segunda-feira, 21 de junho de 2010

Espantei a chuva com um sopro. Hoje não é dia de chover. Eu tenho um certo amor por coisas pequenas. Não sei se vou conseguir te explicar as coisas pequenas, mas troco o termo por coisas frágeis. Tenho certo amor por coisas frágeis. Talvez, ela tenha entendido que não era pra ser mesmo, somos pássaros, voamos conforme o vento, nosso elo foi a música. Dentre tantas palavras bonitas que guardo roubadas, dentre tanta timidez insistente que me franze a testa e silêncios tantos, o que mais gosto em mim é quando estou diante de um instante de felicidade. Aprendi com a Corina a abrir sinaleiras com um sopro, e sorrir. Agradeço a todos que de alguma forma me ajudaram a endurecer um pouco, ser menos frágil e mais ácida. Vivo brigando comigo mesma, me sinto enferrujada. Eu ainda sei fazer piada, vê. Saio sorrateiramente da mesa até que ninguém me note.

20 de junho de 2010.


sexta-feira, 9 de abril de 2010

Desde o início da semana notícias dos temporais no Rio de Janeiro e em outras cidades, tem feito muita gente reforçar a ideia do fim dos tempos... Estamos passando por transformações climáticas que, querendo ou não, tem a ver diretamente com a nosso comportamento na Terra e a maneira como nos dispomos neste mundo, como estamos tratando a natureza e a relação com o outro. E, pelo que tudo indica, a tendência é piorar. Não que eu não tivesse a visão otimista das coisas, mas né, prestemos atenção nos resultados de tantos anos de agressão a este planeta. Nada mais certeiro do que ele reagir dessa forma, tal e qual acontece conosco. Lei da ação e reação.

Como se não bastasse no Rio, com seu mar de ondas grandes (ressacas), invadindo calçamentos, ruas, esgostos transbordantes, canos entupidos, lixo, lixo. Lá, para um Tsunami acabar com tudo é pulo!!! Resultado: muitas mortes por soterramentos e muita gente desabrigada. E o governo do Rio lança um Decreto que permite a retirada de moradores de áreas de risco, mesmo que precise usar a força (bruta). E na minha opinião, poderia ser seguido o exemplo de Paris, onde o governo retira moradores de áreas de risco e paga indenizações devidas. Ou seja, as pessoas deixam tudo para trás, porém, com uma certa garantia de poder refazer sua vida.

A Bahia também está passando mal. Obras desordenadas e mal planejadas. Populaçãos ribeirinhas fazendo estragos em volta de rios. Tanta água e lixo não têm para onde escoar. Pessoas desabrigadas, mas que não querem deixar seus lares, as poucas coisas que olhes restam. A gente vê o trânsito ficar ruim, os buracos se formarem, temporais levando tudo embora. Tudo por conta de mal planejamento, e falta de estrutura física para todas essas regiões que sofrem.

A previsão é de mais chuvas, mais temporais. Eu, particularmente, espero que melhore, que o clima nos dê uma trégua, para que as pessoas não entrem em desespero. Como no Rio, que tem acontecido alguns arrastões. As pessoas se aproveitando desse momento de fragilidade para matar e roubar as outras, causando medo e pavor entre todos.

É preciso que tenhamos pulso firme, que exijamos soluções e que também sejamos capazes de cooperar, ao invés de só exigir respostas e resultados. As eleições estão aí e sempre é tempo de pensar no melhor para todos. Chega de discursos e promessas vazias.


terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Je veux apprendre le français

Resolvi ser autodidata e aprender francês.
Hahaha, separei um bloc-notes vert para as anotações, e faço tudo online, pego tudo o que for básico e daqui um tempo estarei lendo jornais franceses, hahahaha...

É uma língua realmente sedutora. Adoro o sotaque, o som das palavras.
Ai ai...


