segunda-feira, 16 de setembro de 2013

O Segredo do Lírios

A delicadeza, o susto, o amor incondicional. É dessa forma que se retrata a descoberta da homossexualidade neste curta.

O curta mostra o depoimento de três mães que possuem filhas lésbicas e cada um conta histórias de quando as garotas eram pequenas, quando contaram a elas sobre a sua sexualidade, os sustos e a aceitação. Cada mãe a sua maneira.

segunda-feira, 4 de março de 2013

Quem nunca fez um varal particular?

Não se pode (e nem se deve) viver na inércia de fingir que não houve um passado, e é para isso que os vestígios existem. Ali, em pé, a menina lava as próprias peças na pia do banheiro. A situação de estar ali de pé, ansiosa para viajar e as esfregando, a fez rir. Virou o rosto em direção ao box de vidro, um filme curto passou rapidamente em sua cabeça. Riu. Riu do vínculo afetivo que criou com elas e dos acontecimentos enquanto as usava.Enquanto as olhava uma do lado das outras, limpinhas e cheirosas, viu sinais de momentos vividos. Suspirou. Quem nunca fez um varal particular?

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Jornal O Bozó - Perfil

O Abará Originalizado

Há nove anos fazendo sucesso com a clientela do bairro do Imbuí, Edgar é um homem simples, comunicativo e curioso que encontrou na comercialização do abará uma maneira de inovar no sabor de um dos principais quitutes da Bahia.

Mayra de Miranda (mayrademiranda@yahoo.com.br)


Seu nome é Edgar, tem 35 anos, mas todo mundo o conhece como Original, e é dono da bicicleta estilizada onde transporta seu produto – o Abará Móvel. Soteropolitano e com interesse por essa comida trazida pelos africanos para o Brasil, Edgar pesquisou o sabor, as variações, e com o tempo foi desenvolvendo receitas diferentes para fazer o abará. Surgiram no decorrer desses nove anos mais de 28 sabores diferentes: abará com azeitona, com bacalhau, com sardinha…

Quando cheguei na hora do nosso encontro em sua casa, ouvi prontamente um “E aí, tudo originalizado?”, como sempre sorrindo e juntando as palmas das mãos à frente do peito e acenando com a cabeça – lembrando o cumprimento dos japoneses. Original também estava acabando de chegar em casa, abrindo seu cantinho, que ele chama de “minha cozinha”. O espaço é uma loja alugada, com uma porta de correr de ferro comum a esse tipo de estabelecimento. De estatura média e pele clara – alguns chamam de parda -, foi uma surpresa vê-lo sem a roupa tradicional (trajes africanos: roupas com estampas africanas, calça pescador e blusa, sandália de couro, boina, colar de semente e guias). Estava de bermuda jeans, sem camisa, separou certa quantidade de camarão seco para descascar e quis dar início a nossa conversa.

Logo na entrada fica seu material de trabalho, duas bicicletas estilizadas, um tabuleiro – igual a das baianas que a gente vê por aí, que ele usa quando faz eventos, dois freezers. A loja, ou a cozinha, como ele prefere chamar, ainda tem o banheiro, e nos fundos, a pequena cozinha propriamente dita. Nesse canto é também onde ele mora.

O começo – Tinha um emprego fixo. Era assessor parlamentar. Mas, sem dinheiro no carnaval de 2001, Edgar queria vender algum produto para passear com sua esposa na época, na Quarta-feira de Cinzas. “Na verdade eu já tinha uma experiência em vendas, eu sei vender, tenho certa prática, de lidar com pessoas, apresentar o produto, né?”.

Edgar tem um círculo familiar pequeno – uma irmã e a mãe. Mas quando indaguei, ele afirmou que não entrou nessa por influência da família; e, continuou… No carnaval, como tinha duas amigas que são baianas de acarajé, elas o ajudaram a preparar 100 abarás tradicionais e ele conseguiu vender tudo em uma hora e meia, com seu jeito comunicativo e criativo. Satisfeito com os elogios do pessoal, se empolgou e entrou na onda de produzir e vender juntamente com sua companheira. O casamento não deu certo, mas a clientela continuou bem feliz e satisfeita e isso o motivou a continuar.

