornal O Bozó.
segunda-feira, 21 de junho de 2010
Espantei a chuva com um sopro. Hoje não é dia de chover. Eu tenho um certo amor por coisas pequenas. Não sei se vou conseguir te explicar as coisas pequenas, mas troco o termo por coisas frágeis. Tenho certo amor por coisas frágeis. Talvez, ela tenha entendido que não era pra ser mesmo, somos pássaros, voamos conforme o vento, nosso elo foi a música. Dentre tantas palavras bonitas que guardo roubadas, dentre tanta timidez insistente que me franze a testa e silêncios tantos, o que mais gosto em mim é quando estou diante de um instante de felicidade. Aprendi com a Corina a abrir sinaleiras com um sopro, e sorrir. Agradeço a todos que de alguma forma me ajudaram a endurecer um pouco, ser menos frágil e mais ácida. Vivo brigando comigo mesma, me sinto enferrujada. Eu ainda sei fazer piada, vê. Saio sorrateiramente da mesa até que ninguém me note.
20 de junho de 2010.
20 de junho de 2010.
sexta-feira, 9 de abril de 2010
Desde o início da semana notícias dos temporais no Rio de Janeiro e em outras cidades, tem feito muita gente reforçar a ideia do fim dos tempos... Estamos passando por transformações climáticas que, querendo ou não, tem a ver diretamente com a nosso comportamento na Terra e a maneira como nos dispomos neste mundo, como estamos tratando a natureza e a relação com o outro. E, pelo que tudo indica, a tendência é piorar. Não que eu não tivesse a visão otimista das coisas, mas né, prestemos atenção nos resultados de tantos anos de agressão a este planeta. Nada mais certeiro do que ele reagir dessa forma, tal e qual acontece conosco. Lei da ação e reação.
Como se não bastasse no Rio, com seu mar de ondas grandes (ressacas), invadindo calçamentos, ruas, esgostos transbordantes, canos entupidos, lixo, lixo. Lá, para um Tsunami acabar com tudo é pulo!!! Resultado: muitas mortes por soterramentos e muita gente desabrigada. E o governo do Rio lança um Decreto que permite a retirada de moradores de áreas de risco, mesmo que precise usar a força (bruta). E na minha opinião, poderia ser seguido o exemplo de Paris, onde o governo retira moradores de áreas de risco e paga indenizações devidas. Ou seja, as pessoas deixam tudo para trás, porém, com uma certa garantia de poder refazer sua vida.
A Bahia também está passando mal. Obras desordenadas e mal planejadas. Populaçãos ribeirinhas fazendo estragos em volta de rios. Tanta água e lixo não têm para onde escoar. Pessoas desabrigadas, mas que não querem deixar seus lares, as poucas coisas que olhes restam. A gente vê o trânsito ficar ruim, os buracos se formarem, temporais levando tudo embora. Tudo por conta de mal planejamento, e falta de estrutura física para todas essas regiões que sofrem.
A previsão é de mais chuvas, mais temporais. Eu, particularmente, espero que melhore, que o clima nos dê uma trégua, para que as pessoas não entrem em desespero. Como no Rio, que tem acontecido alguns arrastões. As pessoas se aproveitando desse momento de fragilidade para matar e roubar as outras, causando medo e pavor entre todos.
É preciso que tenhamos pulso firme, que exijamos soluções e que também sejamos capazes de cooperar, ao invés de só exigir respostas e resultados. As eleições estão aí e sempre é tempo de pensar no melhor para todos. Chega de discursos e promessas vazias.
Como se não bastasse no Rio, com seu mar de ondas grandes (ressacas), invadindo calçamentos, ruas, esgostos transbordantes, canos entupidos, lixo, lixo. Lá, para um Tsunami acabar com tudo é pulo!!! Resultado: muitas mortes por soterramentos e muita gente desabrigada. E o governo do Rio lança um Decreto que permite a retirada de moradores de áreas de risco, mesmo que precise usar a força (bruta). E na minha opinião, poderia ser seguido o exemplo de Paris, onde o governo retira moradores de áreas de risco e paga indenizações devidas. Ou seja, as pessoas deixam tudo para trás, porém, com uma certa garantia de poder refazer sua vida.