Au revoir!


segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

“Pitanga é ruim, mas é bão”

Eu não sou doce como pitanga, nem amarga, eu choro e sorrio com intensidade, eu sou querida e por vezes odiada. Possuo uns 10 pézinhos de pitanga aqui no meu quintal. [Meus vizinhos são parentes-não-sei-que-grau de Camila, aquela moça talentosa da televisão. E pelo que sei, o velho Seu Pitanga gosta mesmo é de ficar na casinha da Ilha (de Itaparica), onde passa longas temporadas, com seu cão chamado Sushi. Tá certo ele.] Colher pitangas é um verdadeiro exercício de disfarçado constrangimento - não olho para lado nenhum que não para as pontas dos galhos, com receio de encontrar algum olhar de censura, pois que há uma circunstância que não está a meu favor: não fui menina de convivência com pitangueiras ou quaisquer outro pé. E o que tenho a meu favor? feiras e mercados não vendem pitanga. É fruta que recusa o comércio: não dura, amassa na manipulação, fere-se, fica passada, mela, fermenta. Portanto a pitanga – exceto a Camila – não é bem vista nos meios rurais, que ela só serve para entreter namorados que, sob a desculpa de colher pitangas, se escondem por horas a fio entre pitangueiras. Lá, já me disseram, ficam um bom tempo não se sabe o que fazendo. Estarão engolindo os caroços?
Eu não me sinto daqui, mas gosto daqui. Eu sempre tenho tanto a dizer e quando falo não digo nada com nada... Eu vago no espaço a procura de respostas, mas já entendi que algumas coisas, certas e imutáveis, nunca serão respondidas. Eu acredito no céu, assim como em deus, assim como na natureza e nos homens. Eu gosto do mar, de fotografia e de doce-de-leite. E eu tenho o santo forte! E só quero colher em paz minhas pitangas caseiras e desfrutar deste não fazer nada tão agradável, nestes dias de "horário de verão" (#cinismo).



domingo, 20 de dezembro de 2009

É verdade que, quanto mais a gente toma conhecimento das coisas do mundo, menos interessante ele se torna?




quarta-feira, 6 de maio de 2009

Ternura eterna

"Prefiro enfrentar um soldado a um jornalista"
Che, de Steven Soderbergh



Estou ansiosa para ver o filme. Eu sou fã da história dele.
Ele é um mito, convenhamos. E por enquanto está no topo da lista de meus heróis (porque precisamos tê-los). Um cara que cuidou do que era dele, com asma, com limitações diversas. A revolução de Che começa dele para ele mesmo. De outro modo, como nos lamentar mesmo por tudo o que gostaríamos de ter feito mas não fizemos?









quarta-feira, 15 de abril de 2009

Será que Caetano vai gostar?

A Bahia tem muitos estilos. Na música isso não é tão difícil perceber, para quem vive aqui, claro.
A indústria vive para o Axé Music, mas a Bahia vai além. É muito mais que isso, e tem muita gente bacana tocando por aqui. Eu gosto dessas bandas independentes, de estilo alternativo, que encontra no rock´n´roll, na MPB, no samba de roda do Recôncavo, na música eletrônica, no rocksamba à moda dos Novos Baianos, no triphop, na velha bossa nova, no forró, as muitas caras da cidade.
Li a respeito da Marcela Bellas, fui ao site conferir seu trabalho. Gostei bastante das músicas, me deram muito prazer em escutá-la. Em uma entrevista à Revista Muito, do jornal A Tarde, Marcela conta que o nome do disco se deve a sua grande admiração pelo Caetano Veloso. Para mim vem bem a calhar, pois se Caetano consegue gostar de Psirico - quebrando o tabu de que os intelectualóides não podem gostar do simples, do que vem a ser do povo, só nos resta saber se os outros tantos metidos a pseudo-cultos são capazes de largar o copinho de whisky, e seus best-sellers para apreciar um som que nem requer compromisso.