Paralelamente ao trabalho formal de assessor, aproveitou seu tino para vendas, começou a comercializar o seu produto para os lojistas do Shopping Barra, transportava os quitutes em sacolas térmicas, entregava em embalagens discretas para despistar. Também vendia no bairro boêmio do Rio Vermelho, mas como havia se mudado para a Boca do Rio, resolveu, depois de um tempo, fixar suas vendas na região do bairro do Imbuí, e, quando sentiu que podia seguir em frente, largou o emprego na política. Como o negócio é próprio, ele mesmo faz seu calendário e tira folga sempre que dá, geralmente em um mês ele faz seus passeios por quatro ou cinco dias.

Tradição e criatividade – Para manter a tradição, ele serve o abará como, segundo ele, era servido na África, fechado e com as opções misturadas na massa. Mas ele também destaca a criatividade culinária como parte de sua arte, e conta que inovou no abará de forno – que chama de abarafo – ou com menos azeite de dendê, ou sem camarão, mais leve.

Entre os 28 sabores, os mais pedidos pelos clientes são: camarão, bacalhau, manjericão, merluza, atum, sardinha, azeitona, florestal, turbinado, alho grego, ervas finas, erva-apimentada, Xlight Consistente, anti-alérgico (com outros temperos, sem o camarão), extra-protéico… Extra-protéico? “É proteinado, vitaminado e anti-alérgico!”. Como é um petisco bem temperado, ele serve de acompanhamento apenas um patê de pimenta criado por ele mesmo, que ele chama de “Vatá-Patê”.

“Não é fácil satisfazer o paladar das pessoas”, ele conta, “mas ao oferecer a degustação faz com que o abará seja aceito”. Hoje, Edgar chega a vender uma média de 150 durante o fim de semana e 40, 50 durante a semana. Vai às feiras quase todos os dias, São Joaquim, Sete Portas, e algumas vezes recebe o produto em casa.

Sempre inventando sabores, criou o “chocobara”, para a época da Páscoa, feito para os clientes mais especiais. São 14 quilos de chocolate, preparados e embalados igualzinho a um abará tradicional, que surpreende o cliente que acha que está ganhando um abará temperado do seu cardápio costumeiro. Perguntei, com água na boca, se para o Natal também há um abará-surpresa, mas ele disse que, para essa época não prepara nenhum quitute original, mas enfeita o Abará Móvel com luzes e renas – estas, feitas de espuma envoltas com papel laminado.

Um de seus objetivos atuais é juntar o dinheiro do seu trabalho para comprar a casa própria. Como nesse momento ele fala em Deus, aproveitei para perguntar se ele tem alguma religião: “Eu sou espiritualista”, diz rápido e sorridente. Depois de muito tempo de conversas e observações, me despeço, ele brinca: “É só isso mesmo? (risos) Bem rápida e original igual a mim! (risos)”. Com as mãos avermelhadas pelo camarão, ele se despede da mesma forma que me cumprimentou: “Uma boa tarde originalizada pra você!”.Aperto seu pulso, e agradeço, me sentindo energizada.


Este texto também está lá, no Jornal O Bozó.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Espantei a chuva com um sopro. Hoje não é dia de chover. Eu tenho um certo amor por coisas pequenas. Não sei se vou conseguir te explicar as coisas pequenas, mas troco o termo por coisas frágeis. Tenho certo amor por coisas frágeis. Talvez, ela tenha entendido que não era pra ser mesmo, somos pássaros, voamos conforme o vento, nosso elo foi a música. Dentre tantas palavras bonitas que guardo roubadas, dentre tanta timidez insistente que me franze a testa e silêncios tantos, o que mais gosto em mim é quando estou diante de um instante de felicidade. Aprendi com a Corina a abrir sinaleiras com um sopro, e sorrir. Agradeço a todos que de alguma forma me ajudaram a endurecer um pouco, ser menos frágil e mais ácida. Vivo brigando comigo mesma, me sinto enferrujada. Eu ainda sei fazer piada, vê. Saio sorrateiramente da mesa até que ninguém me note.

20 de junho de 2010.


sexta-feira, 9 de abril de 2010

Desde o início da semana notícias dos temporais no Rio de Janeiro e em outras cidades, tem feito muita gente reforçar a ideia do fim dos tempos... Estamos passando por transformações climáticas que, querendo ou não, tem a ver diretamente com a nosso comportamento na Terra e a maneira como nos dispomos neste mundo, como estamos tratando a natureza e a relação com o outro. E, pelo que tudo indica, a tendência é piorar. Não que eu não tivesse a visão otimista das coisas, mas né, prestemos atenção nos resultados de tantos anos de agressão a este planeta. Nada mais certeiro do que ele reagir dessa forma, tal e qual acontece conosco. Lei da ação e reação.