A Bahia também está passando mal. Obras desordenadas e mal planejadas. Populaçãos ribeirinhas fazendo estragos em volta de rios. Tanta água e lixo não têm para onde escoar. Pessoas desabrigadas, mas que não querem deixar seus lares, as poucas coisas que olhes restam. A gente vê o trânsito ficar ruim, os buracos se formarem, temporais levando tudo embora. Tudo por conta de mal planejamento, e falta de estrutura física para todas essas regiões que sofrem.
A previsão é de mais chuvas, mais temporais. Eu, particularmente, espero que melhore, que o clima nos dê uma trégua, para que as pessoas não entrem em desespero. Como no Rio, que tem acontecido alguns arrastões. As pessoas se aproveitando desse momento de fragilidade para matar e roubar as outras, causando medo e pavor entre todos.
É preciso que tenhamos pulso firme, que exijamos soluções e que também sejamos capazes de cooperar, ao invés de só exigir respostas e resultados. As eleições estão aí e sempre é tempo de pensar no melhor para todos. Chega de discursos e promessas vazias.
terça-feira, 12 de janeiro de 2010
Je veux apprendre le français
Resolvi ser autodidata e aprender francês.
Hahaha, separei um bloc-notes vert para as anotações, e faço tudo online, pego tudo o que for básico e daqui um tempo estarei lendo jornais franceses, hahahaha...
É uma língua realmente sedutora. Adoro o sotaque, o som das palavras.
Ai ai...
Au revoir!
Hahaha, separei um bloc-notes vert para as anotações, e faço tudo online, pego tudo o que for básico e daqui um tempo estarei lendo jornais franceses, hahahaha...
É uma língua realmente sedutora. Adoro o sotaque, o som das palavras.
Ai ai...
Au revoir!
segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
“Pitanga é ruim, mas é bão”
Eu não me sinto daqui, mas gosto daqui. Eu sempre tenho tanto a dizer e quando falo não digo nada com nada... Eu vago no espaço a procura de respostas, mas já entendi que algumas coisas, certas e imutáveis, nunca serão respondidas. Eu acredito no céu, assim como em deus, assim como na natureza e nos homens. Eu gosto do mar, de fotografia e de doce-de-leite. E eu tenho o santo forte! E só quero colher em paz minhas pitangas caseiras e desfrutar deste não fazer nada tão agradável, nestes dias de "horário de verão" (#cinismo).
domingo, 20 de dezembro de 2009
terça-feira, 20 de outubro de 2009
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
quarta-feira, 6 de maio de 2009
Ternura eterna
"Prefiro enfrentar um soldado a um jornalista"
Che, de Steven Soderbergh
Che, de Steven Soderbergh

Estou ansiosa para ver o filme. Eu sou fã da história dele.
Ele é um mito, convenhamos. E por enquanto está no topo da lista de meus heróis (porque precisamos tê-los). Um cara que cuidou do que era dele, com asma, com limitações diversas. A revolução de Che começa dele para ele mesmo. De outro modo, como nos lamentar mesmo por tudo o que gostaríamos de ter feito mas não fizemos?
quarta-feira, 15 de abril de 2009
Será que Caetano vai gostar?
A Bahia tem muitos estilos. Na música isso não é tão difícil perceber, para quem vive aqui, claro.
A indústria vive para o Axé Music, mas a Bahia vai além. É muito mais que isso, e tem muita gente bacana tocando por aqui. Eu gosto dessas bandas independentes, de estilo alternativo, que encontra no rock´n´roll, na MPB, no samba de roda do Recôncavo, na música eletrônica, no rocksamba à moda dos Novos Baianos, no triphop, na velha bossa nova, no forró, as muitas caras da cidade.