Site da Marcela Bellas





sexta-feira, 3 de abril de 2009

Baianidade - Crônica

A Bahia da caricatura é aquela na qual as pessoas de fora vêem uma rede esticada, muito suor e muita preguiça. Digo que é folclore. Não apenas pelo fato de ser baiana e falar de baianidade, me ligando diretamente às minhas raízes, devota que sou de Nossa Senhora do Dendê. Salvador é uma cidade vibrante, cosmopolita, que está bombando na área imobiliária.
Falar de baianidade em si não é somente a descrição exata das festas populares ou dos nossos traços marcantes, ditos como baianos. Na realidade, não é nem mesmo uma filosofia de vida ou doutrina zelosa a qual nós, nos entregamos de corpo e espírito – apesar de que tanto o corpo como o espírito têm muito haver com o assunto. É ser em uma simples palavra, baiano. Que não é lerdo, ou devagar. Ele só não é bobo de ter as angústias que os outros têm.
Tem gente que acha que Salvador dá choque – choque de culturas quero dizer. Essa história do carnaval o ano todo, do sossego radical, do timing só do baiano. O verdadeiro choque é de outra natureza: é o choque da magia que perfuma o ar, de uma malemolência que não tem a ver com indolência, de uma paisagem que não há pressa nem tensão que consiga estragar. Numa outra crônica que escrevi enquanto morava no Rio de Janeiro, eu dizia que a vontade de Bahia está acima de qualquer problema. Problemas no trabalho: Bahia; briga na família: Bahia; fim de namoro: Bahia... Por que só há no mundo um lugar que permita todos os gritos, sem profanar o sagrado de cada silêncio. Bahia de Todos os Santos e a benção de problema nenhum.
O baiano sabe sentir – ao pé da letra – sua cidade. A relação do morador com Salvador é sensual, afetuosa, emocional. Depois de algum tempo surgem outras imersões. Mergulhe no candomblé: culto de beleza e de tolerância. A Bahia, a começar por Salvador, é a garantia de que o Brasil nunca perderá seu sangue negro e sua raiz afro. Não por acaso o Brasil foi descoberto na Bahia. Aqui foi que tudo começou. E no fundo, todo brasileiro se sente íntimo da cidade, mesmo sem nunca ter posto os pés aqui.
O Rio deu Villa-Lobos, Tom Jobim e Chico Buarque, mas nenhum deles se empenhou tanto em descrever a cidade como Dorival Caymmi fez com sua terra natal. As pessoas não precisam vir até aqui para saber como é a Lagoa do Abaeté, a procissão para Iemanjá... Caymmi criou até samba-receita para revelar como se faz vatapá. Sem falar de Jorge Amado e Carybé (ter nascido na Argentina foi um mero acidente para o pintor), que carimbaram imagens definitivas em nossos cérebros. Quem vem de longe, e ouve o seu chamado, logo sente o afago da doce brisa desses ventos elísios, como bem descreveu Vinícius de Moraes, "que é bom passar uma tarde em Itapuã”.
A Bahia de Todos os Santos, cidade de dois andares e muitas colinas, perdeu o medo de se sentir radicalmente contemporânea, mesmo porque o hálito de mudança urbanística, cultural e social que dela emana hoje não compromete a tradição, porque a Bahia não pode viver sem sua abusada tropicalidade. Isto é um pouco da baianidade que te juro, não sei nem um décimo: o sorrir do corpo, o rejubilar da alma, numa sincronia encontrada apenas aqui, na Bahia.


E você, “... já foi à Bahia, nêga?”

Não?

“... então vá!”








quarta-feira, 25 de março de 2009

Essa ruga entre as sobrancelhas. Celulite nas coxas. Os ombros mais arredondados. Mas a melhor coisa que a idade tem me trazido é o livre arbítrio pra chorar. No cinema, vendo televisão e ouvindo Elis.

A idade me ensinou a chorar sem autopiedade nenhuma, chorar pra pôr pra fora uma emoção qualquer, boa, ruim. Chorar sem por isso me achar uma mulher pequenininha e covarde. Quando eu era menina me sentia uma frouxa idiota quando chorava. Mas agora eu sou gente grande, posso viajar sozinha, tomar porre, assinar cheque, responder em juízo, comer feijoada de noite, e chorar sem ter de me transformar na criatura mais mulherzinha-frouxa-covarde-desprezível-feia-boba e cara de mamão do planeta.

Chorar, pôrra, por que tô com vontade, vão todos se lascar, os indecisos, os esquisitos, os anormais que eu amo (e desamo, com voraz facilidade), vão todos sentar na graxa, pro raio que os partam, que o choro é livre e constitucional, e eu choro quando quiser, ou não choro, se não quiser também.

Me deixa, ou me abraça, ou fica perto, ou fecha a porta e some, ou abre a porta e chega como se tivesse vindo de outra galáxia. Mas não repara que eu tô morrendo de vontade de chorar e quero ver quem é macho o suficiente pra impedir uma mulher do meu tamanho de fazer o que quiser.