Como se não bastasse no Rio, com seu mar de ondas grandes (ressacas), invadindo calçamentos, ruas, esgostos transbordantes, canos entupidos, lixo, lixo. Lá, para um Tsunami acabar com tudo é pulo!!! Resultado: muitas mortes por soterramentos e muita gente desabrigada. E o governo do Rio lança um Decreto que permite a retirada de moradores de áreas de risco, mesmo que precise usar a força (bruta). E na minha opinião, poderia ser seguido o exemplo de Paris, onde o governo retira moradores de áreas de risco e paga indenizações devidas. Ou seja, as pessoas deixam tudo para trás, porém, com uma certa garantia de poder refazer sua vida.

A Bahia também está passando mal. Obras desordenadas e mal planejadas. Populaçãos ribeirinhas fazendo estragos em volta de rios. Tanta água e lixo não têm para onde escoar. Pessoas desabrigadas, mas que não querem deixar seus lares, as poucas coisas que olhes restam. A gente vê o trânsito ficar ruim, os buracos se formarem, temporais levando tudo embora. Tudo por conta de mal planejamento, e falta de estrutura física para todas essas regiões que sofrem.

A previsão é de mais chuvas, mais temporais. Eu, particularmente, espero que melhore, que o clima nos dê uma trégua, para que as pessoas não entrem em desespero. Como no Rio, que tem acontecido alguns arrastões. As pessoas se aproveitando desse momento de fragilidade para matar e roubar as outras, causando medo e pavor entre todos.

É preciso que tenhamos pulso firme, que exijamos soluções e que também sejamos capazes de cooperar, ao invés de só exigir respostas e resultados. As eleições estão aí e sempre é tempo de pensar no melhor para todos. Chega de discursos e promessas vazias.


terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Je veux apprendre le français

Resolvi ser autodidata e aprender francês.
Hahaha, separei um bloc-notes vert para as anotações, e faço tudo online, pego tudo o que for básico e daqui um tempo estarei lendo jornais franceses, hahahaha...

É uma língua realmente sedutora. Adoro o sotaque, o som das palavras.
Ai ai...


Au revoir!


segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

“Pitanga é ruim, mas é bão”

Eu não sou doce como pitanga, nem amarga, eu choro e sorrio com intensidade, eu sou querida e por vezes odiada. Possuo uns 10 pézinhos de pitanga aqui no meu quintal. [Meus vizinhos são parentes-não-sei-que-grau de Camila, aquela moça talentosa da televisão. E pelo que sei, o velho Seu Pitanga gosta mesmo é de ficar na casinha da Ilha (de Itaparica), onde passa longas temporadas, com seu cão chamado Sushi. Tá certo ele.] Colher pitangas é um verdadeiro exercício de disfarçado constrangimento - não olho para lado nenhum que não para as pontas dos galhos, com receio de encontrar algum olhar de censura, pois que há uma circunstância que não está a meu favor: não fui menina de convivência com pitangueiras ou quaisquer outro pé. E o que tenho a meu favor? feiras e mercados não vendem pitanga. É fruta que recusa o comércio: não dura, amassa na manipulação, fere-se, fica passada, mela, fermenta. Portanto a pitanga – exceto a Camila – não é bem vista nos meios rurais, que ela só serve para entreter namorados que, sob a desculpa de colher pitangas, se escondem por horas a fio entre pitangueiras. Lá, já me disseram, ficam um bom tempo não se sabe o que fazendo. Estarão engolindo os caroços?
Eu não me sinto daqui, mas gosto daqui. Eu sempre tenho tanto a dizer e quando falo não digo nada com nada... Eu vago no espaço a procura de respostas, mas já entendi que algumas coisas, certas e imutáveis, nunca serão respondidas. Eu acredito no céu, assim como em deus, assim como na natureza e nos homens. Eu gosto do mar, de fotografia e de doce-de-leite. E eu tenho o santo forte! E só quero colher em paz minhas pitangas caseiras e desfrutar deste não fazer nada tão agradável, nestes dias de "horário de verão" (#cinismo).



domingo, 20 de dezembro de 2009

É verdade que, quanto mais a gente toma conhecimento das coisas do mundo, menos interessante ele se torna?




quarta-feira, 6 de maio de 2009

Ternura eterna

"Prefiro enfrentar um soldado a um jornalista"
Che, de Steven Soderbergh



Estou ansiosa para ver o filme. Eu sou fã da história dele.
Ele é um mito, convenhamos. E por enquanto está no topo da lista de meus heróis (porque precisamos tê-los). Um cara que cuidou do que era dele, com asma, com limitações diversas. A revolução de Che começa dele para ele mesmo. De outro modo, como nos lamentar mesmo por tudo o que gostaríamos de ter feito mas não fizemos?









quarta-feira, 15 de abril de 2009

Será que Caetano vai gostar?