Li a respeito da Marcela Bellas, fui ao site conferir seu trabalho. Gostei bastante das músicas, me deram muito prazer em escutá-la. Em uma entrevista à Revista Muito, do jornal A Tarde, Marcela conta que o nome do disco se deve a sua grande admiração pelo Caetano Veloso. Para mim vem bem a calhar, pois se Caetano consegue gostar de Psirico - quebrando o tabu de que os intelectualóides não podem gostar do simples, do que vem a ser do povo, só nos resta saber se os outros tantos metidos a pseudo-cultos são capazes de largar o copinho de whisky, e seus best-sellers para apreciar um som que nem requer compromisso.
Site da Marcela Bellas
A indústria vive para o Axé Music, mas a Bahia vai além. É muito mais que isso, e tem muita gente bacana tocando por aqui. Eu gosto dessas bandas independentes, de estilo alternativo, que encontra no rock´n´roll, na MPB, no samba de roda do Recôncavo, na música eletrônica, no rocksamba à moda dos Novos Baianos, no triphop, na velha bossa nova, no forró, as muitas caras da cidade.
Li a respeito da Marcela Bellas, fui ao site conferir seu trabalho. Gostei bastante das músicas, me deram muito prazer em escutá-la. Em uma entrevista à Revista Muito, do jornal A Tarde, Marcela conta que o nome do disco se deve a sua grande admiração pelo Caetano Veloso. Para mim vem bem a calhar, pois se Caetano consegue gostar de Psirico - quebrando o tabu de que os intelectualóides não podem gostar do simples, do que vem a ser do povo, só nos resta saber se os outros tantos metidos a pseudo-cultos são capazes de largar o copinho de whisky, e seus best-sellers para apreciar um som que nem requer compromisso.
Site da Marcela Bellas
sexta-feira, 3 de abril de 2009
Baianidade - Crônica
A Bahia da caricatura é aquela na qual as pessoas de fora vêem uma rede esticada, muito suor e muita preguiça. Digo que é folclore. Não apenas pelo fato de ser baiana e falar de baianidade, me ligando diretamente às minhas raízes, devota que sou de Nossa Senhora do Dendê. Salvador é uma cidade vibrante, cosmopolita, que está bombando na área imobiliária.
Falar de baianidade em si não é somente a descrição exata das festas populares ou dos nossos traços marcantes, ditos como baianos. Na realidade, não é nem mesmo uma filosofia de vida ou doutrina zelosa a qual nós, nos entregamos de corpo e espírito – apesar de que tanto o corpo como o espírito têm muito haver com o assunto. É ser em uma simples palavra, baiano. Que não é lerdo, ou devagar. Ele só não é bobo de ter as angústias que os outros têm.
Tem gente que acha que Salvador dá choque – choque de culturas quero dizer. Essa história do carnaval o ano todo, do sossego radical, do timing só do baiano. O verdadeiro choque é de outra natureza: é o choque da magia que perfuma o ar, de uma malemolência que não tem a ver com indolência, de uma paisagem que não há pressa nem tensão que consiga estragar. Numa outra crônica que escrevi enquanto morava no Rio de Janeiro, eu dizia que a vontade de Bahia está acima de qualquer problema. Problemas no trabalho: Bahia; briga na família: Bahia; fim de namoro: Bahia... Por que só há no mundo um lugar que permita todos os gritos, sem profanar o sagrado de cada silêncio. Bahia de Todos os Santos e a benção de problema nenhum.
O baiano sabe sentir – ao pé da letra – sua cidade. A relação do morador com Salvador é sensual, afetuosa, emocional. Depois de algum tempo surgem outras imersões. Mergulhe no candomblé: culto de beleza e de tolerância. A Bahia, a começar por Salvador, é a garantia de que o Brasil nunca perderá seu sangue negro e sua raiz afro. Não por acaso o Brasil foi descoberto na Bahia. Aqui foi que tudo começou. E no fundo, todo brasileiro se sente íntimo da cidade, mesmo sem nunca ter posto os pés aqui.