(Abril de 2005)

sexta-feira, 20 de março de 2009

Assuntos da semana

As constantes vítimas fatais da dengue hemorrágica na Bahia é de ficar de cabelo em pé. Vamos agir, minha gente! Cuidem do lar, da vida ao seu redor.
...
"Olha só, meu amóooor... hahahaha", foi para outro plano uma das figuras mais amadas/odiadas: Clodovil Hernandez. Confesso, fiquei meio balançada, porque quando uma pessoa eterna morre, nosso mundo dá uma balançada: pois é, um dia acaba mesmo.
Ele não tem uma história. Ele é. Para o bem ou para o mal. Como Dercy, Hebe e Silvio Santos. Só fiquei lembrando da homenagem que fizemos a ele na Rádio produzida por nós, alunos, a Rádio TIComuniK!!!
Para quem não sabe, Clô, estava Deputado e lutando pela diminuição da quantidade de deputados que não fazem NADA naquela joça.
Agora, se Silvio Santos bater as botas, aí eu não vou guentar. Com esse sinal do fim dos tempos, eu peço pra sair!





terça-feira, 10 de março de 2009

Eu sou muito bocó, mas tenho muito amor no coração. Releva?

Engraçado escrever sobre desejos e eles ganharem força... Tô falando da chuva de ontem à noite. Não lembro bem quantas vezes tomei banho de chuva com certo ar de satisfação. Não, e não rodopiei e pulei toda molhada. Segurei a minha onda. Mas, se bem que, tinha um sorrisinho amarelo nos lábios.
A boa nova não aconteceu como eu gostaria, mas eu sei que vai chegar a minha hora.
"Coisas ruins acontecem a pessoas boas; a maioria das pessoas só atende a seus próprios interesses e vai tentar prejudicar mesmo que não leve vantagem nenhuma nisso". Mas, tá, "eu tenho" Cissa e suas fofices se repetem, o que ameniza qualquer situação. Cissa é uma cã que só falta falar, mas para deixar o rumo normal das coisas deram a ela o direito normal de latir. Mas ela é inteligente apesar de ter pessoas que não acreditam na inteligência canina, mas né, pessoas doidas, vamos combinar. Que não pode ser burro um bichinho desses que toda santa noite se acha no direito de pular na minha cama, se enfiar debaixo da minha coberta, roçar seus pêlos em mim só pra dizer: "opa! chega pra lá que eu tou me aconchegando já!". Ela sabe que tem a hora de trocar água e que ela vai poder beber água fresquinhammm, e também se alimentar. Ela é espertinha, engraçadinha. Sabe o que quer dizer bola ("Cadê a bola?", significa que é hora de uma brincadeirinha à toa no corredor de casa), e "Sai daí, Cissa, senão vou pisar em você sem querer!". Eu sei que isso tá parecendo Marley & Eu, mas ela tã fofa, que sempre vai ter espaço aqui neste lugar hômilde que é meu. Agora mesmo ela deitou perto do meu pé, estratégicamente para triscar a patinha nele e pedir carinho, e, por tabela, o seu cheirinho acabou de me lembrar que hoje é dia de banho.





quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

'No Carnaval do Imprensa, quem dá ordem é o Rei Momo'

(Composição: Obama, Osama, Kitchner, Elton John, Madonna, Jesus, Cícero do Capela e mendigos da Cinelândia)


O Imprensa vem lançar a utopia
Manchetes para este Carnaval
Que bom se não fosse fantasia
Rei Momo editor do meu jornal

Obama toma um porre com Osama
E seu Fidel saiu chamando o Raul
Nós vamos mandar "paz" pra Bagdá
A Zona Norte abraçou a Zona Sul

Que papo é esse? Cada um no seu quadrado?
No Mercadinho, "tamu junto e misturado"
Que maravilha, pode aplaudir
Ô abre alas, nosso bloco vem aí

A chuva cai, mas não inunda
Nada de crise, cerveja abunda
Até o Lula é meu leitor
Não tem mais choque e meu Rio é só amor