A Bahia tem muitos estilos. Na música isso não é tão difícil perceber, para quem vive aqui, claro.
A indústria vive para o Axé Music, mas a Bahia vai além. É muito mais que isso, e tem muita gente bacana tocando por aqui. Eu gosto dessas bandas independentes, de estilo alternativo, que encontra no rock´n´roll, na MPB, no samba de roda do Recôncavo, na música eletrônica, no rocksamba à moda dos Novos Baianos, no triphop, na velha bossa nova, no forró, as muitas caras da cidade.
Li a respeito da Marcela Bellas, fui ao site conferir seu trabalho. Gostei bastante das músicas, me deram muito prazer em escutá-la. Em uma entrevista à Revista Muito, do jornal A Tarde, Marcela conta que o nome do disco se deve a sua grande admiração pelo Caetano Veloso. Para mim vem bem a calhar, pois se Caetano consegue gostar de Psirico - quebrando o tabu de que os intelectualóides não podem gostar do simples, do que vem a ser do povo, só nos resta saber se os outros tantos metidos a pseudo-cultos são capazes de largar o copinho de whisky, e seus best-sellers para apreciar um som que nem requer compromisso.




Site da Marcela Bellas





sexta-feira, 3 de abril de 2009

Baianidade - Crônica

A Bahia da caricatura é aquela na qual as pessoas de fora vêem uma rede esticada, muito suor e muita preguiça. Digo que é folclore. Não apenas pelo fato de ser baiana e falar de baianidade, me ligando diretamente às minhas raízes, devota que sou de Nossa Senhora do Dendê. Salvador é uma cidade vibrante, cosmopolita, que está bombando na área imobiliária.
Falar de baianidade em si não é somente a descrição exata das festas populares ou dos nossos traços marcantes, ditos como baianos. Na realidade, não é nem mesmo uma filosofia de vida ou doutrina zelosa a qual nós, nos entregamos de corpo e espírito – apesar de que tanto o corpo como o espírito têm muito haver com o assunto. É ser em uma simples palavra, baiano. Que não é lerdo, ou devagar. Ele só não é bobo de ter as angústias que os outros têm.
Tem gente que acha que Salvador dá choque – choque de culturas quero dizer. Essa história do carnaval o ano todo, do sossego radical, do timing só do baiano. O verdadeiro choque é de outra natureza: é o choque da magia que perfuma o ar, de uma malemolência que não tem a ver com indolência, de uma paisagem que não há pressa nem tensão que consiga estragar. Numa outra crônica que escrevi enquanto morava no Rio de Janeiro, eu dizia que a vontade de Bahia está acima de qualquer problema. Problemas no trabalho: Bahia; briga na família: Bahia; fim de namoro: Bahia... Por que só há no mundo um lugar que permita todos os gritos, sem profanar o sagrado de cada silêncio. Bahia de Todos os Santos e a benção de problema nenhum.
O baiano sabe sentir – ao pé da letra – sua cidade. A relação do morador com Salvador é sensual, afetuosa, emocional. Depois de algum tempo surgem outras imersões. Mergulhe no candomblé: culto de beleza e de tolerância. A Bahia, a começar por Salvador, é a garantia de que o Brasil nunca perderá seu sangue negro e sua raiz afro. Não por acaso o Brasil foi descoberto na Bahia. Aqui foi que tudo começou. E no fundo, todo brasileiro se sente íntimo da cidade, mesmo sem nunca ter posto os pés aqui.
O Rio deu Villa-Lobos, Tom Jobim e Chico Buarque, mas nenhum deles se empenhou tanto em descrever a cidade como Dorival Caymmi fez com sua terra natal. As pessoas não precisam vir até aqui para saber como é a Lagoa do Abaeté, a procissão para Iemanjá... Caymmi criou até samba-receita para revelar como se faz vatapá. Sem falar de Jorge Amado e Carybé (ter nascido na Argentina foi um mero acidente para o pintor), que carimbaram imagens definitivas em nossos cérebros. Quem vem de longe, e ouve o seu chamado, logo sente o afago da doce brisa desses ventos elísios, como bem descreveu Vinícius de Moraes, "que é bom passar uma tarde em Itapuã”.
A Bahia de Todos os Santos, cidade de dois andares e muitas colinas, perdeu o medo de se sentir radicalmente contemporânea, mesmo porque o hálito de mudança urbanística, cultural e social que dela emana hoje não compromete a tradição, porque a Bahia não pode viver sem sua abusada tropicalidade. Isto é um pouco da baianidade que te juro, não sei nem um décimo: o sorrir do corpo, o rejubilar da alma, numa sincronia encontrada apenas aqui, na Bahia.