O Rio deu Villa-Lobos, Tom Jobim e Chico Buarque, mas nenhum deles se empenhou tanto em descrever a cidade como Dorival Caymmi fez com sua terra natal. As pessoas não precisam vir até aqui para saber como é a Lagoa do Abaeté, a procissão para Iemanjá... Caymmi criou até samba-receita para revelar como se faz vatapá. Sem falar de Jorge Amado e Carybé (ter nascido na Argentina foi um mero acidente para o pintor), que carimbaram imagens definitivas em nossos cérebros. Quem vem de longe, e ouve o seu chamado, logo sente o afago da doce brisa desses ventos elísios, como bem descreveu Vinícius de Moraes, "que é bom passar uma tarde em Itapuã”.
A Bahia de Todos os Santos, cidade de dois andares e muitas colinas, perdeu o medo de se sentir radicalmente contemporânea, mesmo porque o hálito de mudança urbanística, cultural e social que dela emana hoje não compromete a tradição, porque a Bahia não pode viver sem sua abusada tropicalidade. Isto é um pouco da baianidade que te juro, não sei nem um décimo: o sorrir do corpo, o rejubilar da alma, numa sincronia encontrada apenas aqui, na Bahia.
E você, “... já foi à Bahia, nêga?”
Não?
“... então vá!”
Falar de baianidade em si não é somente a descrição exata das festas populares ou dos nossos traços marcantes, ditos como baianos. Na realidade, não é nem mesmo uma filosofia de vida ou doutrina zelosa a qual nós, nos entregamos de corpo e espírito – apesar de que tanto o corpo como o espírito têm muito haver com o assunto. É ser em uma simples palavra, baiano. Que não é lerdo, ou devagar. Ele só não é bobo de ter as angústias que os outros têm.
Tem gente que acha que Salvador dá choque – choque de culturas quero dizer. Essa história do carnaval o ano todo, do sossego radical, do timing só do baiano. O verdadeiro choque é de outra natureza: é o choque da magia que perfuma o ar, de uma malemolência que não tem a ver com indolência, de uma paisagem que não há pressa nem tensão que consiga estragar. Numa outra crônica que escrevi enquanto morava no Rio de Janeiro, eu dizia que a vontade de Bahia está acima de qualquer problema. Problemas no trabalho: Bahia; briga na família: Bahia; fim de namoro: Bahia... Por que só há no mundo um lugar que permita todos os gritos, sem profanar o sagrado de cada silêncio. Bahia de Todos os Santos e a benção de problema nenhum.
O baiano sabe sentir – ao pé da letra – sua cidade. A relação do morador com Salvador é sensual, afetuosa, emocional. Depois de algum tempo surgem outras imersões. Mergulhe no candomblé: culto de beleza e de tolerância. A Bahia, a começar por Salvador, é a garantia de que o Brasil nunca perderá seu sangue negro e sua raiz afro. Não por acaso o Brasil foi descoberto na Bahia. Aqui foi que tudo começou. E no fundo, todo brasileiro se sente íntimo da cidade, mesmo sem nunca ter posto os pés aqui.
O Rio deu Villa-Lobos, Tom Jobim e Chico Buarque, mas nenhum deles se empenhou tanto em descrever a cidade como Dorival Caymmi fez com sua terra natal. As pessoas não precisam vir até aqui para saber como é a Lagoa do Abaeté, a procissão para Iemanjá... Caymmi criou até samba-receita para revelar como se faz vatapá. Sem falar de Jorge Amado e Carybé (ter nascido na Argentina foi um mero acidente para o pintor), que carimbaram imagens definitivas em nossos cérebros. Quem vem de longe, e ouve o seu chamado, logo sente o afago da doce brisa desses ventos elísios, como bem descreveu Vinícius de Moraes, "que é bom passar uma tarde em Itapuã”.
A Bahia de Todos os Santos, cidade de dois andares e muitas colinas, perdeu o medo de se sentir radicalmente contemporânea, mesmo porque o hálito de mudança urbanística, cultural e social que dela emana hoje não compromete a tradição, porque a Bahia não pode viver sem sua abusada tropicalidade. Isto é um pouco da baianidade que te juro, não sei nem um décimo: o sorrir do corpo, o rejubilar da alma, numa sincronia encontrada apenas aqui, na Bahia.
E você, “... já foi à Bahia, nêga?”
Não?
“... então vá!”
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