Imprensa que eu Gamo, e como!
Em Laranjeiras quem dá ordem é o Rei Momo
Sarney de novo, mas que mancada
Lá em Brasília tá faltando sapatada





Uma peculiaridade do carnaval carioca são os blocos de rua. (A-do-ro.) Este bloco, por exemplo, é formado por jornalistas (hehehehe). A saída do bloco é no bairro de Laranjeiras e pelo que sei, como ordem da Prefeitura, os horários de saída dos blocos não podem ser divulgados, que é uma medida para evitar que um único bloco tenha um número absurdo de seguidores foliões (o Imprensa, segundo informações divulgadas, saiu no último dia 7/02, com 8 mil pessoas), causando tumultos e atrapalhando o trânsito nos bairros.
É um carnaval democrático, diferente do carnaval de Salvador, por exemplo, por que as pessoas têm a liberdade de usarem a fantasia que quiserem, sem precisar pagar camisa para sair nos blocos; então é como os antigos bailes, só que o povo está pelas ruas e cada um com seu estilo, compartilhando sua alegria e na maior paz, e suas brincadeiras saudáveis, pois a única regra é se divertir.

Então, dedinhos indicadores em riste e caia na folia!




quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Tem gente que pega uma coisa grandiosa e reduz a nada

Mais um caso horrendo na mídia sobre os trotes universitários. Nunca vi noticiado na Bahia sobre um caso desses, de tanta violência.
Quando passei no vestibular de uma universidade particular em São Bernardo-SP, em 2001, me lembro bem de não ter passado por nenhum vexame, até porque a própria instituição não tolerava esse tipo de "comemoração". E também em 2008, já aqui em Salvador, não passei por nada constrangedor. Acho que somos um povo educado nesse sentido, o que me dá um certo orgulho.
Seria preconceito de minha parte dizer que só podia ser coisa de paulista?

Há mil maneiras mais saudáveis de passar um trote, que não incluem o constrangimento. Tanta atividade mais humana, e feliz. Os amigos de meu irmão rasparam-lhe a cabeça, uma das coisas que eu sempre soube que se fazia. Agora é essa bagunça, esse desrespeito. As pessoas perderam o senso da responsabilidade; quem mais acharia interessante invadir um hospital onde se faz residência e caçoar de pacientes, gritar bêbado pelos corredores? Quem mais acharia engraçado afogar um jovem na piscina? O Brasil é um país de memória curta, e os memoráveis não acrescentam em nada a vida neste mundo.






sábado, 7 de fevereiro de 2009

Na esfera do jornalismo, corre à boca pequena que, a grande Rede de Televisão Ratzinger já vai começar a banir notícias favoráveis a Lula para apoiar a campanha a favor de José Serra.

Lula - sem falar inglês nem francês é o único político latino-americano na lista da revista "Newsweek", apareceu à frente do Dalai Lama e do papa Bento XVI (olha o Ratzinger de novo! rs). Tá legal, tá legal, ele não é importante porque uma revista disse que ele é poderoso.
Lula, o brasileiro. É assim que nosso presidente é conhecido no mundo.

Bem, se a Toda Poderosa Rede Ratzinger desde sempre já não o faz, imagina essa. Não podia ser diferente. Querem sempre derrubar um presidente, e chamam isso de fazer cumprir seu dever social de informar e formar opiniões.

Apesar dos problemas e da crise, Lula ainda está na casa dos 80% em popularidade, segundo a pesquisa CNT/Sensus. E aquele jornal da madrugada da Toda Poderosa Ratzinger (muito menos qualquer outro apresentado pelo casal sensacional) nem sequer comentou uma nota sobre.

Difícil abrir o olho de uma nação inteira, uma classe mérdia, que acha que sabe o que está dizendo, que pensa que não está sendo manipulada, que tem realmente opinião própria sobre o que está acontecendo em seu país.

Difícil é engolir que para contratar uma babá, uma professora maternal, uma secretária, uma gerente, olha-se para sua cor de pele. Difícil é engolir uma rejeição às cotas.

Eu só tenho a afirmar o seguinte: parei, e faz tempo, de assistir soberanamente à grade jornalística de apenas uma emissora. Muitas vezes o que em uma se omite, na outra se esplana geral. Se liga!