E você, “... já foi à Bahia, nêga?”

Não?

“... então vá!”








quarta-feira, 25 de março de 2009

Essa ruga entre as sobrancelhas. Celulite nas coxas. Os ombros mais arredondados. Mas a melhor coisa que a idade tem me trazido é o livre arbítrio pra chorar. No cinema, vendo televisão e ouvindo Elis.

A idade me ensinou a chorar sem autopiedade nenhuma, chorar pra pôr pra fora uma emoção qualquer, boa, ruim. Chorar sem por isso me achar uma mulher pequenininha e covarde. Quando eu era menina me sentia uma frouxa idiota quando chorava. Mas agora eu sou gente grande, posso viajar sozinha, tomar porre, assinar cheque, responder em juízo, comer feijoada de noite, e chorar sem ter de me transformar na criatura mais mulherzinha-frouxa-covarde-desprezível-feia-boba e cara de mamão do planeta.

Chorar, pôrra, por que tô com vontade, vão todos se lascar, os indecisos, os esquisitos, os anormais que eu amo (e desamo, com voraz facilidade), vão todos sentar na graxa, pro raio que os partam, que o choro é livre e constitucional, e eu choro quando quiser, ou não choro, se não quiser também.

Me deixa, ou me abraça, ou fica perto, ou fecha a porta e some, ou abre a porta e chega como se tivesse vindo de outra galáxia. Mas não repara que eu tô morrendo de vontade de chorar e quero ver quem é macho o suficiente pra impedir uma mulher do meu tamanho de fazer o que quiser.



(Abril de 2005)

sexta-feira, 20 de março de 2009

Assuntos da semana

As constantes vítimas fatais da dengue hemorrágica na Bahia é de ficar de cabelo em pé. Vamos agir, minha gente! Cuidem do lar, da vida ao seu redor.
...
"Olha só, meu amóooor... hahahaha", foi para outro plano uma das figuras mais amadas/odiadas: Clodovil Hernandez. Confesso, fiquei meio balançada, porque quando uma pessoa eterna morre, nosso mundo dá uma balançada: pois é, um dia acaba mesmo.
Ele não tem uma história. Ele é. Para o bem ou para o mal. Como Dercy, Hebe e Silvio Santos. Só fiquei lembrando da homenagem que fizemos a ele na Rádio produzida por nós, alunos, a Rádio TIComuniK!!!
Para quem não sabe, Clô, estava Deputado e lutando pela diminuição da quantidade de deputados que não fazem NADA naquela joça.
Agora, se Silvio Santos bater as botas, aí eu não vou guentar. Com esse sinal do fim dos tempos, eu peço pra sair!





terça-feira, 10 de março de 2009

Eu sou muito bocó, mas tenho muito amor no coração. Releva?