É óbvio ululante que eu sei que esse tipo de atitude soberana da tal emissora Ratzinger é notícia veeeeeeelha, mas eu também quis falar sobre, porque de alguma forma me incomoda, e ponto.


quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Se liga!

Salvador, a cidade do caos popularesco.
Lia o jornal on-line, como de costume e me deparei com uma questão um tanto quanto batida entre os entendidos do meio da Comunicação (e, que para fazerem média com internautas, lançam espaço para esse assunto): o telejornalismo popular.

Esse tipo de "compromisso com o povo" a que a TV brasileira se lança em nome de IBOPE, já tem um histórico que começa mais ou menos por ali em 1930. "O homem do Sapato Branco", "Aqui e Agora" (com Gil Gomes), Cidade Alerta, etc. E aqui na Bahia temos o "Que Venha o Povo" e o "Se liga, Bocão".

Entre os problemas do cotidiano, os programas se baseiam no sensacionalismo da notícia. Tudo vira escândalo; qualquer coisa vale para mostrar ao telespectador o quanto ele tem que se indignar ou não diante do que é mostrado, divulgado. Uma discussão entre vizinhos, denúncias, reclamações às mais diversas situações a que o povo está sujeito, é o que faz esse tipo de programa render frutos de paternalismo/assistencialismo para com o menos favorecidos social e economicamente.

O que eu percebo é, que nesse "fórum de discussão" a respeito da qualidade da programação da TV baiana, que muitos enchem a boca para falar mal, criticar a iniciativa de TV's sujeitarem o povo a esse tipo de promoção da desgraça alheia. Mas também não paramos para refletir que é mais complexo do que se pode imaginar, ou mais simples, a depender do ponto de vista.

Se todos tivessem acesso a educação, saneamento básico, melhoria na qualidade de vida, oportunidades reais de emprego, qualificações a essa gente, tudo funcionaria de outro jeito. Porque esses programas sobrevivem de uma certa "ignorância" das pessoas, então não é vantajoso mexer muito naquilo que está funcionando.

O que se pode discutir então é, até onde vai a liberdade de imprensa. Até que ponto mostrar imagens fortes - cadáveres, estupro, pedofilia, brigas, consumo de drogas, bandidos presos é válido. Eu acredito que a TV ainda tenha muito que se reformular. Mesmo que essa mídia se diga reflexo da sociedade, e que seja; defendo que esse reflexo seja de uma forma mais delicada, mais séria, mais compromissada.




segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Drummond já diz: mereça o ano novo.

Pro dia deitar sonhando. Sou o resultado desses amigos que tenho e do que recebo diariamente de afago, cuidado e demonstrações de afeto. Gente que sabe que viver com simplicidade é a coisa mais complexa que existe... E a mais sábia. É disso que sou feita: de um bocado de tanto amor. Mesmo quando dizem: tu és poeta. Poesia é fluidez (a poesia que há em mim não é suficiente para alcançar a poesia que é você). Sou o que estou e, isto sim, é perpétuo.
Nessa época há sempre um retrospecto, e quando fiz de nós dois, percebi o quanto mudei com você. Desculpa eu não te querer mais logo agora que a vida está sendo doce comigo. Eu não tenho mais tempo para ser aquela pessoa certa na tua hora errada.

Quando ele chegar vou estar pronta. Vestindo branco. E com algum colar de contas. É que 2009 será de riso e cafuné. Exatamente nesta ordem. Sou a protegida pelos meus Orixás. Sou minhas Meninas, meus Caboclos, meus Pajés. (SOU!)








sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Ensaio sobre a dificuldade de escrever

Para uma boa leitura acontecer é necessário à priori, que estejamos diante de um texto bem escrito. E não estou falando dos grandes escritores, aqueles já considerados os Ases da literatura. E quanto mais lemos e escrevemos, maior – e melhor – é a nossa leitura de mundo. A pergunta: “por que as pessoas escrevem?”, veio em minha cabeça e parei para pensar naquelas respostas que já conhecemos: porquê elas têm algo para comunicar, viram a necessidade de mostrar a outros o que elas pensam sobre os assuntos que lhes dizem respeito. Por isso escrevem textos, livros, ou jornais ou em revistas. E eis o mérito que deve ser dado a Gutemberg. Porém, mesmo que muitos afirmem que ele seja o ‘pai da imprensa’, não foi ele quem a inventou pois quando ele nasceu (entre 1395 a 1400) a imprensa já existia, adivinda da Renascença italiana. Ele aperfeiçoou as técnicas de impressão e, graças a Gutemberg é que se tornou possível a transmissão da palavra escrita a um crescente número de pessoas. Aliás, a própria historia de Gutemberg parece uma reportagem mal feita, em que os dados seguros são poucos, as dúvidas e lacunas, muitas. De qualquer maneira, se nos faltam muitas informações sobre a vida e a carreira de Gutemberg, a culpa em boa parte é dele próprio: infelizmente o inventor não tinha o hábito de datar ou assinar seus trabalhos.
Antes de um menino que me vendeu bala na rua, o Miguel, eu nunca tinha escutado de qualquer pessoa, que ela gostaria de ser escritora. Nem eu mesma, aliás, apesar de ter sido, durante a vida escolar, uma ótima aluna de português, e escrever em diários desde os meus 11 anos de idade. Hoje aos 28 anos, ainda não descobri sobre o que, de mais relevante eu poderia, por exemplo, usar como tema para um futuro livro. Você já sentiu isso de não ter nada a dizer quando todo mundo já se propôs a escrever sobre tudo??? Pois é. Quando o professor lhe pede como tarefa do dia: “escreva sobre o que você quiser, o tema é livre”, então parece que piora a situação. Tem gente que adora, pois está cheia de assuntos, louca para opinar sobre temas da atualidade, dizer o que pensa. Eu não. Acho que, de certa forma, fui ensinada a esperar por direções, quando na verdade, a gente sabe que, até em uma conversa informal, em um bate-papo com amigos, a conversa sempre toma outros rumos. Na hora de escrever, isso tem que ser feito com cuidado para não fugir do assunto e distrair o leitor.
Eu continuo escrevendo. Quando fiz 10 anos de escrita nos meus diários e cadernos, em 2001, tomei conhecimento, na internet, dos diários virtuais, e aderi a este novo conceito de comunicação escrita, com a possibilidade de conhecer e compartilhar de outros pensamentos e modos de ver o mundo. Fiz o primeiro weblog. Hoje ele já não existe e, inclusive, com ele foi mais fácil deixar para trás uma Mayra que não corresponde em quase nada ao que sou hoje. E a escrita nos permite esse reconhecimento. Os assuntos, as dúvidas e lacunas, se modificam não só pela idade, mas pelas circunstâncias.
Às vezes me pergunto se realmente é jornalismo o caminho pelo qual quero trilhar, ainda que eu esteja no começo do curso, porém, contudo, meu tempo está se esgotando (porque a vida está me indagando sobre qual a minha decisão perante a vida, igualzinho o coelho de Alice). É que comigo, não me leve a mal, o tempo às vezes pensa que é Caymmi. Então percebo que é isso: para escrever, leva tempo. Leva o tempo necessário para amadurecer idéias, buscar argumentos, responder e/ou fazer perguntas. E por aí vêm as dívidas: sobre o que eu quero falar? Por que quero falar sobre este assunto? Para quem eu quero escrever? Quando o tema é esclarecido, já facilita uma outra etapa. Porque você não precisa escrever somente sobre algo que seja positivamente inspirador. E eu percebi que minha dificuldade também deve ser a dificuldade de muita gente, que, no eu caso, se equivale a classe a que pertenço: os estudantes universitários, e até mesmo para os que não o são. As pessoas comuns, que gostam da leitura, mas não se sentem seguras de escrever, acreditando que é preciso escrever tal e qual Mário Quintana, Machado de Assis, Darcy Ribeiro. Claro que, também não basta querer compartilhar uma idéia, uma opinião. Também tenho que pensar: “para qual direção caminha a minha escrita?!”