Engraçado escrever sobre desejos e eles ganharem força... Tô falando da chuva de ontem à noite. Não lembro bem quantas vezes tomei banho de chuva com certo ar de satisfação. Não, e não rodopiei e pulei toda molhada. Segurei a minha onda. Mas, se bem que, tinha um sorrisinho amarelo nos lábios.
A boa nova não aconteceu como eu gostaria, mas eu sei que vai chegar a minha hora.
"Coisas ruins acontecem a pessoas boas; a maioria das pessoas só atende a seus próprios interesses e vai tentar prejudicar mesmo que não leve vantagem nenhuma nisso". Mas, tá, "eu tenho" Cissa e suas fofices se repetem, o que ameniza qualquer situação. Cissa é uma cã que só falta falar, mas para deixar o rumo normal das coisas deram a ela o direito normal de latir. Mas ela é inteligente apesar de ter pessoas que não acreditam na inteligência canina, mas né, pessoas doidas, vamos combinar. Que não pode ser burro um bichinho desses que toda santa noite se acha no direito de pular na minha cama, se enfiar debaixo da minha coberta, roçar seus pêlos em mim só pra dizer: "opa! chega pra lá que eu tou me aconchegando já!". Ela sabe que tem a hora de trocar água e que ela vai poder beber água fresquinhammm, e também se alimentar. Ela é espertinha, engraçadinha. Sabe o que quer dizer bola ("Cadê a bola?", significa que é hora de uma brincadeirinha à toa no corredor de casa), e "Sai daí, Cissa, senão vou pisar em você sem querer!". Eu sei que isso tá parecendo Marley & Eu, mas ela tã fofa, que sempre vai ter espaço aqui neste lugar hômilde que é meu. Agora mesmo ela deitou perto do meu pé, estratégicamente para triscar a patinha nele e pedir carinho, e, por tabela, o seu cheirinho acabou de me lembrar que hoje é dia de banho.





quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

'No Carnaval do Imprensa, quem dá ordem é o Rei Momo'

(Composição: Obama, Osama, Kitchner, Elton John, Madonna, Jesus, Cícero do Capela e mendigos da Cinelândia)


O Imprensa vem lançar a utopia
Manchetes para este Carnaval
Que bom se não fosse fantasia
Rei Momo editor do meu jornal

Obama toma um porre com Osama
E seu Fidel saiu chamando o Raul
Nós vamos mandar "paz" pra Bagdá
A Zona Norte abraçou a Zona Sul

Que papo é esse? Cada um no seu quadrado?
No Mercadinho, "tamu junto e misturado"
Que maravilha, pode aplaudir
Ô abre alas, nosso bloco vem aí

A chuva cai, mas não inunda
Nada de crise, cerveja abunda
Até o Lula é meu leitor
Não tem mais choque e meu Rio é só amor

Imprensa que eu Gamo, e como!
Em Laranjeiras quem dá ordem é o Rei Momo
Sarney de novo, mas que mancada
Lá em Brasília tá faltando sapatada





Uma peculiaridade do carnaval carioca são os blocos de rua. (A-do-ro.) Este bloco, por exemplo, é formado por jornalistas (hehehehe). A saída do bloco é no bairro de Laranjeiras e pelo que sei, como ordem da Prefeitura, os horários de saída dos blocos não podem ser divulgados, que é uma medida para evitar que um único bloco tenha um número absurdo de seguidores foliões (o Imprensa, segundo informações divulgadas, saiu no último dia 7/02, com 8 mil pessoas), causando tumultos e atrapalhando o trânsito nos bairros.
É um carnaval democrático, diferente do carnaval de Salvador, por exemplo, por que as pessoas têm a liberdade de usarem a fantasia que quiserem, sem precisar pagar camisa para sair nos blocos; então é como os antigos bailes, só que o povo está pelas ruas e cada um com seu estilo, compartilhando sua alegria e na maior paz, e suas brincadeiras saudáveis, pois a única regra é se divertir.

Então, dedinhos indicadores em riste e caia na folia!




quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Tem gente que pega uma coisa grandiosa e reduz a nada

Mais um caso horrendo na mídia sobre os trotes universitários. Nunca vi noticiado na Bahia sobre um caso desses, de tanta violência.
Quando passei no vestibular de uma universidade particular em São Bernardo-SP, em 2001, me lembro bem de não ter passado por nenhum vexame, até porque a própria instituição não tolerava esse tipo de "comemoração". E também em 2008, já aqui em Salvador, não passei por nada constrangedor. Acho que somos um povo educado nesse sentido, o que me dá um certo orgulho.
Seria preconceito de minha parte dizer que só podia ser coisa de paulista?

Há mil maneiras mais saudáveis de passar um trote, que não incluem o constrangimento. Tanta atividade mais humana, e feliz. Os amigos de meu irmão rasparam-lhe a cabeça, uma das coisas que eu sempre soube que se fazia. Agora é essa bagunça, esse desrespeito. As pessoas perderam o senso da responsabilidade; quem mais acharia interessante invadir um hospital onde se faz residência e caçoar de pacientes, gritar bêbado pelos corredores? Quem mais acharia engraçado afogar um jovem na piscina? O Brasil é um país de memória curta, e os memoráveis não acrescentam em nada a vida neste mundo.