Quando me apropriei da tecnologia e passei a “postar” textos em meu weblog, produzindo gêneros textuais para cumprir uma demanda da atividade acadêmica, eu não escrevo pensando em ser uma renomada escritora. Escrevo alguns por inspiração, uns por exigência de professores, outros sem qualquer motivo (sem exigências, sem cobranças externas). Mas todas as maneiras se findam no objetivo de ter um certo reconhecimento por parte de quem lê. Agradando ou não, você espera que as pessoas se manifestem a respeito de seu texto. Porque estamos em uma era big brother, onde todos querem ser notados de alguma forma. “O desejo é o motor”, afirma Pierre Lèvi. Todos nós, enquanto humanos, temos, culturalmente a necessidade de nos comunicar, de nos fazermos compreendidos. Então aqueles mais desejosos de realizar a comunicação - indispensável a todos nós, - se aperfeiçoar, nesse caso, na escrita, na utilização de regras gramaticais,, dos argumentos, das abordagens, porque a utilização dessas técnicas acaba sendo fruto desse desejo de concluir a transmissão de sua mensagem. Técnicas essas, resultantes de um movimento da sociedade em prol da boa leitura, do domínio da língua, e que por isso mesmo, resigna essa sociedade, e delimita bem, quem escreve, quem realmente tem o dom da palavra, de quem não tem aptidão nenhuma, e esses se tornam submissos, menos valorizados intelectualmente, e é por isso mesmo que pode ocorrer a tal dificuldade em escrever, em passar do pensamento ao papel.
A utilização de weblog, já é, de qualquer maneira, considerada imprescindível para que os novos produtores de textos contribuam para a veiculação cada vez maior e melhor das mensagens. Confesso que até por isso tenho lido pouquíssimos livros inteiros. Com a facilidade de busca dos mais variados trechos, partes de livros, a leitura densa de materiais está deixando a desejar. A demanda do mercado não aguarda que sua inspiração, para escrever coisas interessantes leve tanto tempo. Há muita pressa em conclusões, em obter resultados. É preciso correr, “acorda, Alice!”, é colocado na história de Carroll.
Creio que consigo terminar este ensaio sobre o meu ato de escrever, quase com a sensação de dever cumprido. Quando troquei de tema por duas vezes, na insegurança sobre a relevância do que eu teria de inovador para refletir sobre tais assuntos, descobri que mais uma vez estava desencontrada do objetivo final ( e talvez nem saiba direito se consegui chegar a ele), ansiosa por ser levada a escrever com a única obrigatoriedade imposta: o ensaio deve ter uma quantidade mínima de páginas. “Mas, como farei isso??!!”, pensamos, eu e meus colegas de classe, a sala de aula preenchida por burburinhos, todos questionando o pedido impertinente da autoridade da sala de aula naquele momento. Relutei, me chateei com a minha insegurança por não ter um tema e tamanha argumentação para uma exigência do professor, e resolvi por um tema que me pareceu até possível de fazer com que as pessoas reflitam: a dificuldade do ato de escrever, e escrever muito. Mas um “muito” que não tivesse receita de bolo no meio, ou palavras de baixo calão como já vi acontecer numa universidade em São Paulo. Escrever muito e escrever bem.
Espero realmente que este texto não tenha tomado as características de uma simples conversa de bar, onde um assunto puxa outro e outro, e a idéia inicial tenha se perdido. Uma questão de inspiração? Um dom? Exigência do convívio em sociedade?? O que está por trás do ato de escrever bem? Eu acabo aceitando que as pessoas escrevem para serem reconhecidas. Para algumas não importa se seus textos são somente alvos de críticas, o que, aliás, pode ser um indicativo, dependendo de seus argumentos, de que as pessoas leram e discordam do que está escrito, e então o autor cumpriu o seu papel. Ele pensou em um tema. Um bom começo então é pensar. Pensar, porque escrever é fazer funcionar de maneira organizada a lógica do pensamento. O que vem depois do ato são as conseqüências, e a primeira delas é quando consegue seduzir o leitor. Não esqueço nunca de revisar. Desconfio do meu texto. Eu espero, inclusive, que eu tenha suprido uma leitura com exemplos para encorajar quem lê, a acreditar no seu potencial, que o que importa, de verdade, é começar. Mostro o texto para outras pessoas, me preparo para as críticas. E não desisto, eis um ato de coragem. Uma hora encontro meu estilo de escrever. Em meio a uma pilha de textos, me deparo com o poema “Elogio do Aprendizado”, de Bertold Brecht, que me diz exatamente para não desistir. E foi o que eu fiz.